1. Estou feliz por dar as boas-vindas aos ilustres
participantes no Congresso internacional sobre as Investigações espaciais, os
quais acabam de terminar o seu encontro na Universidade de Pádua, sobre o tema
«Os três Galileus: o homem, a nave espacial e o telescópio». Concentrastes a
vossa atenção sobre os recentes resultados científicos da vossa nave espacial
«Galileu» e as vossas expectativas a propósito das descobertas futuras, tanto
dessa mesma nave espacial como do Telescópio nacional italiano, também
denominado «Galileu», inaugurado há apenas oito meses numa localidade das Ilhas
Canárias. Congratulo- me com os cientistas do Laboratório de propulsão a jacto e
da Administração nacional da Aeronáutica e do Espaço, cujas conquistas foram
solenemente reconhecidas pela Universidade de Pádua, onde o grande Físico
transcorreu muitos anos frutuosos.
2. Tanto a nave espacial «Galileu» como o
Telescópio nacional italiano estão a oferecer contribuições significativas para
a formação de uma visão mais global do universo. Ao construirdes sobre
resultados experimentais bem fundados, em companhia de outras pessoas do mundo
inteiro, aperfeiçoais um modelo que delineia toda a evolução do universo, a
partir dum instante infinitesimal depois do início do tempo até ao presente e
além, até ao futuro remoto. Nunca como hoje, a visão do homem abre-se para as
belezas do universo. E a maravilha de tudo isto constitui um chamamento
constante a reflectir cada vez mais seriamente sobre a grandeza do destino do
próprio homem e sobre a sua dependência do Criador. Deste modo, enquanto ficamos
estupefactos perante a vastidão do cosmo e do dinamismo que o imbui, nos nossos
corações ecoam determinadas problemáticas fascinantes e fundamentais que
continuam a desafiar a humanidade no limiar do novo milénio.
3. A participação
do Observatório do Vaticano nos vossos empreendimentos constitui um sinal
concreto do apreço da Igreja pelo especial génio, objectividade, autodisciplina
e respeito da verdade que os cientistas consagram à exploração do universo. A
vossa dedicação à investigação científica constitui uma verdadeira vocação ao
serviço da família humana, uma vocação que a Igreja honra e estima enormemente.
Esta vocação é ainda mais fecunda quando nos ajuda a reconhecer o vínculo
existente entre a beleza e a ordem do universo e a dignidade da pessoa humana —
reflexos da majestade criadora de Deus. Quanto mais os homens e as mulheres da
ciência se empenharem na investigação rigorosa, em vista de penetrar as leis do
universo, tanto mais insistente se tornará a questão do significado e da
finalidade, e tanto mais premente será a reflexão contemplativa que decerto nos
levará a apreciar profundamente o sentido da transcendência do homem sobre o
mundo, e da de Deus sobre o homem (cf. Discurso à UNESCO, 2 de Junho de
1980, n. 22).
Através de vós, que tivestes a amabilidade de querer compartilhar comigo as
deliberações do vosso Congresso, dirijo um apelo a cada um dos vossos colegas
nos diversificados sectores da investigação científica: despendei todos os
esforços a fim de que a primazia da ética seja respeitada no vosso trabalho;
preocupai- vos sempre com as implicações dos vossos métodos e das vossas
descobertas. A minha oração é para que os cientistas jamais esqueçam que a causa
da humanidade só é servida autenticamente, se ao conhecimento estiver vinculada
a consciência.
4. Senhoras e Senhores, ao concluir estas breves observações confio-vos a minha
esperança por que a investigação, que vos aproxima de modo tão íntimo dos
mistérios maravilhosos do universo, suscite em vós um apreço cada vez mais
profundo pelo poder e pela sabedoria de Deus. Oxalá as vossas descobertas
contribuam para a edificação de uma sociedade cada vez mais respeitadora de tudo
o que é deveras humano. O Senhor do céu e da terra abençoe