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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS PARTICIPANTES NO XV CAPÍTULO GERAL
 DOS MISSIONÁRIOS COMBONIANOS
DO CORAÇÃO DE JESUS

 

Ao Reverendíssimo Padre Manuel Augusto Lopes Ferreira
Superior-Geral dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus

1. Com alegria me dirijo a Vossa Reverência por ocasião do Capítulo Geral, que constitui um momento privilegiado de aprofundamento e crescimento da vida dessa Família religiosa, e de bom grado aproveito o ensejo para lhe exprimir felicitações e bons votos para a tarefa empenhativa a que foi chamado pela confiança dos Coirmãos. O Senhor o assista no desempenho do novo cargo, no qual o acompanha a minha oração.

Saúdo, além disso, os Membros do Conselho Geral e os participantes na assembleia capitular. De coração faço votos por que os intensos trabalhos destes dias produzam abundantes frutos de bem na Comunidade comboniana, a favor da actividade missionária da Igreja. Estendo a minha afectuosa saudação a todos os Missionários combonianos que trabalham, muitas vezes em condições difíceis, em quatro continentes, e encorajo- os a prosseguir com generosa fidelidade no seu empenho de missão «ad gentes».

O XV Capítulo Geral realiza-se entre dois momentos significativos da vida do vosso Instituto: o primeiro é a beatificação do Fundador, D. Daniel Comboni, que tive a alegria de elevar à glória dos altares no ano passado; o segundo é a celebração do Grande Jubileu do Ano 2000, cuja preparação envolve todos os componentes do Povo de Deus. Estes dois eventos estimulam a vossa Congregação religiosa a aprofundar o próprio carisma, para se projectar com renovado impulso na obra da evangelização, na perspectiva do terceiro milénio cristão.

2. Enquanto com alegria louvo o Senhor pelo bem que vós, Missionários combonianos, estais a realizar no mundo, quereria exortar-vos a efectuar um atento discernimento acerca da situação dos povos, no meio dos quais realizais a vossa acção pastoral. Deus chama- vos a levar conforto a populações que muitas vezes estão marcadas por grande pobreza e por sofrimento prolongado e intenso, como por exemplo no Sudão, em Uganda, no Congo-Quinxassa, na República Centro-Africana e em diversas outras partes do globo. Deixaivos continuamente interrogar pelas difíceis situações com que entrais em contacto, e procurai oferecer, de modos adequados, o testemunho da caridade que o Espírito infunde nos vossos corações (cf. Rm 5, 5).

A vida dos Missionários combonianos, repleta de alegrias e sofrimentos, de luzes e sombras, foi marcada e tornou- se fecunda também nestes últimos anos pela Cruz de Cristo. Como não recordar aqui os Coirmãos que coroaram o serviço missionário com o supremo sacrifício da vida?

A sua opção evangélica radical ilumine o vosso empenho missionário e sirva de encorajamento para prosseguirdes, com renovada generosidade, na vossa típica missão na Igreja.

3. Para levar avante esta não fácil missão, é preciso uma sólida e qualificada formação, quer na fase inicial da maturação vocacional dos candidatos, quer nos anos sucessivos.

Para esse objectivo, é necessário ter presente que cresce o número das Nações de onde provêm os jovens Missionários e, ao mesmo tempo, não deve ser subestimada a urgência de uma adequada preparação destas novas gerações, para que sejam capazes de enfrentar as passagens interculturais características da missão comboniana. Deve-se considerar, além disso, a necessidade de um acompanhamento deles nos primeiros anos de serviço no campo missionário, baseando-se no apoio que vem do exemplo e do testemunho de Combonianos experimentados.

Revela-se assim a importância de uma formação permanente, que se dirija indistintamente a todos os membros do Instituto e seja sempre mais vivida como responsabilidade, que cabe em primeiro lugar ao religioso individualmente e à comunidade local.

4. A partir da situação actual do vosso Instituto, considerada «em puro contexto da fé», segundo o ensinamento do Beato Daniel Comboni, será possível propor algumas linhas programáticas, que vos guiem a encarminhar-vos para o futuro com confiança e com impulso apostólico sempre vivo.

Antes de tudo, sabei acolher com alegria os contínuos estímulos à renovação e ao empenho que provêm do contacto real com o Senhor Jesus, presente e operante na missão através do Espírito Santo. Seguindo uma fundamental intuição de D. Comboni, tereis assim a peito o aprofundamento e a reafirmação do carisma específico do vosso Instituto. Isto não deixará de vos impelir a abrir a alma, com disponibilidade e reconhecimento, à graça da vossa missão específica na Igreja, que se caracteriza como uma vocação ad gentes e ad vitam.

A consagração à missão deverá, depois, exprimir-se numa crescente mobilidade apostólica, que vos permita responder com prontidão e de modo adequado às necessidades actuais. Isto vos consentirá estar operosamente presentes nos novos areópagos da evangelização, privilegiando, ainda que isto devesse comportar sacrifícios, a abertura a situações que, com a sua realidade de extrema necessidade, se revelam simbólicas para o nosso tempo.

5. A exemplo do beato Fundador, é urgente imprimir novo impulso à animação missionária. Será sobretudo o fervor apostólico dos próprios Missionários que há-de sustentar as Comunidades cristãs que lhes são confiadas, em particular as de fundação recente. Elas deverão ser por vós encorajadas a realizar a vocação missionária universal, como parte essencial da sua identidade, empenhando-se naquela «solidariedade pastoral orgânica », que indiquei na Exortação Apostólica Ecclesia in Africa (cf. n. 131).

No esforço de requalificação do estilo do serviço missionário, será necessário privilegiar alguns elementos hoje significativos, tais como a sensibilidade à inculturação do Evangelho, o espaço dado à co-responsabilidade dos agentes pastorais, a escolha de formas de presença simples e pobres entre o povo. Atenção especial merecem o diálogo com o Islão, o empenho pela promoção da dignidade da mulher e dos valores da família, a sensibilidade pelos temas da justiça e da paz.

6. O esforço de renovação do Instituto abraça necessariamente a solicitude amorosa pela situação de cada um dos religiosos, a fim de que a sua consagração missionária possa ser cada vez mais fonte de encontro vivificante e santificante com Jesus, cujo Coração trespassado é fonte de consolação, paz e salvação para todos os homens.

Nessa perspectiva, é decisivo aprofundar as raízes místicas da vocação comboniana. Podereis assim nutrir-vos da vossa específica espiritualidade e oferecê-la como dom precioso a todos aqueles de quem vos aproximais no serviço pastoral. Como recordei por ocasião da beatificação de Daniel Comboni, «da contemplação da Cruz e da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, o vosso beato Fundador soube haurir apoio e força para enfrentar todas as provas... A sua indefessa obra missionária era sustentada pela oração, na qual ele indicava o primeiro meio de evangelização e de animação missionária» (L’Osservatore Romano, ed. quot. de 18-19 de Março de 1996, pág. 8).

Faço votos por que as orientações elaboradas pelo Capítulo Geral guiem o inteiro Instituto a continuar, com generosidade e determinação, na via traçada pelo Fundador e seguida com coragem heróica por tantos Coirmãos. Com estes sentimentos, enquanto invoco a protecção celeste de Maria, Rainha das Missões, e do Beato Daniel Comboni, de coração concedo aos Delegados capitulares e à inteira Família comboniana uma especial Bênção Apostólica.

 

Castel Gandolfo, 25 de Setembro de 1997.

 

JOÃO PAULO II

 

 

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