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XII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
79ª VIAGEM APOSTÓLICA DE JOÃO PAULO II – PARIS
MEDITAÇÃO DO SANTO PADRE PROPOSTA AOS
JOVENS PARTICIPANTES NO RITO DA «VIA-SACRA»
A D. JAMES FRANCIS STAFFORD Presidente do Pontifício Conselho para os
Leigos
Por intenção dos participantes no XII Dia Mundial da
Juventude reunidos na sexta-feira, 22 de Agosto de 1997, para meditar
sobre a «Via-Sacra»
1. «Mestre, onde moras?». Esta noite, caríssimos jovens, pusestes-vos no
seguimento de Cristo, enquanto Ele avança no caminho da Paixão. Elevai os olhos
para o rosto d’Aquele que vem ao vosso encontro e vos chama. O que procurais
neste Jesus, marcado pela dor, «tão desfigurado estava o Seu rosto que não parecia de homem» (Is 52, 14)? É o Servo de Deus, o Filho do
Altíssimo que, levando os nossos sofrimentos, Se fez servo do homem. Contemplai-O, escutai-O na Sua situação de pena e de prova! É n’Ele, que fez a experiência
da fragilidade humana em tudo excepto no pecado, que encontrareis a purificação
dos vossos corações.
Através da debilidade dum homem humilhado e desprezado,
Deus manifestou-nos a Sua omnipotência. Jesus, o Inocente, aceitando livremente
ir até ao fim na obediência a Seu Pai que O enviou, tornou-Se testemunha do amor
incondicional que Deus tem por todos os homens. O mistério da nossa salvação
realiza-se no silêncio da Sexta-Feira Santa, na qual um Homem abandonado por
todos, trazendo sobre Si o peso dos nossos sofrimentos, é entregue à morte numa
Cruz, com os braços abertos em gesto de acolhimento de todos os homens. Que
prova de maior amor? Mistério difícil de ser compreendido, mistério do amor
infinito! Mistério que inaugura o mundo novo e transfigurado do Reino. Nesta
cruz o mal foi vencido; da morte do Filho de Deus feito homem brotou a vida.
A Sua fidelidade ao desígnio de amor do Pai não foi em vão,
levando-O à ressurreição.
2. A morada de Cristo sofredor está ainda hoje no
meio dos homens. Para revelar o Seu poder, Deus vem ao nosso encontro no mais
profundo da nossa miséria. No homem provado, ferido, desprezado, rejeitado,
é-nos dado descobrir o Senhor que avança, carregando a Sua cruz nos caminhos da
humanidade. Caros amigos, o Crucificado está sempre no vosso caminho, ao lado
dos homens que padecem, sofrem e morrem. Vós que estais afadigados e oprimidos
sob o fardo, vinde à morada de Cristo e com Ele carregai a vossa cruz;
apresentai-Lhe a oferenda das vossas vidas e Ele vos aliviará (cf. Mt 11, 28).
Ao vosso lado, a presença amorosa de Maria, Mãe de Jesus e vossa mãe,
guiar-vos-á e dar-vos-á coragem e conforto.
Em um mundo onde o mal parece
triunfar, em que às vezes a esperança parece sufocada, em união com os mártires
da fé, da fraternidade e da partilha, com as testemunhas da justiça e da
liberdade, com as vítimas da intolerância e da rejeição do outro, com todos
aqueles, homens e mulheres que, em muitas nações dilaceradas pelo ódio ou pela
guerra, deram a própria vida pelos seus irmãos, fazei-vos próximos uns dos
outros, como Cristo Se fez próximo de vós; não desvieis o vosso olhar; tende a
coragem do encontro, do gesto fraterno, assim como Simão de Cirene ajudou Jesus
na Sua subida ao Calvário; sede audazes artífices de reconciliação e de paz;
juntos, vivei a solidariedade e o amor fraterno; fazei brilhar a Cruz do
Salvador para anunciar ao mundo a vitória do Ressuscitado, a vitória da vida
sobre a morte!
3. Caros amigos, contemplando a cruz de Cristo, escutando no
silêncio a palavra que Ele vos dirige, descobri este Deus que tem confiança no
homem, que confia em vós e espera em todos. Ele oferece-vos a Sua força para
fazer crescer os germes de paz e de reconciliação, que estão no coração de cada
um. Os actos mais humildes da caridade e da fraternidade testemunham a presença
de Deus. Esta noite, reunidos como Igreja, Jesus convida-vos ainda a acolher o
olhar de amor que Ele pousa sobre vós, a receber o perdão que há-de
encorajar-vos a partir de novo pelo caminho da vida. Chama-vos a apresentar-vos
à Sua luz, para entrardes no tempo da conversão e da reconciliação. O sacramento
da penitência que vos é proposto a receber, é o sacramento dum amor recebido e
compartilhado na alegria dum coração reconciliado e dos irmãos reencontrados.
Caros amigos, acolhei este amor que transforma a vossa vida e vos abre os
horizontes da verdade e da liberdade.
Paris, 22 de Agosto de 1997. |