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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
AO ARCEBISPO DE GLASGOW
POR OCASIÃO DO XVI CENTENÁRIO
DA CHEGADA DO CRISTIANISMO À ESCÓCIA

13 de Setembro de 1997

 

Ao meu Venerável Irmão
Cardeal THOMAS WINNING
Arcebispo de Glasgow

Agora que a Igreja que está na Escócia volta a recordar as suas origens e celebra o XVI centenário da chegada de São Niniano a Galloway, que teve lugar no ano 397, envio-lhe uma cordial saudação no Senhor e peço-lhe que transmita aos seus Irmãos no Episcopado, assim como aos sacerdotes, aos religiosos e aos fiéis leigos a certeza da minha participação espiritual nesta jubilosa comemoração. Costuma- se considerar que a vida e o apostolado de São Niniano assinalam a introdução do cristianismo no seu país. Por isso, este aniversário oferece a todos os cristãos escoceses a ocasião para dar graças ao nosso Pai celeste que, através dos seus instrumentos escolhidos, especialmente Niniano, Mungo e Columbano, fez brilhar nos seus corações «a luz do conhecimento da glória de Deus que está no rosto de Cristo» (cf. 2 Co 4, 6).

A educação de Niniano, britânico de nascimento, foi de maneira especial romana; depois da sua ordenação episcopal, provavelmente em Roma, retornou à Escócia como o seu primeiro missionário. A sua fundação da Casa Cândida em Galloway, no sudeste da Escócia, que mais tarde se conheceria como Whithorn, foi o princípio de um importante centro de vida espiritual monástica e de actividade evangelizadora que, impulsionada por Niniano, estendeu a mensagem evangélica em grande parte do Norte e até ao Leste, como é testemunhado por muitos nomes de lugares e tradições que a ele se referem.

A missão de Niniano na Escócia deveria considerar-se como uma parte do amplo quadro das grandes iniciativas missionárias, que difundiram o cristianismo por todos os rincões da Europa durante o primeiro milénio. Agora, no limiar do terceiro milénio do cristianismo, estão a realizar-se na Europa — também na Escócia — algumas transformações culturais, políticas, sociais e económicas que tornam necessária uma nova evangelização. Todos os que se declaram seguidores de Cristo devem escutar a chamada a uma fé mais profunda e a um testemunho mais convincente de Cristo vivo.

A vossa celebração aniversária é um momento importante na preparação que toda a Igreja está a levar a cabo, ante a proximidade do Grande Jubileu do Ano 2000. São Niniano levou-vos a Cristo. Pregou a mensagem de Cristo; tornou sacramentalmente presente o mistério pascal de Cristo e fundou na Escócia a Igreja de Cristo. Recordar São Niniano é voltar a comprometervos na obra de evangelização e de santificação, à qual ele consagrou a sua vida. Além disso, todos devemos sentir a premente necessidade de envidar esforços para acelerar o processo de reconciliação entre os cristãos divididos, «de tal modo que possamos apresentar- nos ao Grande Jubileu, se não totalmente unidos, pelo menos muito mais perto de superar as divisões do segundo milénio» (Tertio millennio adveniente, 34).

Oxalá a Missa solene que celebrareis a 31 de Agosto, a pouca distância de Whithorn, perto do lugar conhecido como a Caverna de São Niniano, e que comemorará o XVI centenário da chegada do Santo a esse preciso lugar, seja um acto de fervorosa acção de graças pela vida e a fidelidade da Igreja no vosso país desde o começo. Seja uma oração ardente para pedir que se apresse o tempo em que todos os crentes em Cristo possam glorificar a Deus juntos, de forma unânime (cf. Rm 15, 6).

Ao recomendar Vossa Eminência, os seus Irmãos no Episcopado e todos os fiéis da Escócia à intercessão de São Niniano e à protecção amorosa de Maria, Mãe do Redentor, concedo-lhes de coração a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 29 de Junho de 1997, Solenidade de São Pedro e São Paulo.

 

JOÃO PAULO II

 

 

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