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VIAGEM APOSTÓLICA DE JOÃO PAULO II À POLÓNIA

DISCURSO DO SANTO PADRE
NA VISITA AO SANTUÁRIO DA DIVINA MISERICÓRDIA

Cracóvia, 7 de Junho de 1997

 

1. Misericordias Domini in aeternum cantabo (Sl 89[88], 2).

Eis que venho a este Santuário como peregrino para me inserir no cântico ininterrupto em honra da divina Misericórdia. Tinha-o entoado o Salmista do Senhor, expressando quanto todas as gerações conservavam e conservam, como preciosíssimo fruto da fé. O homem de nada precisa quanto da divina Misericórdia — daquele amor que quer bem, que se compadece, elevando o homem acima da sua debilidade, rumo às infinitas alturas da santidade de Deus. Neste lugar, damo-nos conta disto de modo particular. Com efeito, daqui partiu a Mensagem da divina Misericórdia, que Cristo mesmo quis transmitir à nossa geração através da Beata Faustina. Trata-se de uma mensagem clarividente e legível para cada um. Cada um pode vir aqui, olhar este quadro de Jesus misericordioso, o seu Coração que irradia as graças, e ouvir no profundo da própria alma aquilo que a Beata ouviu: «Nada temas! Eu estou sempre contigo» (Diário, q. II). E se responder com coração sincero: «Jesus, confio em Vós!», encontrará conforto em cada uma das suas angústias e em cada temor. Neste diálogo de abandono entre o homem e Cristo estabelece-se uma especial união que transmite amor. E «no amor não existe medo — escreve S. João — pelo contrário, o amor perfeito lança fora o medo» (1 Jo 4, 18).

A Igreja relê a Mensagem da Misericórdia para levar a luz da esperança com maior eficácia à geração deste final de milénio e também às futuras. Sem jamais cessar, pede a Deus misericórdia para todos os homens. «Em nenhum momento e em nenhum período histórico — especialmente numa época tão crítica como a nossa — a Igreja pode esquecer a oração, que é o grito de apelo à misericórdia de Deus perante as múltiplas formas de mal que pesam sobre a humanidade e a ameaçam... Quanto mais a consciência humana, sucumbindo à secularização, perder o sentido do significado próprio da palavra “misericórdia”, e quanto mais, afastando- se de Deus, se afastar do mistério da misericórdia, tanto mais a Igreja terá o direito e o dever de fazer apelo ao Deus da misericórdia “com grande clamor”» (Dives in misericordia, 15). Precisamente por isso, no percurso da minha peregrinação está também este Santuário. Venho aqui para confiar todas as preocupações da Igreja e da humanidade a Cristo misericordioso. No limiar do terceiro milénio, venho para Lhe confiar mais uma vez o meu ministério petrino – «Jesus, confio em Vós»!

A mensagem da divina Misericórdia me foi sempre próxima e querida. É como se a história a tivesse inscrito na trágica experiência da segunda guerra mundial. Naqueles anos difíceis, constituiu um particular sustento e uma inexaurível fonte de esperança, não só para os habitantes de Cracóvia, mas para a nação inteira. Esta foi também a minha experiência pessoal, que levei comigo à Sé de Pedro e que num certo sentido forma a imagem deste Pontificado. Dou graças à divina Providência por me ter concedido contribuir pessoalmente para o cumprimento da vontade de Cristo, mediante a instituição da festividade da divina Misericórdia. Aqui, junto das relíquias da Beata Faustina Kowalska, dou graças também pela dádiva da sua beatificação. Rezo  incessantemente a Deus  para que tenha «misericórdia de nós e do mundo inteiro» (Pequeno rosário).

2. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mt 5, 7).

Estimadas Irmãs! Tendes uma vocação extraordinária. Escolhendo de entre vós a Beata Faustina, Cristo tornou a vossa Congregação guardiã deste lugar e, ao mesmo tempo, chamou-vos a um apostolado particular, o da sua Misericórdia. Peço-vos: assumi esta tarefa! O homem de hoje tem necessidade do vosso anúncio da misericórdia: precisa das vossas obras de misericórdia e da vossa oração para obter misericórdia. Não descuideis nenhuma destas dimensões do apostolado. Fazei-o em união com o Arcebispo de Cracóvia, a quem está tão a peito a devoção à divina Misericórdia, e juntamente com toda a comunidade da Igreja, a que ele preside. Esta comum obra produza frutos! A divina Misericórdia transforme os corações dos homens! Este Santuário, conhecido já em muitas partes do mundo, se torne um centro de culto da divina Misericórdia, que se irradia sobre toda a Igreja! Uma vez mais, peço-vos que rezeis pelas intenções da Igreja e me sustenteis no meu ministerium Petrinum. Sei que tal oração se eleva sempre aqui: estou-vos grato por isto de todo o coração. Todos nós temos muita necessidade  disto:  tertio  millennio  adveniente.

É de coração que abençoo todos vós aqui presentes e cada um dos devotos da divina Misericórdia.

 

 

 

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