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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR TEODOR BACONSKY
NOVO EMBAIXADOR DA ROMÉNIA
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

27 de Outubro de 1997

 

Senhor Embaixador

1. É-me grato acolher Vossa Excelência por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Roménia junto da Sé Apostólica. Este encontro constitui um novo passo nas relações entre a Santa Sé e a nobre nação romena, passo que abre a via a um diálogo cada vez mais desenvolvido e confiante.

2. Sinto-me particularmente sensibilizado pelos sentimentos com que Vossa Excelência inicia a sua nova missão, pelas convicções contidas nas palavras que acaba de me dirigir, assim como pela sua atenção à acção do Sucessor de Pedro e da Sé Apostólica na vida internacional e nas relações ecuménicas. Ficar-lhe-ia grato se transmitisse a Sua Excelência o Senhor Emil Constantinescu, Presidente da Roménia, as minhas deferentes saudações. Formulo os melhores votos para os que têm a alta missão de servir a nação romena e para todos os habitantes do país.

3. Desde o mês de Dezembro de 1989, a Roménia reencontrou a sua autonomia e dedica-se a desenvolver todos os sectores de actividade, a fim de que as riquezas nacionais sejam postas à disposição de todos os cidadãos. Alegro-me com os esforços feitos pelas Autoridades para consolidar as instituições democráticas e para ajudar o conjunto do povo a tomar uma parte activa na vida pública, com os justos sentimentos patrióticos. Como todos os nossos contemporâneos, os seus compatriotas, em particular os jovens, têm necessidade de receber uma profunda educação moral. Esta formação fornece os princípios capazes de os guiar nas suas opções pessoais, nos seus empenhamentos ao serviço do próprio país e nas relações fraternas e solidárias, que por eles devem ser desenvolvidas com todas as pessoas que residem no território da Roménia. Tal como Vossa Excelência acaba de ressaltar, eles devem adquirir um sentido profundo da responsabilidade pessoal e colectiva. Além disso, isto não deixará de fazer aumentar o diálogo e o entendimento entre todas as componentes da nação, para a sua unidade interna e a sua participação activa na edificação da grande Europa.

4. Vossa Excelência conhece a atenção que a Santa Sé dedica à dignidade e à promoção das pessoas e dos povos, assim como o seu desejo que cada um tenha o próprio lugar na vida nacional e internacional, e possa oferecer-lhe a sua contribuição. No seu país, como noutras regiões do continente, existem minorias culturais e étnicas, e comunidades humanas provenientes da imigração. Elas são uma riqueza destinada a beneficiar todos, pois oferecem as suas especificidades e a sua habilidade, participando no crescimento nacional e no entrelaçamento dos vínculos entre os homens. No seio duma sociedade, toda a oposição entre grupos de pessoas, toda a veleidade de pensar que uma comunidade particular, vinda do estrangeiro e desejosa de se integrar, representa um perigo, não pode senão debilitar o país e as suas instituições, tanto no interior da nação como fora das suas fronteiras.

5. Na Roménia, apesar dos ortodoxos serem a maioria, os católicos constituem uma comunidade viva. Eles desejam pôr-se ao serviço dos seus irmãos, através dos seus envolvimentos em todos os campos da vida social. Em particular, através das suas organizações caritativas, sinais do amor que Cristo manifestou aos homens do Seu tempo, as comunidades católicas têm a peito ir em ajuda dos mais desprotegidos, sem distinção de cultura ou de religião. Não têm outro desejo senão aliviar a miséria e, ao mesmo tempo, contribuir para a solidariedade e a entre-ajuda fraterna entre todos os habitantes do país, o que favorece a unidade nacional.

Por outro lado, as diferentes entidades católicas locais dedicam-se a formar intelectual, moral e espiritualmente os jovens da Roménia, para que amanhã sejam actores e parceiros na vida pública, respeitosos da sua pátria, e dêem um sentido à sua vida pessoal e comunitária. Para cumprir esta tarefa de utilidade pública, segundo os princípios enunciados pelo Concílio Ecuménico Vaticano II (cf. Dignitatis humanae, 1- 2.13), a Igreja tem necessidade de que se desenvolvam uma prática autêntica da liberdade religiosa e uma verdadeira vida democrática, oferecendo a todos as mesmas possibilidades de iniciativas e as mesmas oportunidades, assim como a liberdade de acção dos seus ministros do culto. Pois, «a liberdade da Igreja é um princípio fundamental nas relações da Igreja com os Poderes públicos e com toda a ordem civil» (Ibid., n.13). Em particular, considerada a sua longa experiência de ensino escolar e universitário, convém que a Igreja possa manter e desenvolver as suas propostas educativas junto da juventude da Roménia, e oferecer às crianças e aos adolescentes católicos o ensino catequético a que têm direito, e de igual modo aos seus compatriotas das outras confissões religiosas. Neste espírito, faço ardentes votos por que sejam eliminados os obstáculos à restituição dos bens necessários à liberdade de culto e de religião, bens que pertenciam à Igreja católica antes de 1948 e que lhe foram subtraídos injustamente. Num futuro próximo, graças à busca dum diálogo construtivo com as Autoridades civis, faço votos por que as comunidades católicas possam perceber sinais concretos e positivos neste sentido.

6. Em vista do Ano 2000, retomando o apelo lançado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II, desejei ardentemente exortar todos os discípulos de Cristo ao diálogo, para se chegar à plena unidade que será um testemunho para o mundo (cf. Encíclica Ut unum sint, 1). Por isso, convidei os membros da Igreja católica a intensificar as suas colaborações com as outras Igrejas e comunidades cristãs, empenhando-se num ecumenismo que aproxime da plena comunhão, no respeito pelas sensibilidades e tradições próprias, e com a preocupação de nos basearmos naquilo que já nos une. É do conhecimento de Vossa Excelência que os fiéis católicos dos diferentes ritos estão sempre prontos a prosseguir nesta via. Nesta perspectiva, alegro-me vivamente com as disposições espirituais com que Vossa Excelência aborda a sua missão, e com o seu desejo de oferecer uma contribuição significativa ao progresso ecuménico.

7. As suas competências em antropologia, em história cristã e em patrística permitem-lhe conhecer as culturas filosóficas e espirituais orientais e latinas. Senhor Embaixador, Vossa Excelência saberá contribuir melhor que ninguém para multiplicar as pontes entre as diferentes tradições cristãs do Oriente e do Ocidente, e para intensificar as confiantes relações diplomáticas entre a Santa Sé e o seu país, fundadas sobre o desejo de defender o homem e os povos. Com efeito, o serviço primordial que as Autoridades devem prestar aos seus povos é ajudá-los a fazer crescer a paz e a ajuda mútua, fontes de alegria profunda e de crescimento para as pessoas, e de desenvolvimento para as comunidades nacionais.

8. No momento em que inicia a sua missão de Representante da Roménia junto da Santa Sé, permita-me apresentar- lhe os meus votos cordiais. Esteja certo, Senhor Embaixador, de que encontrará sempre junto dos meus colaboradores o apoio atento e a compreensão cordial, de que poderá ter necessidade para que a sua actividade seja frutuosa e lhe dê todas as satisfações que Vossa Excelência dela possa esperar.

Sobre Vossa Excelência, sobre o povo romeno e os seus dirigentes, invoco de todo o coração a abundância das Bênçãos divinas.

 

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana

 

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