 |
VIAGEM APOSTÓLICA DO
PAPA JOÃO PAULO II AO RIO DE JANEIRO - BRASIL POR OCASIÃO DO II
ENCONTRO MUNDIAL COM AS FAMÍLIAS (2-6 DE OUTUBRO DE 1997)
CERIMÓNIA DE BOAS-VINDAS
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
Aeroporto da Base Aérea do Galeão,
Rio de Janeiro Quinta-feira, 22 de Outubro de 1997
Senhor Presidente
1. Tenho a grata satisfação de apresentar a Vossa Excelência,
na sua qualidade de Chefe e representante supremo da grande Nação
brasileira, as minhas respeitosas saudações. Agradeço
de coração pela delicadeza que teve em acolher-me. Para mim é
uma honra e um prazer encontrar-me novamente no Brasil, entre este Povo,
cuja hospitalidade admirável e cuja alegria contagiante me são
bem conhecidas.
Saúdo também a vós, veneráveis Irmãos
no Episcopado. Em primeiro lugar, ao Senhor Cardeal Arcebispo de São
Sebastião do Rio de Janeiro e seus Bispos Auxiliares, cuja
Arquidiocese me oferece acolhida no marco do Segundo Encontro Mundial do
Sucessor de Pedro com as Famílias; meus afetuosos cumprimentos vão,
igualmente, ao Presidente do Pontifício Conselho para a Família
e a todo o Conselho Episcopal Latino-Americano, bem como à Presidência
da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que, em gesto de
fraterna solidariedade, aqui vieram para colaborar e recolher os frutos
destes dias de confraternização e, com a ajuda de Deus, levá-los
de volta aos países em que realizam seu ministério. Dirijo,
também, minha afetuosa saudação aos membros
representantes da Pastoral Familiar, que vieram para acolher-me com este
simpático grupo de crianças e de jovens. Na verdade,
deixai-me dizê-lo..., aqui estou para vós, vim para estar
convosco, e convosco desejo estar!
Aos representantes do Povo brasileiro, membros do Governo,
personalidades civis e militares, e a todos os que aqui se encontram
reunidos, saúdo com imenso afeto. Muito obrigado por terem querido
receber-me tão amavelmente à minha chegada, nesta peregrinação
apostólica, que considero como parte do meu ministério
universal. O dinamismo da nossa fé desperte sempre mais o sentido
de fraternidade e de colaboração harmoniosa, para uma convivência
pacífica a impulsionar e consolidar os esforços por um
progresso ordenado, que alcance todas as famílias e categorias
sociais, em conformidade com os princípios da justiça e
caridade cristãs.
2. Hoje venho novamente ao Brasil, para celebrar o Segundo Encontro
Mundial das Famílias. Agradeço a Providência por estar
aqui neste País de dimensões continentais, colocado pelas
riquezas do seu solo e subsolo e pelo gênio empreendedor do seu povo
na vanguarda entre as maiores Potências do mundo. A própria
tradição cultural e a fé da sua gente têm
marcado a evolução da sua história, que promete um
futuro alvissareiro às vésperas do Terceiro Milênio.
Certamente, os desequilíbrios sociais, a distribuição
desigual e injusta dos meios econômicos, geradora de conflitos na
cidade e no campo; a necessidade de uma ampla difusão dos meios básicos
de saúde e de cultura; os problemas da infância desprotegida
das grandes cidades, para não citar outros, constituem para os seus
governantes um desafio de enormes proporções. Faço
votos de que os valores do patrimônio cultural e religioso da Nação
brasileira sirvam de base para estimular decisões justas em defesa
dos valores familiares e da Pátria.
Neste contexto, desejo estender também a expressão da
minha estima e afeto a duas componentes do País. Em primeiro lugar,
aos povos indígenas descendentes dos primeiros habitantes desta
terra antes que aqui chegassem os descobridores e colonizadores. Eles
contribuíram, com sua cultura, a injetar na cultura brasileira um
profundo senso da família, de respeito aos antepassados, de
intimidade e de afeto doméstico. Eles merecem toda a atenção
para que vivam com dignidade esta sua cultura. Exprimo os mesmos
sentimentos à porção afro-brasileira – numerosa e
altamente significativa – da população desta terra. Pela sua
presença notável na história e na formação
cultural deste País, estes brasileiros de origem africana merecem,
têm direito e podem, com razão, pedir e esperar o máximo
respeito aos traços fundamentais da sua cultura a fim de que, com
esses traços, continuem a enriquecer a cultura da Nação,
na qual estão perfeitamente integrados como cidadãos a pleno
título.
Irmãos e Irmãs do Brasil, da América e do mundo
inteiro! Invoco sobre todos a abundância da graça divina: que
Deus os abençoe e derrame sobre as Nações de todos os
Continentes, paz e prosperidade! O Cristo Redentor, que do alto do
Corcovado abre os seus braços em forma de cruz, ilumine as famílias,
as Comunidades eclesiais e toda a sociedade temporal com a Luz do Alto, e
conceda a todos, pela intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe,
Padroeira da América Latina, tudo quanto de bom seu coração
deseja. Muito obrigado!
© Copyright 1997 - Libreria
Editrice Vaticana
|