DISCURSO
DO SANTO PADRE AOS PARTICIPANTES NA SEMANA DIOCESANA DA
FAMÍLIA
Sábado, 7 de Fevereiro de
1998
1. «Anunciaram-lhe a palavra do Senhor,
assim como aos que estavam na sua casa» (Act 16, 32).
Caríssimas famílias de
Roma, este versículo dos Actos dos Apóstolos serve de moldura para o hodierno
encontro de fé e oração que, no âmbito da Missão da cidade, conclui a
Semana diocesana dedicada à Vida e à Família. Saúdo o Senhor
Cardeal-Vigário Camillo Ruini, a quem agradeço as amáveis palavras que me
dirigiu. Com ele saúdo D. Franciso Gil Hellín, Secretário do Pontifício
Conselho para a Família, o Deputado Carlo Casini, Presidente nacional do
Movimento pela Vida, o Mons. Luigi Moretti, Responsável diocesano do Centro pastoral
para a Família, e o Mons. Renzo Bonetti, Director nacional do Departamento de
pastoral familiar da Conferência
Episcopal Italiana.
O meu pensamento dirige-se neste momento a todas as
famílias da diocese, sobretudo àquelas que se sentem particularmente
provadas: sirva de encorajamento para elas a constante atenção do Papa e da
inteira Igreja local. Desejo repetir a cada um as palavras que, depois da
libertação prodigiosa, São Paulo e o seu companheiro de prisão Silas, foram
dirigidas ao carcereiro tomado de sobressalto, que perguntava o que era necessário para ser salvo: «Acredita no
Senhor Jesus e serás salvo tu e os
teus» (Act 16, 31). Acolher a presença de Cristo na família: este é o
convite que ressoa nesta noite.
Queridas famílias de Roma, não tenhais
medo de abrir a porta de casa a Jesus Cristo. O Seu projecto divino enriquece
a família, liberta-a de toda a escravidão e condu-la à plena realização
da vocação que lhe é própria.
2. Nos numerosos encontros que pude ter com
os jovens na Itália e no mundo inteiro, recolho o testemunho de um desejo
crescente de construir famílias em que se vivam os autênticos valores do
amor, do respeito pela vida, da abertura aos outros e da solidariedade. Como
não ver nestas aspirações a implícita contestação dos comportamentos
permissivos, a que hoje a sociedade procura abaixar-se?
Queridas famílias
cristãs, olhai para a necessidade de amor, de doação e de abertura à vida,
presente no coração dos vossos filhos, desorientados por modelos de uniões
desastrosas. Os filhos aprendem a amar o próprio esposo ou a própria esposa,
olhando para o exemplo dos pais. Não vos contenteis com viver no vosso interior
o Evangelho da família, mas anunciai-o e testemunhai-o a todos aqueles com
quem vos encontrais no vosso caminho e em todos os âmbitos da vida pública e
social.
Não estais sozinhos nesta arrojada, embora conatural, tarefa de testemunho. O Espírito Santo está convosco; habita em vós em virtude dos
sacramentos do Baptismo, da Confirmação e do Matrimónio! Ele
sustentar-vos-á no cumprimento da vossa missão!
3. Esta nossa cidade de
Roma, bem como a Itália inteira, tem grande necessidade de uma nova e orgânica
política em favor da família para poder enfrentar,
com esperança de sucesso, os desafios gravíssimos que estão diante de nós, a
começar pelo da diminuição da natalidade.
É ilusório
julgar poder construir o bem-estar através de uma mentalidade egoísta que, de
vários modos, nega espaço e acolhimento às novas gerações. Tal como se
demonstra irracional a tentativa de equiparar outros modelos de convivência
à família fundada sobre o matrimónio. Tudo isto conduz inevitavelmente ao
declínio de uma civilização, sob o aspecto tanto moral e espiritual como
social e económico.
Portanto peço-vos, famílias de Roma, bem como a todas as
famílias da Itália, que unais os vossos esforços também através da acção
do Fórum das famílias, para fazer valer a subjectividade social da família
e obter assim aquelas transformações culturais e legislativas que podem fazer
justiça às famílias e assegurar o verdadeiro bem da sociedade. Neste
empenho a Igreja está ao vosso lado e não vos deixará sozinhas.
4.
Caríssimas famílias de Roma, contemplando o modelo da Sagrada Família de
Nazaré, recitaremos juntos a oração do Rosário. Confiemos à intercessão de
Maria e do seu esposo José todas as famílias da nossa cidade e, sobretudo,
as que vivem em situações difíceis. Confiemos-lhes os jovens que se
preparam para o matrimónio através daquele período de graça, que é o
noivado. Confiemos também quantos são responsáveis pela promoção de
políticas familiares mais justas e construtivas. O Senhor abençoe todas as famílias
e as torne um lugar privilegiado de encontro com Ele, para
o anúncio autêntico do Seu amor.
Maria, Rainha da Família, com coração
materno proteja todos vós e vos obtenha de Deus abundantes consolações.
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