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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO NOVO EMBAIXADOR DA COSTA RICA
POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS
29 de Outubro de 1998
Senhor
Embaixador
1. É-me muito grato receber as Cartas Credenciais que Vossa
Excelência me apresenta e que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Costa Rica junto desta Sé Apostólica. Nesta
circunstância, quero expressar-lhe a minha gratidão pelas amáveis palavras que
me dirigiu, as quais testemunham os nobres sentimentos de proximidade e adesão à
Cátedra de Pedro, presentes no coração de tantos cidadãos costarriquenhos.
Agradeço de igual modo, em particular, a deferente saudação que me transmitiu da
parte do Eng. Miguel Ángel Rodríguez Echeverria, Presidente da República, ao
qual retribuo com os melhores votos e a certeza das minhas orações pelo
progresso e o bem espiritual de todos os filhos e filhas dessa amada Nação.
2. A
Costa Rica, Senhor Embaixador, é uma Nação admirada no mundo pela sua esmerada
vocação à paz, que a levou a eliminar da sua Constituição Política a
existência do exército como destacamento permanente. Esta determinação não só
foi garantia do seu processo democrático, mas permitiu-lhe poupar inúmeros
recursos económicos, dedicando-os a promover a educação, a melhorar as
condições de saúde, a executar planos de habitação para os mais pobres e buscar
a promoção integral do seu povo. Além disso, o seu país distinguiu-se
sempre pela hospitalidade. Nos últimos anos milhares de cidadãos centro-americanos foram para a Costa Rica em busca de refúgio, forçados por
difíceis situações sociais, políticas e económicas dos seus países de origem.
Sabe-se como os Pastores da Igreja motivaram os fiéis e toda a população a verem
em cada refugiado a imagem da Sagrada Família, que teve de emigrar de Nazaré
para o Egipto. Isto contribuiu para que eles fossem acolhidos com afecto
fraterno e pudessem obter os mesmos serviços que o restante da população,
especialmente em matéria de educação e saúde.
3. Sabe-se também que, tanto o
Governo da República como os grupos mais representativos do seu país, acolhendo
o apelo que foi feito pelo Episcopado da Costa Rica, procuram encontrar as
melhores soluções para os problemas mais graves, detectados através de processos
de harmonização (cf. Comunicado da CECOR, 1/12/1997). A experiência ensina que
quanto mais instituições e pessoas unem os seus esforços na busca de objectivos
comuns para o bem de todos, tanto mais prontamente e com facilidade se consegue
alcançá-los. Em contrapartida, a divisão leva inexoravelmente ao retrocesso e
ao impedimento. A este respeito, é-me grato constatar que o povo costarriquenho,
dando provas de grande maturidade cívica, busca na concórdia o que jamais
poderia conseguir pelos caminhos do confronto.
4. Por outro lado, Vossa
Excelência ressaltou a importância que a família tem na sociedade, sobretudo num
país de larga tradição cristã como é a Costa Rica. Se lhe chamamos «célula
fundamental da sociedade» (Gratissimum sane, 4), é porque tudo o que acontece
dentro da família tem profundas repercussões em todo o corpo social. É na família, especialmente a cristã, que as crianças aprendem dos seus pais o respeito
pela vida humana, sagrada e inviolável desde o momento mesmo da sua concepção
até ao seu ocaso. Ela é também escola de acrisoladas virtudes, que vai dando à
Igreja e à sociedade cristãos e cidadãos exemplares, que lutam contra a
corrupção, a violência, a delinquência e a degradação moral nas suas mais
variadas e dolorosas manifestações. A colaboração neste campo entre o Estado e
a Igreja, na escola e nos meios de comunicação social, é indispensável para
proteger e favorecer a família como santuário da vida e do amor, educadora de
pessoas e promotora do desenvolvimento para todos.
5. Inspirada nas palavras de
Jesus: «Pobres sempre os tereis convosco» (Jo 12, 8), a Igreja católica no seu
país, Senhor Embaixador, faz notáveis esforços a todos os níveis para assistir
as crianças órfãs e abandonadas, os anciãos desamparados, os enfermos
terminais de SIDA, assim como para a construção de instalações para acolher
mulheres que tiveram a tentação de abortar. De igual modo, são louváveis os
esforços, especialmente a nível paroquial, que se fazem para apoiar as famílias
atingidas pelo desemprego, a falta de moradia, o cuidado de membros deficientes.
Ante estas situações é muito recomendável que o Estado, a Igreja e a iniciativa
privada assumam esforços não só para assistir os pobres, mas sobretudo para
os promover através da educação. Assim poderão caminhar pelos seus próprios
meios e ser responsáveis do seu destino. Sabe-se também que o seu país realiza
importantes esforços para melhorar a economia. Neste sentido, é desejável que os
progressos económicos beneficiem, antes de tudo, a população mais pobre. Deste
modo a paz social, longe de ser impedida, fortalecer-se-á cada dia mais na Costa
Rica, pois não se pode esquecer que a economia deve estar ao serviço do homem e
não o homem ao serviço da economia.
6. Desde a sua independência, as relações
Igreja-Estado na Costa Rica distinguiram-se pelo mútuo respeito e cordialidade.
Respeito para não interferir no que é próprio de cada instituição, mas que leva
a apoiar-se reciprocamente e a colaborar, a fim de conseguir o maior bem-estar
para a comunidade nacional. Por isso, através do diálogo construtivo, é possível
a promoção de valores fundamentais para o ordenamento da sociedade, favorecendo
o seu desenvolvimento. A respeito disso, embora a missão da Igreja seja de ordem
espiritual e não política, a fomentação de relações cordiais entre a Igreja e o
Estado contribui em grande medida para a harmonia, o progresso e o bem-estar de
todos, sem distinção alguma.
7. No momento em que Vossa Excel ência inicia a
alta função para a qual foi designado, desejo formular os meus votos pelo feliz
e frutuoso desempenho da sua missão junto da Sé Apostólica, desejosa sempre de
que se mantenham e consolidem cada vez mais as boas relações com a Costa Rica.
Ao pedir-lhe que se digne transmitir estes sentimentos ao Senhor Presidente da
República, ao seu Governo, Autoridades e ao querido povo costarriquenho,
asseguro-lhe a minha oração ao Todo-poderoso para que, por intercessão da sua
Padroeira, Nossa Senhora dos Anjos, assista sempre com os seus dons Vossa
Excelência e a sua distinta família, os seus colaboradores, os governantes e
cidadãos do seu nobre País, o qual recordo sempre com particular afecto.
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1998 - Libreria Editrice Vaticana
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