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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II 11 de Janeiro de 1997
Senhor Embaixador Estou feliz por lhe dar as boas-vindas ao Vaticano, no momento em que Vossa Excelência começa a sua missão como primeiro Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Estado da Eritreia junto da Santa Sé, e é de bom grado que recebo as Cartas Credenciais, mediante as quais Vossa Excelência é nomeado. O estabelecimento das relações diplomáticas entre nós e o intercâmbio de Representantes constituem o mais recente desenvolvimento nos relacionamentos constantes entre o Povo da Eritreia e a Igreja católica; estou persuadido de que este novo nível de contacto há-de levar a cada vez maiores compreensão, estima e cooperação. Aprecio os bons votos que me transmitiu da parte do Presidente, Sua Ex.cia o Senhor Isaías Afwerki e, em contrapartida, pediria que lhe transmitisse as minhas saudações e a certeza das minhas orações pela paz e pelo bem-estar do seu País e do seu Povo. As recentes transformações políticas e sociais no mundo põem em evidência a convicção cada vez maior de que determinados ideais deveriam forjar as relações humanas a todos os níveis. Alguns deles são a aspiração à verdadeira paz, a determinação em trabalhar pela liberdade e justiça, e o compromisso da solidariedade para com os pobres. Os povos e as nações desejam que a hostilidade e o conflito sejam substituídos pelo diálogo e pela cooperação. Geralmente se reconhece, pelo menos a nível de princípio, a necessidade das regiões mais abastadas e desenvolvidas do mundo auxiliarem os povos que lutam por uma distribuição mais equitativa dos recursos mundiais, encorajando-os nos seus esforços por promover o próprio desenvolvimento integral. Contudo, estes desenvolvimentos positivos são contemporaneamente ameaçados por novos e trágicos desafios que estão a surgir em várias áreas, e pela persistência da intolerância assente nos preconceitos racial, étnico ou religioso. É precisamente no contexto destas dolorosas situações que todas as pessoas de boa vontade e, em particular, os governantes das nações devem renovar os próprios esforços, no sentido de buscar a resolução pacífica destas tensões. Isto exige, sobretudo, um compromisso cada vez maior na defesa da dignidade inalienável e na protecção dos direitos humanos basilares de cada indivíduo. Um dos principais direitos que o mundo contemporâneo deve procurar garantir é a liberdade de consciência. Como tive a ocasião de observar na minha Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1991, a consciência dá testemunho da «transcendência da pessoa — relativamente também à sociedade — e, como tal, é inviolável (...). Negar a uma pessoa a plena liberdade de consciência e, especialmente, a liberdade de procurar a verdade ou tentar impor-lhe um modo particular de compreender a verdade, vai contra os seus direitos mais profundos. Isto vai, depois, provocar um agravamento dos ressentimentos e tensões, que correm o risco de degenerar em relações difícies e hostis, no seio da sociedade, ou até num conflito aberto. Em suma, é ao nível da consciência que se põe e pode encontrar solução mais eficaz o problema de assegurar uma paz sólida e duradoura» (loc. cit., n. 1). É precisamente a este respeito que a Igreja insiste sobre o direito que os indivíduos e as comunidades religiosas organizadas têm de professar e praticar livremente a sua própria fé. O respeito da liberdade religiosa é como que indicação e penhor do autêntico progresso social. Portanto, faço votos por que a liberdade religiosa, como expressão fundamental da liberdade de consciência, goze da tutela constitucional e seja valorizada nas instituições democráticas que a Eritreia está a edificar para si própria, no momento em que inaugura uma nova era da sua história. Aprecio o seu reconhecimento da contribuição oferecida pela Igreja católica, tanto na assistência prática concedida ao seu povo que sofre as devastações da miséria e da guerra, como no apoio moral à sua Nação que desempenha a tarefa de reconstrução. Os católicos da Eritreia estão empenhados em trabalhar ao lado dos seus concidadãos, como participantes activos no progresso político, social e cultural do seu País, que acaba de conquistar a independência. Com esta finalidade, inúmeros missionários, membros de comunidades religiosas, bem como leigos e leigas, foram à sua terra, Senhor Embaixador, para oferecer os próprios serviços nos sectores da educação e da assistência à saúde. O trabalho que eles realizam não beneficia unicamente os católicos, mas destina-se ao bem de todo o povo. A minha esperança é de que o Governo da Eritreia e as Autoridades públicas acolham este serviço da Igreja e assistam os missionários e os outros, enquanto se procura dar continuidade aos esforços que visam a edificação da sociedade eritreia. Senhor Embaixador, ao iniciar a sua missão diplomática junto da Santa Sé, tenha a certeza da disponibilidade dos vários departamentos e secções da Cúria Romana em assisti-lo no cumprimento das suas responsabilidades. Assegurando- lhe os meus votos pelo bom êxito do seu trabalho, invoco cordialmente sobre Vossa Excelência e sobre os líderes e o povo do Estado da Eritreia as abundantes bênçãos de Deus Todo-poderoso.
© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana
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