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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II 
AO NOVO EMBAIXADOR DO GABÃO 
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO 
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Sexta-feira, 4 de Junho de 1999

 

Senhor Embaixador

1. É-me grato receber Vossa Excelência por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Gabão junto da Santa Sé. 

Sensibilizaram-me as amáveis palavras que acaba de me dirigir, bem como as saudações que me transmitiu da parte de Sua Excelência o Senhor El Hadj Omar Bongo, Presidente da República do Gabão. Ficaria grato se se dignasse transmitir-lhe, bem como ao povo gabonense, os cordiais votos de bem-estar e de prosperidade que formulo para o inteiro país, pedindo a Deus que conceda a cada um viver numa nação cada vez mais fraterna e solidária, na qual os dons recebidos de Deus se difundam plenamente em benefício de todos.

2. No seu discurso, Vossa Excelência ressaltou a importância que a Sé Apostólica dedica à busca da paz entre os povos. De facto, é particularmente urgente, quando nos aproximamos do Terceiro Milénio, criar as condições para uma vida em sociedade que não permita considerar que a violência possa ser uma via apta para a resolução dos conflitos. Os terríveis sofrimentos que ainda hoje são a sorte quotidiana de tantos povos, vítimas de conflitos fratricidas, sobretudo no continente africano, deveriam estimular os responsáveis das nações, e todas as pessoas de boa vontade, a empenharem-se resolutamente na busca de soluções que respeitem a vida humana e o direito dos povos, oferecendo a possibilidade de progredir rumo a uma verdadeira reconciliação. 

Alegro-me muitíssimo com o facto de que, fielmente ancorados nos princípios da paz e da estabilidade do continente, como Vossa Excelência acaba de mencionar, o Gabão contribui de maneira cada vez mais eficaz para a promoção na África Central das relações harmoniosas e solidárias entre as nações e as comunidades humanas. 

3. A fim de estabelecer um equilíbrio social duradouro, é preciso que no interior de cada país a fortificação dum Estado de direito, fundado no respeito de todas as pessoas humanas e das exigências fundamentais a elas relacionadas, possa caminhar a par e passo com uma gestão da vida pública que esteja de facto ao serviço de todos. Também encorajo vivamente todas as pessoas que têm responsabilidades na gestão da nação a não se desanimarem e a procurarem, em qualquer circunstância, o bem comum com uma determinação firme. De facto, como escrevi na Exortação Apostólica Ecclesia in Africa, «conciliar profundas diferenças, superar antigos ressentimentos de natureza étnica e integrar-se numa ordem mundial complexa: tudo isto exige grande habilidade na arte de governar» (n. 111). Por outro lado, a fim de favorecer uma gestão honesta do património comum e permitir que os motivos de oposição entre os grupos esvaneçam, é fundamental desenvolver uma sólida preparação cívica e moral das consciências, que eduque para o sentido das responsabilidades e o reconhecimento de cada um na sua diversidade. Desta forma, entre todos os componentes da sociedade poder-se-ão estabelecer relações de convivência, na justiça e na equidade.

4. Senhor Embaixador, para responder à sua vocação de testemunhar, sempre e em toda a parte, o Evangelho de Cristo, a Igreja católica deseja colaborar com quantos participam na organização da sociedade humana e, sobretudo, com os que receberam o encargo de governar. Por conseguinte alegro-me com o acordo que foi concluído recentemente entre o seu País e a Santa Sé, a fim de facilitar a missão religiosa da Igreja católica e o seu serviço a todos os cidadãos do Gabão sem distinção, no respeito da independência e da autonomia da Igreja e do Estado. Espero que este acordo, fundado no reconhecimento da liberdade religiosa e dos princípios espirituais que animam a vossa rica tradição nacional, dê frutos abundantes para o bem-estar e o progresso integral de cada um e de toda a sociedade gabonense. 

5. Permita-me também, Senhor Embaixador, aproveitar esta feliz ocasião para saudar cordialmente por seu intermédio os Bispos e todos os católicos do Gabão. Conheço o apego que eles têm pelo próprio País e o empenho decidido em trabalhar com todos os seus compatriotas para o próprio desenvolvimento. Agora que nos preparamos para celebrar o Grande Jubileu do Ano 2000, convido-os com afecto a serem artífices cada vez mais fervorosos da paz e da fraternidade, firmemente unidos aos seus pastores na fé e no amor.

 6. Senhor Embaixador, no momento em que inicia oficialmente a sua missão junto da Sé Apostólica, apresento-lhe os meus votos mais cordiais pela nobre tarefa que o espera. Tenha a certeza de que encontrará aqui, junto dos meus colaboradores, o acolhimento atencioso e compreensivo do qual poderá ter necessidade. 

Sobre Vossa Excelência, os responsáveis da nação e todo o povo gabonense, invoco de coração a abundância das Bênçãos do Todo-Poderoso.

 

© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana

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