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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 AO SENHOR OMAR A. SULTANOV PRIMEIRO EMBAIXADOR
 DA REPÚBLICA DO QUIRGUISTÃO JUNTO DA SANTA SÉ
POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

11 de Janeiro de 1997

 

Senhor Embaixador

É-me grato acolhê-lo hoje no Vaticano, para receber as Cartas Credenciais mediante as quais Vossa Excelência é nomeado primeiro Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Quirguistão junto da Santa Sé. Peço-lhe que transmita as minhas cordiais saudações ao Presidente, Sua Excelência o Senhor Askar Akayev, assegurando a sua pessoa e os seus compatriotas dos meus bons votos pela prosperidade e pelo bem-estar do seu País. Rezo de modo especial por que os vínculos de amizade e estima, que agora estão a ser forjados entre nós, sejam cada vez mais íntimos e sirvam a causa da paz, da justiça e da solidariedade. O dia de hoje representa um ulterior passo em frente no caminho de liberdade da sua Nação. Congratulo-me sinceramente com Vossa Excelência e com os seus compatriotas pelo progresso que está a ser realizado em vista do revigoramento das estruturas democráticas e da ordem constitucional, bem como pela sua crescente participação na comunidade das nações.

A diversidade étnica e cultural da sua Nação reflecte-se nas línguas, raças e religiões dos seus concidadãos, destinados a viver e trabalhar juntos pelo bem comum. A diversidade jamais deve constituir um obstáculo para a unidade da Nação; pelo contrário, ela enriquece o património de um povo, incutindo-lhe o respeito pela maneira de cada pessoa e cada grupo enfrentar os problemas fundamentais da existência humana. As diferenças que distinguem os indivíduos e os povos não cancelam a sua profunda unidade, dado que «todas as culturas são um esforço de reflexão sobre o mistério do mundo e, em particular, sobre o mistério do homem: é uma maneira de dar expressão à dimensão transcendente da vida humana» (Discurso à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, 5 de Outubro de 1995, n. 9, ed. port. de L'Osservatore Romano de 14.X.1995, pág. 4). Todos nós devemos estar convencidos de que «o desenvolvimento de uma cultura baseada no respeito pelos outros é essencial para a construção de uma sociedade pacífica » (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1989, n. 9).

Dado que o seu povo continua a melhorar as próprias condições económicas e sociais, são necessários esforços conscientes no sentido de assegurar que novas formas de alienação — relativismo ético e empobrecimento espiritual — não venham a debilitar o tecido da vida social (cf. Centesimus annus, 19). As sociedades que recentemente adoptaram uma economia de mercado podem sentir- se tentadas a identificar a liberdade com o interesse egoísta de determinados sectores, em prejuízo do bem comum. As vantagens do progresso tecnológico e das possibilidades oferecidas pelos intercâmbios intelectuais e culturais não deveriam suscitar uma nova afirmação da mentalidade materialista que aceita a primazia das coisas sobre as pessoas. Não se adquire nada de valor duradouro quando os elementos mais frágeis da sociedade são negligenciados, ou quando a busca do lucro e a competição descontrolada obstam o caminho da solidariedade e da cooperação. Os líderes sábios respeitam as normas morais universais, inscritas por Deus no coração humano, e agem em conformidade com as mesmas, convictos de que elas constituem a guia mais crível para a renovação autêntica da vida social e política.

Como Vossa Excelência observou, as crenças e as práticas religiosas também têm uma contribuição decisiva a oferecer à vida nacional. A sociedade é fortalecida com a presença de fiéis que, esforçando- se por agir em conformidade com as suas próprias convicções, procuram promover tudo aquilo que é verdadeiro e justo. Só é possível construir uma sociedade renovada e enfrentar os problemas complexos e onerosos que gravam sobre ela se a verdade acerca de Deus e da dignidade transcendental do homem for reconhecida (cf. Veritatis splendor, 99). Quando homens e mulheres inspirados pelas suas próprias tradições religiosas trabalham juntos, tendo em vista o cuidado da vida humana e a promoção da justiça social, confirmam mediante as próprias acções que os derradeiros fundamentos de cada sociedade digna do homem são éticos e religiosos. Efectivamente, as convicções religiosas do seu povo constituem uma força que revigora o seu sentido de responsabilidade em relação ao bem-estar do próprio País e encoraja a solidariedade mútua.

Enquanto o Governo e o Povo do Quirguistão exigem as reformas necessárias, a Igreja católica há-de oferecer toda a assistência e apoio que lhe for possível para o desenvolvimento moral da sociedade. E fá-lo-á através do seu testemunho de fé, do seu ensinamento, da sua experiência, e também mediante a sua actividade humanitária, segundo a sua própria missão religiosa. A Igreja católica nunca impõe sobre uma nação ou povo visões particulares da sociedade e das suas estruturas, mas oferece o testemunho de um conceito sublime do homem e do seu destino transcendente.

Senhor Embaixador, a sua presença aqui confirma que realmente iniciou uma nova era para a República do Quirguistão. Estou persuadido de que, como resultado da missão que Vossa Excelência assume hoje, os vínculos de amizade e cooperação entre a sua Nação e a Santa Sé hão-de crescer e consolidar-se. Garanto-lhe que os vários departamentos da Cúria Romana estarão sempre prontos a assisti-lo no cumprimento dos seus deveres. Ao renovar os meus votos pelo bom êxito da sua missão, invoco as bênçãos do Altíssimo sobre Vossa Excelência, sobre o Governo e sobre o querido Povo do Quirguistão.

 

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana

 

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