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 MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DA 45ª ASSEMBLEIA GERAL
 EXTRAORDINÁRIA DA CONFERÊNCIA
EPISCOPAL ITALIANA

 

 

Caríssimos Bispos italianos!

1. «A graça do Senhor Jesus seja convosco. Eu amo-vos todos em Cristo Jesus» (1 Cor 16, 23-24).

É-me caro saudar cada um de vós com estas palavras do apóstolo Paulo. Saúdo, em particular, o Cardeal Presidente Camillo Ruini, os três Vice-Presidentes e o Secretário-Geral, D. Ennio Antonelli, agradecendo-lhes o empenho e a perspicácia com que trabalharam ao serviço da vossa Conferência.

Considerai-me espiritualmente presente nesta Assembleia Geral, que é tempo de graça para viver de modo mais intenso a comunhão episcopal e a comum solicitude para com a Igreja de Deus que está na Itália. A todos vós exprimo pessoal gratidão pela participação no vigésimo aniversário da minha eleição à Sé de Pedro e no quadragésimo de Episcopado.

2. Conheço o zelo com que guiais a preparação das vossas dioceses para o grande Jubileu, já muito próximo. A educação dos jovens na fé, tema principal da vossa Assembleia, enquadra-se bem neste percurso, antes, é-lhe parte essencial, não só porque um evento de especial relevo do Ano Santo será o Dia Mundial da Juventude, mas também e sobretudo porque o objectivo fundamental do Jubileu é revigorar e relançar, em vista do novo Milénio, o anúncio e o testemunho da fé em Jesus Cristo, único Salvador do mundo, e esta missão é confiada de modo peculiar aos jovens, que deverão forjar o rosto cristão da futura civilização.

Com a Encíclica Fides et ratio, eu quis chamar a aprofundar o íntimo vínculo que une a revelação do mistério de Deus com a inteligência do homem. Deste vínculo podem receber impulso também o projecto cultural da Igreja italiana e todas as iniciativas de comunicação social, em cujo desenvolvimento estais justamente empenhados. Pode assim ser oferecida às jovens gerações um caminho para saírem do âmbito muito estreito da própria subjectividade, reencontrando um comum horizonte de verdade e de valores compartilhados, pelos quais trabalhar juntos.

3. Na vossa Assembleia ocupar-vos-eis, além disso, da promoção do apoio económico à Igreja. Desejo agradecer-vos publicamente a generosidade com que ides em ajuda de tantas Igrejas irmãs e nações menos afortunadas, naquele espírito de solidariedade planetária que é próprio da comunhão eclesial.

Alegro-me convosco pelo novo Estatuto da vossa Conferência, voltado para sustentar de maneira sempre mais eficaz o afecto colegial e o comum trabalho pastoral. É esta também a finalidade da Carta Apostólica em forma de "Motu proprio" Apostolos suos, com a qual eu quis determinar melhor a natureza teológica e jurídica das Conferências dos Bispos. Teremos a oportunidade de reflectir juntos, de modo mais amplo, sobre a nossa missão como Bispos no alvorecer do Terceiro Milénio, na próxima Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos.

4. Caros Irmãos no Episcopado, conheço bem e compartilho profundamente a solicitude, sugerida pelo amor, com que seguis as vicissitudes da dilecta nação italiana. Penso, em particular, na família fundada sobre o matrimónio, que constitui também hoje o recurso mais precioso e mais importante de que a Itália dispõe e que, no entanto, foi até agora bem pouco ajudada por causa da debilidade das políticas familiares, e que, antes, está submetida a múltiplos ataques, no plano cultural e também na vertente política, legislativa e administrativa.

Penso na defesa e promoção da vida humana, desde a concepção até ao seu termo natural. Penso na escola, que deve reencontrar as suas mais nobres finalidades educativas, num quadro de efectiva liberdade e paridade como acontece noutros Países europeus. Penso nas possibilidades de trabalho e de desenvolvimento, que devem ser incrementadas numa lógica de solidariedade e de valoriza ção dos múltiplos temas sociais, para enfrentar o desemprego e a pobreza que, em muitas regiões da Itália, afligem amplas camadas da população.

5. Diante destes e doutros problemas convido-vos, caríssimos Irmãos, a jamais abdicar da missão que nos foi confiada, a não ceder a conformismos nem a modas transitórias, a reagir a toda a errónea separação entre a fé, a cultura e a vida, pessoal e social.

Actuando em profunda comunhão entre nós e com as nossas Igrejas, e procedendo sempre com amor e confiança, poderemos ajudar a Itália a não perder a sua alma profunda e a fazer frutificar a sua insigne herança de fé e de cultura, que é um bem precioso também para a Europa e para o mundo.

Uno-me a vós na grande oração pela Itália, que agora tomou novo impulso a partir do Santuário de Loreto, e concedo com afecto a Bênção Apostólica a vós, caros Irmãos no Episcopado, e às Igrejas confiadas ao vosso cuidado pastoral.

Vaticano, 9 de Novembro de 1998.

 

 

 

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