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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II 
AO NOVO EMBAIXADOR
DO PRINCIPADO DE MÓNACO
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO 
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Quinta-feira, 20 de Maio de 1999

 

Senhor Embaixador 

1. É-me particularmente grato desejar as boas-vindas a Vossa Excelência, no momento em que apresenta as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Principado de Mónaco junto da Santa Sé. 

Agradeço-lhe profundamente as palavras gentis que acaba de me dirigir, as quais manifestam também o espírito com que empreende a sua nova missão. Sensível à mensagem cordial de Sua Alteza Sereníssima o Príncipe de Mónaco, ser-lhe-ia grato se se dignasse transmitir-lhe os meus votos mais sentidos pela sua missão e pessoa, particularmente durante este ano no qual o seu Soberano celebra o cinquentenário do reino. Durante todos estes anos, o Príncipe Reinier III guiou com coragem e generosidade o Principado de Mónaco, garantindo a sua perenidade. Jamais esquecerei o meu último encontro com Sua Alteza Sereníssima e a sua família no dia 19 de Dezembro de 1997, por ocasião do sétimo centenário da Dinastia dos Grimaldi que, ao longo da história, soube testemunhar o ideal cristão que impregna a cultura monegasca. Desejo que todos os habitantes do Principado realizem as suas aspirações mais profundas, baseando-se sem cessar nos valores humanos, morais e espirituais fundamentais, que são fonte de bem-estar pessoal e de vida fraterna e solidária. 

No momento em que Vossa Excelência inicia as suas funções, permita-me recordar com Vossa Excelência a memória do seu saudoso predecessor, Senhor César Charles Solamito, que assinalou duradouramente as relações entre a Santa Sé e o Principado, graças à sua cordialidade e preocupação de consolidar constantemente os laços de estima recíproca e de amizade profunda. Ele foi um artífice da Convenção de 25 de Julho de 1981, que renovava os vínculos sinceros e profundos dos Príncipes e do Povo monegasco à Igreja. 

2. A dimensão humana e espiritual do Principado de Mónaco que Vossa Excelência recordou é fundamental para qualquer comunidade humana, que não se pode basear unicamente nas suas actividades. Os habitantes do Principado, como de qualquer país, devem tomar consciência todos os dias do que constitui a alma dum povo, esse tesouro inestimável que provém da tradição e que deve ser transmitido às gerações futuras. Com efeito, é em primeiro lugar no respeito devido a todas as pessoas, na solicitude pelo próximo, mediante o sentido do acolhimento e o testemunho dado aos valores humanos fundamentais que conservarão a sua originalidade e farão resplandecer a sua vocação, inspirando-se no ideal humanista e nas exigências evangélicas que abrem o caminho ao bem-estar verdadeiro, e recusando a facilidade que a sociedade consumista propõe. 

Sou principalmente sensível à atenção que Vossa Excelência dedica aos conflitos que ferem a humanidade e às graves situações que atingem um certo número de populações. Vossa Excelência ressaltou que, em virtude da sua história e da sua situação geográfica, o Principado, integrado no continente europeu, está aberto ao mundo e deixa-se interpelar pela miséria dos povos; é sobretudo um farol virado para a África, onde numerosos países necessitam actualmente de modo urgente da ajuda dos países ocidentais para o seu desenvolvimento humano e económico, e para a realização duma real transformação democrática das suas situações. Mediante a presença na ONU, ele é chamado a dar o seu contributo à comunidade internacional, sobretudo à paz e ao entendimento entre os povos, favorecendo uma solidariedade activa e intensa. Quando o mundo conhece transformações cada vez mais rápidas, é importante mostrar que é possível um testemunho de fraternidade tangível. É oportuno convidar as jovens gerações a prepararem-se, mediante uma formação séria, para assumir o seu lugar na vida social, a fim de serem no futuro os protagonistas da gestão dos seus países e da vida internacional. 

3. No Principado, a comunidade católica, fiel à tradição, prossegue a sua actividade espiritual, mas também tem a preocupação pela formação humana e cristã da juventude, sobretudo nos estabelecimentos de ensino católico nos quais, além duma formação de qualidade é garantida a transmissão dos valores fundamentais para a maturação e para a formação da personalidade de cada jovem. De igual modo, nos estabelecimentos públicos, respeitando a sua especificidade e a vontade dos pais, a Igreja deseja acompanhar os jovens, propondo-lhes uma reflexão acerca das questões humanas primordiais e abrindo o seu coração ao Evangelho. Também mediante o seu testemunho, as equipes educativas e catequéticas propõem à juventude um ideal e um caminho para uma vida bela. Por seu intermédio, Senhor Embaixador, aproveito esta ocasião para saudar com afecto o Arcebispo, os sacerdotes, os religiosos, as religiosas e os fiéis católicos de Mónaco, que são muito dedicados. 

4. Senhor Embaixador, no final do nosso encontro apresento-lhe os meus melhores votos para o bom êxito da sua missão. Tenha a certeza de que encontrará sempre aqui, junto dos meus colaboradores, a ajuda atenta e compreensiva da qual poderá ter necessidade. 

A Vossa Excelência, a Sua Alteza Sereníssima, à família principesca e a todos os habitantes do Principado de Mónaco, concedo de coração a Bênção apostólica.

 

© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana

 

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