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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II 
AO NOVO EMBAIXADOR DA
TAILÂNDIA 
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO 
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

  Quinta-feira, 20 de Maio de 1999

 

Excelência

É-me grato acolhê-lo no Vaticano neste dia e receber as Cartas Credenciais através das quais Vossa Excelência é designado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Reino da Tailândia. Agradeço as palavras de saudação que Vossa Excelência me expressou em nome de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej, e é de bom grado que lhas retribuo com os mais calorosos votos pela saúde e pela felicidade de Suas Majestades e da Família Real, e com as minhas preces pela paz e pela prosperidade da inteira nação. Aproveito este ensejo para confirmar mais uma vez a minha grande estima pelo povo tailandês e pela rica herança espiritual e cultural do seu país. 

O Senhor Embaixador mencionou os vínculos de amizade e de cordiais relações que existem já há muitos séculos entre o Reino da Tailândia e a Santa Sé. Os missionários cristãos chegaram pela primeira vez ao seu país no século XVI. Em 1669, durante o reino do Rei Narai o Grande, o primeiro Vicariato Apostólico foi erigido na cidade santa de Ayudhya. Sucessivamente, a cidade tornou-se um importante centro para os contactos entre o cristianismo e o budismo. Não obstante os posteriores reveses, um crescente desejo de laços mais estreitos entre a Tailândia e a Santa Sé conduziu na era moderna ao estabelecimento de formais relações diplomáticas em 1969. 

Durante a visita que realizei ao seu país em 1984, tive a enorme alegria de experimentar pessoalmente a amabilidade e os profundos valores humanos do povo tailandês. O budismo, que é a religião da esmagadora maioria dos seus compatriotas, forjou profundamente a sociedade e a cultura tailandesas, criando uma atmosfera de tolerância e de liberdade religiosa das quais Vossa Excelência é justamente orgulhoso. A vetusta e venerável sabedoria contida nas tradições religiosas do seu país, assim como a contribuição de outros grupos religiosos, têm sido de inestimável valor para a vida da nação. 

Em todas as sociedades a dimensão religiosa tem uma profunda importância, dado que evidencia os valores superiores que promanam da dignidade da pessoa humana, e interage como uma força em vista da promoção da justiça, da solidariedade e da paz. Como tal, a religião oferece um fundamento sólido para a rejeição de qualquer compreensão do desenvolvimento estreitamente materialista ou utilitarista. Os perigos de conceber o progresso social sem uma referência aos valores e ao carácter transcendentais da pessoa humana são demasiado evidentes. Como tive a oportunidade de escrever na minha Carta Encíclica Sollicitudo rei socialis: «Enquanto os indivíduos e as comunidades não virem respeitadas rigorosamente as exigências morais, culturais e espirituais, fundadas na dignidade da pessoa e na identidade própria de cada comunidade, a começar pela família e pelas sociedades religiosas, tudo o mais – a disponibilidade dos bens, a abundância dos recursos técnicos aplicados à vida quotidiana e um certo nível de bem-estar material – resultará insatisfatório e, com o passar do tempo, mesmo desprezível» (n. 33). 

Esta compreensão da pessoa humana orienta os esforços da Santa Sé nas actividades que desempenha no campo internacional. Juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade, ela participa em iniciativas destinadas a garantir um porvir seguro para todos, um futuro fundamentado na cultura dos direitos humanos e na solidariedade que transcende todas as fronteiras. No limiar do terceiro milénio, é urgentemente necessário que a comunidade internacional dê passos destinados a revigorar as estruturas que por sua vez hão-de assegurar a paz genuína entre as nações e os grupos étnicos. Os esforços nesta direcção só podem alcançar bom êxito «quando a promoção da dignidade da pessoa humana é o princípio orientador, quando a busca do bem comum constitui o empenho predominante» (Mensagem para o Dia mundial da Paz de 1999, n. 1). 

Por sua vez, a comunidade católica que está na Tailândia, não obstante seja exígua em relação aos sequazes de outras tradições religiosas, goza dos benefícios da liberdade religiosa, cujo garante é Sua Majestade como «Paladino de todas as Religiões». Os católicos participam de maneira sincera na vida e nas solicitudes da nação, dado que têm muito a peito o progresso e o desenvolvimento da sociedade. O seu contributo específico inspira-se na convicção de que o progresso económico, político e social deve caminhar sempre pari passo com um empenhamento em prol da verdade religiosa e moral. Ao desempenhar a sua missão espiritual, a Igreja católica compromete-se na promoção da justiça, da compaixão e do respeito pelo próximo. 

Vossa Excelência referiu-se à contribuição da Igreja no campo da educação, da saúde e dos serviços sociais. Este compromisso está assente no mandato do divino Fundador da Igreja, a fim de que amemos o próximo como a nós mesmos, e na convicção de que a vida humana é sagrada e tem um valor inestimável em cada uma das suas fases. Nas suas actividades educativas, a Igreja está persuadida de que a formação integral dos jovens, que representam o amanhã da nação, é de crucial importância. A educação deve ajudá-los a descobrir a dimensão espiritual da vida e a aprender os valores supremos que no futuro hão-de alicerçar o tecido social do país. Não há dúvida de que o apreço pelos valores morais e uma atitude de respeito no que se refere à dignidade humana e aos direitos do homem são tão importantes – e talvez ainda mais importantes –  quanto qualquer erudição ou habilidade conferida.

Senhor Embaixador, estou convencido de que no cumprimento da sua missão Vossa Excelência contribuirá com todas as suas qualidades e energias pessoais para fortalecer ulteriormente os ligames de amizade já existentes entre a Tailândia e a Santa Sé. Asseguro-lhe que os diversos departamentos da Cúria Romana estarão sempre disponíveis para o assistir no desempenho dos seus deveres. Sobre a sua pessoa, as Suas Majestades o Rei e a Rainha, e o inteiro povo tailandês, invoco cordialmente as abundantes bênçãos divinas.

 

© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana

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