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DISCURSO DO SANTO PADRE  JOÃO PAULO II
 AO ARCEBISPO DE LUXEMBURGO EM VISITA 
"AD LIMINA APOSTOLORUM"

 

    

 

1. No momento em que Vossa Excelência efectua a sua Visita ad Limina, tenho a alegria de o acolher na Casa do Sucessor de Pedro. Para cada Bispo, trata-se de uma ocasião incomparável para confirmar o próprio ministério, orando junto dos túmulos dos Santos Pedro e Paulo, e viver tempos fortes de comunhão eclesial, graças aos diferentes encontros com os membros dos Dicastérios da Cúria. Que os Apóstolos lhe concedam a graça de continuar a sua missão pastoral na alegria, com a força e a luz dadas pelo Espírito Santo! 

2. No seu relatório quinquenal, Vossa Excelência fez-me partícipe da vitalidade espiritual da Arquidiocese de Luxemburgo. Na perspectiva do Grande Jubileu e da nova evangelização que a Igreja tem de cumprir no decurso do terceiro milénio, Vossa Excelência empenhou a comunidade diocesana num caminho sinodal, intitulado Igreja 2005: a caminho com Jesus Cristo, juntos em favor dos homens. Assim, de modo oportuno, os pastores e os fiéis foram convidados a contemplar Cristo e o mistério cristão, através de propostas de formação, de um acolhimento constantemente renovado da Palavra de Deus, de um aprofundamento da liturgia e de uma vida comunitária mais intensa. Com efeito, é através de um caminho espiritual e intelectual, que todos os membros do povo de Deus fazem aumentar a sua fé e se empenham mais deliberadamente na missão, cada um segundo o próprio carisma e o serviço que lhe compete na Igreja e na sociedade. 

3. Quero prestar homenagem ao trabalho realizado pelos sacerdotes, que se dedicam a transmitir de maneira fiel o Evangelho, o ensinamento da Igreja, em particular a mensagem conciliar, a guiar e santificar o povo cristão, a fim de que todos os homens se tornem discípulos de Cristo. Tenho conhecimento da importância e da multiplicidade das suas tarefas, em especial numa época em que a falta de sacerdotes começa a fazer-se sentir duramente. Exorto-os a não desanimar, a permanecer vigilantes na oração e na vida espiritual. Eles reavivarão assim o dom que Deus neles depositou pela imposição das mãos (cf. 2 Tm 1, 6), para exercerem plenamente o ministério que lhes é confiado.

4. Os pastores são chamados a realizar a sua missão juntamente com os leigos, de maneira coordenada e sem confusão entre o que compete ao ministério ordenado e o que pertence ao sacerdócio universal dos baptizados. «Cada um, na sua unicidade e irrepetibilidade», deve oferecer-se «para o crescimento da comunhão eclesial como, por sua vez, recebe singularmente e faz sua a riqueza comum de toda a Igreja» (Exort. Apost. Christifideles laici, 28). Nesta perspectiva em que a riqueza e a diversidade devem ser postas ao serviço de todos, os sacerdotes são convidados «a reconhecer e promover sinceramente a dignidade e a participação própria dos leigos na missão da Igreja» (Conc. Ecum. Vaticano II, Presbyterorum ordinis, 9). Nas tarefas eclesiais que lhes podem ser confiadas em virtude do seu Baptismo e da sua Confirmação, ou nas associações de leigos em que participam, tendo-se em consideração os critérios de eclesialidade que tive ocasião de recordar (cf. Exort. Apost. Christifideles laici, 30), os fiéis sabem que não substituem o sacerdote ou o diácono, mas colaboram numa obra comum, a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja, «a evangelização e a santificação dos homens» (Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam actuositatem, 20). 

5. Graças ao concurso harmonioso dos diferentes serviços diocesanos, Vossa Excelência intensificou a formação cristã dos adultos. Alegro-me com os esforços feitos neste sector. Estou certo de que já recolhe os frutos disto no seio da Igreja local, em particular na qualidade da liturgia e na colaboração dos fiéis nas diferentes tarefas eclesiais. Encorajo os leigos a perseverarem na sua participação activa na comunidade paroquial a que pertencem, pois é especialmente no seio da paróquia que se exprime o legítimo pluralismo das sensibilidades e dos modos de acção, e que se realizam úteis colaborações. Na Igreja, são-nos dados irmãos e irmãs para que tudo concorra em benefício do Corpo inteiro. 

É também para enfrentar as questões morais do nosso tempo e renovar a ordem temporal que os leigos têm necessidade de aprofundar a mensagem evangélica sem cessar. Estarão, assim, melhor preparados para assumir compromissos e responsabilidades ao serviço dos seus irmãos, no contexto da sociedade civil, que se constrói sobre a base das normas objectivas da moralidade (cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Gaudium et spes, 16). No mundo moderno marcado pelo materialismo e pelo poder do dinheiro, o ensinamento da doutrina social da Igreja é particularmente útil para recordar que o homem é o centro da vida social e que o desenvolvimento da solidariedade e da vida fraterna supõe «uma tomada de consciência mais viva das desigualdades» entre as pessoas e «uma conversão das mentalidades e das atitudes» (Ibid., 63). Sob este ponto de vista, a sua Arquidiocese tem também um papel específico no seio da grande Europa. Ao reconhecer os esforços importantes envidados pelos seus diocesanos no decorrer destes últimos anos no sector caritativo, exorto-os a continuar e intensificar o seu apoio aos homens e aos povos que têm necessidade da sua competência e da sua ajuda. Eles manifestarão assim, de maneira palpável, o sentido da catolicidade que é a abertura à universalidade, segundo o exemplo dado pelas primeiras comunidades cristãs (cf. Rm 16, 25-27). 

6. Quereria exprimir os meus agradecimentos cordiais aos Institutos de Vida consagrada, cujo apostolado é muito apreciado. Em particular, convém sublinhar a importância da presença deles no ensino, onde numerosos jovens podem tomar consciência da própria vocação, e nos serviços à saúde. As instituições de formação da juventude devem merecer toda a atenção das comunidades cristãs e mobilizar muitos adultos, pais, professores, educadores, sacerdotes e religiosos. Os jovens têm necessidade de receber uma educação moral e espiritual apropriada e de ser acompanhados na maturação da sua personalidade, na preparação do seu futuro e na realização da sua vocação específica, tanto no matrimónio, como no sacerdócio ou na vida consagrada. A respeito disso, alegro-me com a nova vitalidade dos movimentos de jovens, como me foi relatado por Vossa Excelência. Eles têm um papel essencial a desempenhar no apostolado junto da juventude do seu país. 

7. Por seu intermédio, dirijo também as minhas saudações afectuosas às comunidades melquita e ucraniano-católicas da sua Arquidiocese. Transmita os meus encorajamentos calorosos aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos, às religiosas e a todos os fiéis, que são chamados a trabalhar em comunhão com Vossa Excelência na missão da Igreja. Invoco sobre a sua pessoa e a sua comunidade diocesana a intercessão materna de Nossa Senhora de Luxemburgo, Consoladora dos Aflitos, e de São Willibrord, e concedo-lhe de todo o coração a Bênção Apostólica.

 

 

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