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DISCURSO
DO SANTO PADRE
À EMBAIXADORA DO PANAMÁ
POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS
4 de Dezembro
de 1999
Senhora Embaixadora
1. É-me grato receber as Cartas
Credenciais que a acreditam como Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária
da República do Panamá junto da Santa Sé, enquanto lhe agradeço
sinceramente as amáveis palavras que houve por bem dirigir-me neste acto
solene, que me oferece também a oportunidade de saudá-la e dar-lhe as minhas
mais cordiais boas-vindas.
Desejo também manifestar um particular apreço
pelos sentimentos de proximidade e de adesão da Excelentíssima Senhora
Presidente da República, Dona Mireya Moscovo, e do Governo do seu País, dos
quais Vossa Excelência se fez portadora, enquanto peço que
lhe transmita por sua vez a minha deferente e reconhecida saudação,
juntamente com os meus melhores votos de paz e bem-estar para todo o querido
povo do Panamá.
2. Na realidade, a cordialidade que
preside este encontro constitui o reflexo das boas relações
existentes entre o Panamá e a Santa Sé, bem como do bom
entendimento e da estreita colaboração entre as autoridades públicas e
eclesiais no País. Apraz-me constatar que o novo Governo da República
manifestou a sua intenção de continuar e fomentar estas relações porque, não
obstante a autonomia e a diferença das suas responsabilidades e do rigoroso
respeito das respectivas competências, os poderes públicos e a Igreja têm
uma finalidade última que converge na promoção concreta das pessoas e no
bem comum da sociedade.
Com efeito, o autêntico progresso dos povos
não se constrói só com disposições técnicas, por mais que estas sejam
judiciosas e necessárias, mas também infundindo uma alma que dê sentido à
vida e consistência à convivência, mediante uma participação cívica
responsável e um profundo sentido de solidariedade. Para isto já tem
contribuído desde há muito tempo a Igreja, que precisamente no Panamá
fundou a primeira Diocese em terra continental americana, então denominada de
"Santa María la Antigua del Darien", anunciando o Evangelho de
Cristo às suas populações, acompanhando-as num processo de educação
integral, promovendo os valores mais sublimes, defendendo a dignidade da
pessoa e estando próxima nos momentos de dificuldade, especialmente das
pessoas mais desafortunadas da sociedade. Impelida pela sua fidelidade à missão
recebida de Cristo, ela prossegue e continuará disposta a ajudar os
panamenses a enfrentar os desafios que se apresentarem no novo milénio e a
encorajá-los a trabalhar juntos por um futuro melhor para todos.
3. Este futuro começa com um
acontecimento de grande importância para o Panamá, que é a iminente
restituição da soberania sobre o homónimo canal, juntamente com os terrenos
adjacentes. Trata-se de um facto que acarreta grandes consequências jurídicas
e práticas, económicas e políticas mas reveste também, como Vossa Excelência
salientou nas suas palavras, um carácter emblemático, a confirmação da
identidade histórica e geográfica do seu País, chamado a desempenhar um
importante papel de comunicação e união entre os povos do mundo.
Tudo isto parece um convite a que o Panamá
se distinga precisamente como um povo hospitaleiro, amante do diálogo e
possuidor de profundas raízes cristãs. Por isso, à reconquista da soberania
sobre o território deverá seguir-se uma solicitude especial, para evitar que
interesses ou pressões alheias acabem por desvirtuar os benefícios que esta
magnífica oportunidade histórica pode oferecer a todos os cidadãos,
privilegiando o desenvolvimento de projectos destinados a erradicar a pobreza
de que padece uma boa parte da população, a respeitar cada vez mais a
dignidade dos vários grupos étnicos, a aperfeiçoar a educação, a
favorecer a prática do poder judiciário e a tornar mais humana e justa a
situação dos prisioneiros, para que se facilite a sua reinserção na
sociedade e, enfim, se proporcionem os instrumentos necessários para o
progresso integral do homem panamense.
4. Cabe-lhe, Senhora Embaixadora, a
honra de começar a sua missão diplomática em Roma, nas vésperas da
abertura do Grande Jubileu do Ano 2000, que constitui um acontecimento de
enorme importância para os cristãos do mundo inteiro e no qual a Igreja
deposita ingentes esperanças de renovação e de reconciliação. Faço votos
de coração por que, também para o Panamá, ele seja uma ocasião propícia
para promover o seu futuro espiritual e, como disse na minha Carta Apostólica
Tertio millennio adveniente, uma "oportunidade para meditar sobre
outros desafios do momento, tais como por exemplo as dificuldades do diálogo
entre as diversas culturas e as poblemáticas ligadas ao respeito dos
direitos da mulher e à promoção da família e
do matrimónio" (n. 51).
5. Com estes votos, reitero cordialmente as
minhas boas-vindas à sua pessoa e à sua distinta família. Formulo depois os
meus melhores votos pelo bom êxito da missão que Vossa Excelência agora
inicia como representante do seu País e da qual esperamos abundantes frutos
para o bem espiritual e material da população do Panamá. Penso aqui
sobretudo nas mulheres e nos homens comprometidos quotidianamente em levar uma
vida digna, orgulhosos de poder contribuir para a construção de um futuro
melhor para a própria Nação. Imploro à nossa Mãe celestial que proteja os
seus filhos panamenses, infundindo-lhes o alento necessário para progredirem
ao longo dos caminhos da solidariedade e da paz.
Senhora Embaixadora, peço-lhe que se faça
intérprete dos meus sentimentos de apreço e de proximidade perante as
autoridades e o povo do Panamá, a quem abençoo de coração.
© Copyright 1999 -
Libreria Editrice Vaticana
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