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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II 11 de Janeiro de 1997
Senhor Embaixador É com prazer que dou as boas-vindas a Vossa Excelência, por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Burkina Fasso junto da Santa Sé. As palavras que Vossa Excelência acaba de pronunciar, as quais agradeço vivamente, testemunham o interesse atribuído pelas autoridades do seu país ao desenvolvimento de relações de estima e respeito entre o Burkina Fasso e a Sé Apostólica. Por seu intermédio, é-me grato apresentar a Sua Excelência o Senhor Presidente Blaise Campaoré os votos que formulo pela sua pessoa e pelo cumprimento do seu alto cargo ao serviço da nação. Saúdo de igual modo com cordialidade o povo do Burkina Fasso, e peço a Deus que o assista nos seus esforços em vista da edificação duma sociedade cada vez mais justa e fraterna. No seu discurso, Senhor Embaixador, Vossa Excelência evocou a contribuição da Santa Sé em favor da promoção do bem-estar da humanidade. Estou-lhe grato por este apreço. De facto, para a Igreja católica, o desenvolvimento humano integral situa-se no centro mesmo da sua missão de proclamar o mandamento divino do amor fraterno. Por isso, ela deseja promover o autêntico crescimento da pessoa humana, na justiça e na paz. Trata-se dum imperativo essencial que todo o homem e toda a mulher, assim como todos os componentes da sociedade, se possam consagrar juntos ao desenvolvimento do seu povo. E regozijo-me com o que Vossa Excelência disse a respeito do empenho comum dos filhos do Burkina Fasso no combate contra todas as formas de miséria e de marginalização. Conscientes da interdependência que existe entre as pessoas, é ao colocar em prática uma verdadeira solidariedade que eles poderão contribuir para uma melhor organização da sociedade, num justo respeito das particularidades sociais e religiosas, que constituem a riqueza da nação. Como Vossa Excelência evocou, Senhor Embaixador, o respeito pelas convicções religiosas de cada um é um valor fundamental, que deve ser preservado. Este é também o princípio e o fundamento duma convivência pacífica (cf. Mensagem para o XXV Dia Mundial da Paz, 1992, n. 7). É motivo de alegria que os crentes das diferentes tradições religiosas, presentes no seu país, possam trabalhar juntos pela promoção do bem comum, num clima de confiança e estima recíprocas. É meu desejo também que todos os povos fortaleçam a sua solidariedade, para que cada um deles possa ter acesso ao desenvolvimento integral, material e espiritual. É nesta perspectiva que a Santa Sé, em colaboração com as Igrejas locais, sobretudo através da Fundação para o Sahel, quer contribuir para a realização de acções de ajuda mútua, de formação e de desenvolvimento em benefício dos povos da sua região, vítimas da seca e da desertificação. As nações devem tomar uma consciência cada vez mais forte dos deveres que têm, umas para com as outras e em relação à humanidade inteira. Como declarei por ocasião do quinquagésimo aniversário das Nações Unidas, «é necessário que, no cenário económico internacional, se imponha uma ética da solidariedade, se quisermos que a participação, o crescimento económico e uma equitativa distribuição dos bens possam caracterizar o futuro da humanidade» (Discurso à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, n. 13). A sua presença nestes lugares, Senhor Embaixador, é um sinal de que o seu país está aberto aos valores espirituais e religiosos, e que os considera profundamente necessários para a edificação duma sociedade realmente humana. Estou certo de que a missão que Vossa Excelência inicia hoje há-de fortalecer ainda mais os laços de compreensão e amizade entre o Burkina Fasso e a Sé Apostólica. Nesta circunstância solene, através da sua pessoa, Senhor Embaixador, quereria dirigir uma saudação afectuosa aos membros da comunidade católica do Burkina Fasso e aos seus Pastores. Encorajo- os a viver o testemunho do amor universal de Cristo, entre si e com todos, sem distinção. Estimulo-os a prosseguir com ardor, numa cooperação fraterna com todos os seus compatriotas, o seu empenho pela edificação duma sociedade solidária e próspera, na qual cada um poderá encontrar o seu lugar, no respeito mútuo. No momento em que inicia a sua missão, apresento-lhe os meus melhores votos para a nobre tarefa que o espera. Esteja certo de que encontrará sempre aqui, junto dos meus colaboradores, o acolhimento atento e compreensivo de que poderá ter necessidade. Sobre Vossa Excelência, sobre o povo do Burkina Fasso e sobre os que presidem ao seu destino, invoco de todo o coração a abundância das Bênçãos divinas.
© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana
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