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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR PANG ENG FONG
NOVO EMBAIXADOR DE SINGAPURA
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
 DA APRESENTAÇÃO DA CARTAS CREDENCIAIS

11 de Janeiro de 1997

 

Senhor Embaixador

Dou-lhe as boas-vindas ao Vaticano e sinto-me feliz por receber as Cartas Credenciais, que o designam Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Singapura junto da Santa Sé. A sua presença aqui hoje e as amáveis saudações que Vossa Excelência me transmitiu da parte do Presidente, Sua Excelência o Senhor Ong Teng Cheong, evocam vívidas memórias da minha visita ao seu País, há dez anos. A cordialidade e a hospitalidade dos seus concidadãos permanecem gravadas na minha mente. Peço-lhe que assegure o Senhor Presidente, o Governo e o Povo das minhas orações pelo seu bem-estar e prosperidade.

Vossa Excelência referiu-se à rica diversidade dos povos e culturas presentes na sua República. Com efeito, Singapura está notavelmente consciente da necessidade, no seio duma sociedade pluralista, de se respeitar plenamente as legítimas aspirações, tradições e crenças populares de diferentes formações culturais. Somente a aceitação mútua e o diálogo sincero entre todos os sectores da sociedade podem sustentar o trabalho da manutenção da paz e da harmonia. A harmonia genuína exige o reconhecimento e a salvaguarda efectivos da dignidade e dos direitos de todos os membros da sociedade, como critério fundamental da política e da acção, com especial abertura e assistência aos mais necessitados: os pobres, os enfermos, os jovens, os idosos, os trabalhadores e os imigrantes.

O seu País, com a sua economia bem desenvolvida, encontra-se em óptimas condições de assistir as outras nações no Sudeste da Ásia, cooperando com elas, ajudando-as no seu próprio desenvolvimento social e chamando para esta tarefa também outras nações economicamente avançadas, cujas amizade e tradições comuns as dispõe a trabalhar, tendo em vista esta finalidade. Trata-se da crescente consciência da interdependência entre indivíduos e nações. Esta consciência, por sua vez, leva as pessoas a melhorar as atitudes que definem as relações de cada indivíduo consigo mesmo, com o próximo, com a mais remota condição humana e com a própria natureza (cf. Sollicitudo rei socialis, 38). É neste espírito que os acordos e os pactos regionais promovem o bem comum, encorajando a iniciativa e a clarividência que podem contribuir para resolver as tensões; é neste espírito que a partilha da tecnologia e da informação realmente ajuda a melhorar a qualidade de vida de todos.

Os povos e as nações lutam pelo progresso como algo desejável e deveras necessário. Contudo, o desenvolvimento jamais deve ser medido segundo parâmetros meramente materiais. A Igreja, ao cumprir a sua missão universal, recorda sempre às pessoas que não pode existir um autêntico progresso humano, sem a promoção do respeito pelos imperativos éticos que derivam da dignidade humana de cada indivíduo, imperativos estes que se encontram na própria natureza humana e precedem as considerações económicas, culturais e políticas. De facto, são estes princípios morais que constituem o único fundamento viável para a edificação de um mundo verdadeiramente digno da pessoa humana, um mundo de justiça e paz. A este propósito, a busca efectiva da paz consiste, de maneira deveras específica, em educar as gerações mais jovens a agirem com justiça e em ajudá-las a encontrar a própria felicidade em actos de misericórdia e solicitude pelo próximo.

Estou-lhe grato, Senhor Embaixador, pelas suas palavras acerca do papel desempenhado pelos membros da Comunidade católica no sector da educação em Singapura. A Igreja considera o próprio apostolado educativo como um elemento essencial da sua missão religiosa. Naturalmente, ela deseja realizar esta tarefa em harmonia com as outras pessoas que actuam no mesmo campo. A cooperação entre a Igreja e o Estado é de suprema importância para o progresso da formação intelectual e moral dos cidadãos, que deste modo serão mais capazes de construir uma sociedade verdadeiramente humana.

Senhor Embaixador, estou persuadido de que a sua missão junto da Santa Sé há-de fortalecer os vínculos de compreensão e amizade entre nós. Excelência, pode estar certo de que os vários departamentos da Cúria Romana estarão sempre prontos a assistilo no cumprimento dos seus deveres. Sobre Vossa Excelência e sobre o querido Povo de Singapura, invoco do íntimo do coração as abundantes bênçãos de Deus Omnipotente.

 

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana

 

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