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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS PARTICIPANTES NO XIX CONGRESSO
DA UNIÃO CATÓLICA ITALIANA
DOS PROFESSORES DE ESCOLA MÉDIA

18 de Fevereiro de 1997

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Vindos de todas as partes da Itália para celebrar o XIX Congresso nacional da vossa Associação, vós tendes em vista reflectir sobre o modo como a escola italiana, num contexto de notáveis transformações, deve preparar-se para viver momentos de grande valor para o seu futuro.

O tema por vós escolhido, «Qual é o projecto cultural e educativo no limiar do terceiro milénio », bem manifesta a vossa intenção de enfrentar um «novo advento», atentos aos «sinais dos tempos» e corajosamente abertos às inovações.

O cristão sabe bem que o futuro do mundo não deve somente ser esperado, mas projectado e construído mediante os elementos positivos do presente. Nesta fase de amplas mudanças que investem o mundo da escola, a UCIIM, fiel às próprias finalidades originárias, é chamada a intervir com pontualidade e competência nos vários projectos de reforma. Trata-se de actuar com sentido de responsabilidade nesse âmbito, aprofundando os aspectos pedagógicos e didácticos da vossa peculiar missão e, sobretudo, tendo sempre presentes as reais exigências daqueles que a Providência confiou ao vosso empenho profissional, isto é, os jovens.

2. A escola, particularmente a secundária, encontra-se na encruzilhada das muitas vias que a sociedade e a cultura abrem aos jovens. Ela exige de vós, caros Professores, acentuada sensibilidade, interesse e espírito de serviço inspirado e generoso. Desde o seu nascimento, a UCIIM teve o cuidado de pôr o aluno no centro da acção didáctica, ressaltando que qualquer intervenção educativa deve referir-se sempre à pessoa do aluno, na sua originalidade e globalidade. A relação pedagógica deve, portanto, ser vivida em espírito de amor. Isto comporta oferta da confiança recíproca e empenho à colaboração entre professor e aluno.

Nos jovens de hoje verificam-se com frequência atitudes contraditórias, sinal da procura confusa de uma realização pessoal plenamente satisfatória. Para os jovens é preciso olhar com confiança; é necessário dialogar com eles mediante uma linguagem aberta e directa, acreditada pela coerência da vida; abrir-lhes os «arquivos» da história, envolvendo-os em projectos culturais animados pela sabedoria do Evangelho.

3. Caríssimos Irmãos e Irmãs, a relação entre fé e cultura representa um âmbito vital para o destino da Igreja e o futuro da sociedade. Mais do que nunca é necessário, neste particular contexto histórico, que o crente, empenhado no singular laboratório de cultura, que é a escola, efectue um sério discernimento das várias formas culturais presentes na sociedade, julgando-as à luz dos valores cristãos.

A UCIIM, fiel à própria identidade originária e aberta profeticamente ao futuro, é chamada a exprimir e a sustentar professores profissionalmente preparados e actualizados, com uma espiritualidade límpida e forte, capazes de testemunhar diante de todos aqueles com os quais eles se encontram na escola — alunos, colegas e pais — o amor de Jesus Mestre, no intento de realizar uma presença cristã eficaz nos ambientes em que se elabora a cultura e se forma a opinião pública.

Para cumprir uma tarefa tão empenhativa, a Associação não pode deixar de recordar aos seus membros que, a exemplo de Gesualdo Nosengo e dos pioneiros das suas origens, é preciso cada dia haurir da lógica luminosa da fé e da fonte inexaurível da oração. Além disso, é preciso alimentar a certeza de que jamais estamos sozinhos na escola e pelas estradas do mundo, porque Jesus Mestre está sempre no meio de nós ontem, hoje e sempre, até ao fim do mundo.

Ao desejar um trabalho profícuo, confio cada um de vós à protecção de Maria, Sede da Sabedoria, enquanto de coração abençoo todos vós.

Vaticano, 18 de Fevereiro de 1997.

 

 

 

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