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 DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
À SENHORA AGNES YAHAN AGGREY-ORLEANS
 NOVA EMBAIXADORA DA REPÚBLICA DE GANA
 JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

11 de Janeiro 1997

 

Excelência

Estou feliz por lhe dar as boas-vindas no momento em que Vossa Excelência apresenta as Credenciais, que a nomeiam Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República de Gana junto da Santa Sé. A minha primeira Visita pastoral à África como Sucessor de Pedro levou-me ao seu País, e a hospitalidade do Povo ganense, bem como a rica variedade das suas culturas e tradições, permanecem uma lembrança viva. Agradeço ao Presidente, Sua Excelência o Senhor Jerry John Rawlings, as suas saudações e renovo a certeza das minhas orações pelo bem-estar e também pela prosperidade da sua Nação.

Os seus comentários focalizaram dois importantes desafios que o nosso mundo contemporâneo está a enfrentar — o desenvolvimento e a paz. Apesar da grande atenção que tem sido dada, nas últimas décadas, a estes temas interdependentes, ainda há muito a fazer se se quiser alcançar o desenvolvimento autêntico e a paz verdadeira. As relações políticas e económicas entre as nações e os povos devem ser edificadas sobre um novo fundamento. Deve-se resistir ao interesse egoísta e aos esforços despendidos com a finalidade de revigorar as posições de domínio, para que as nações em vias de desenvolvimento não sejam consideradas simples fontes de matéria-prima ou mercados para produtos fabricados, mas verdadeiros parceiros numa ordem internacional renovada e mais justa, como cooperadores que têm uma contribuição a oferecer para o bem de toda a família humana.

A todos os níveis do desenvolvimento — social, económico e político — é necessário um vigoroso e estável empenho a favor dos direitos e da dignidade da pessoa humana. É precisamente este empenhamento que a Santa Sé procura promover e fortalecer, mediante a sua presença activa no campo da diplomacia. Efectivamente, a salvaguarda dos direitos fundamentais e o respeito pela dignidade humana constituem os requisitos prévios para o desenvolvimento intregral. A pessoa humana deve ser sempre o ponto focal de todo o progresso.

Na minha Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1981 afirmei que «a paz deve realizar-se sobre a base da verdade; tem de ser construída sobre a justiça; há-de ser animada pelo amor; e, enfim, deve ser efectuada na liberdade. Sem um respeito profundo e generalizado pela liberdade, a paz não será alcançada pelo homem» (loc. cit., n. 2). A liberdade da qual estamos a falar aqui, a liberdade humana que constitui o fundamento da paz verdadeira e duradoura, mais não é do que a liberdade de fazer o que é correcto e justo. É por este motivo que os valores morais e espirituais ocupam um lugar essencial na política. Com efeito, as estruturas políticas são eficazes, quando correspondem genuinamente às necessidades da pessoa humana e da comunidade. Se tais estruturas desrespeitam este objectivo primordial e se tornam finalidades em si próprias, correm o risco de polarizar a sociedade, alienando os diferentes segmentos da população.

É necessária uma compreensão correcta da pessoa humana, se se quiser que os esforços destinados a encorajar o desenvolvimento e a promover a paz sejam fecundos. A Igreja tem uma importante contribuição a oferecer neste mesmo sector: através da sua doutrina social, procura despertar a consciência moral das exigências da justiça e da solidariedade, exigências que são asseveradas em virtude dos valores incomparáveis e da centralidade da pessoa humana. Ao compartilhar com as pessoas do nosso tempo o profundo e ardente desejo de uma vida justa em todas as suas formas, ela não deixa de examinar os vários aspectos do género de justiça que a vida das pessoas e da sociedade exige (cf. Dives in misericordia, 12). Assim, em conformidade com a sua própria natureza e missão, a Igreja está empenhada nos esforços práticos, destinados a fazer com que a sociedade progrida, e na resposta concreta às necessidades humanas. Esta é a motivação que está por detrás do seu trabalho nas áreas da educação, da assistência à saúde e dos serviços sociais, desempenhado em plena fidelidade ao seu Fundador divino, que «não veio para ser servido, mas para servir» (Mt. 20, 28). Desejo manifestar aqui a minha gratidão pelas suas palavras de apreço pela contribuição positiva que a Igreja oferece à sociedade ganense.

Excelência, durante o seu trabalho como Representante de Gana junto da Santa Sé os vários departamentos da Cúria Romana hão-de fazer todo o possível para o assistir no cumprimento dos seus deveres. Apresento os meus melhores votos pelo bom êxito dos seus esforços por incrementar as relações positivas que já existem entre nós, e rezo para que Deus Omnipotente cumule Vossa Excelência e os seus compatriotas de abundantes bênçãos. 

 

 © Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana

 

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