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MENSAGEM DO PAPA JOÃO
PAULO II AOS REITORES E AGENTES
PASTORAIS DOS SANTUÁRIOS ITALIANOS
Terça-feira, 23 de Novembro de 1999
Caríssimos Irmãos e Irmãs!
1. Tenho a alegria de vos dirigir a minha cordial saudação
por ocasião da XXXV Assembleia dos Reitores e Agentes pastorais dos Santuários
italianos, promovida pela União Nacional dos Santuários. É-me grato
reservar um especial pensamento ao Arcebispo-Prelado de Loreto, D. Ângelo
Comastri, que com grande solicitude segue e coordena as vossas actividades.
No âmbito do singular organismo espiritual e ao mesmo tempo
histórico que é a Igreja, a densa rede de Santuários que constelam as nações
e os continentes ocupa um papel bastante relevante. Eu mesmo, nas minhas
viagens apostólicas, muitas vezes tive a alegria de ir em peregrinação a
estes lugares sagrados, onde se sente mais intensa a presença de Deus.
Pude visitá-los sobretudo na Itália, por causa do meu ministério,
e constatei que eles constituem um eloquente testemunho da história religiosa
da Nação. Graças sejam dadas, portanto, a todos vós, que do melhor modo
conservais, valorizais e promoveis este património espiritual.
2. Com esta mensagem desejo, antes de tudo, no sulco dos meus
Predecessores, evocar o grande valor que os Santuários revestem para o Povo
de Deus. Se por um lado oferecem aos fiéis e aos peregrinos momentos
preciosos de aprofundamento, investigação e indispensável renovação
interior, para aqueles menos assíduos, em dificuldade ou em busca de algo,
eles constituem uma providencial ocasião de encontro com Deus e um forte
apelo às fontes da fé. Quantos a eles se dirigem devem, portanto, poder
encontrar ali ambientes acolhedores e pessoas prontas a oferecer-lhes uma
apropriada assistência espiritual e uma ordenada catequese, para que a
mensagem transmitida pelo Santuário não se detenha no plano da importante
sugestão emotiva, mas se torne para todos experiência de Deus, encontro
fraterno e ocasião de crescimento na fé.
3. Com grande satisfação podemos constatar como nos últimos
anos o fluxo dos peregrinos e turistas rumo aos lugares sagrados, pequenos e
grandes, conheceu um incremento, favorecido pelas crescentes oportunidades
oferecidas pelos meios de transporte e de comunicação. A evolução da
sociedade e a influência de uma difundida mentalidade consumista parecem não
ter detido este fenómeno, mas ao contrário em certos aspectos, acentuou-o.
Com efeito, cada vez mais as pessoas têm necessidade de silêncio, de
repouso, de separação do frenesi quotidiano e do mundo dos interesses
materiais, buscam a paz, a harmonia consigo mesmas, com a natureza e, de
maneira mais profunda, com Deus, último fundamento da existência. O risco,
conatural a este tipo de tendências, sobre o qual incidem factores culturais
e sociais, é às vezes o da superficialidade. Entretanto, ele nada tira à
positividade pelo menos potencial do fenómeno, que se apresenta como um
aspecto do grande desafio da evangelização na sociedade contemporânea.
4. No hodierno contexto sócio-religioso, a função dos Santuários
é cada vez mais a de serem lugares do essencial, aonde se vai para haurir a
graça, antes ainda que "as graças". Quanto mais se difunde a
cultura secularista, tanto mais estes ambientes adquirem um intrínseco valor
evangelizador, no sentido originário de forte apelo à conversão (cf. Carta
para o VII Centenário de Loreto, 15.8.93; L'Osservatore Romano, ed.
port. 26/9/1993, pág. 2).
Longe da confusão das ocupações, o homem encontra antes de
tudo a possibilidade de pensar, reflectir, deixar emergir dentro de si aqueles
interrogativos que, se o podem inquietar, se revelam porém salutares para a
sua alma. Neste terreno favorável o Santuário é chamado a fazer cair a boa
semente da Palavra de Deus, da qual só podem germinar o conhecimento da
verdade e a renovação da vida. Numa palavra, tudo no Santuário deve tender
a fazer com que a recíproca procura de Deus e do homem se possa tornar
encontro.
5. Solicitados por esse contexto espiritual e social, os caríssimos
responsáveis e animadores dos Santuários da Itália têm em vista
multiplicar o empenho apostólico, sustentando-o oportunamente com o intercâmbio
das experiências e a coordenação dos objectivos e das iniciativas
pastorais. Em si isto é válido e frutuoso, não só sob o aspecto
organizativo, mas sobretudo porque favorece o estilo de comunhão, sinal
característico da Igreja, ícone da Trindade.
Desse modo, caríssimos Irmãos e Irmãs, sustentais-vos
mutuamente, a fim de que os Santuários sejam capazes de qualificar o anúncio
da Palavra, assim como as celebrações litúrgicas, os retiros espirituais,
os encontros de aprofundamento sobre temas religiosos e de aprofundamento da fé.
Alegro-me pela particular atenção que dedicais ao serviço do sacramento da
Reconciliação, também promovendo a preparação dos Ministros: mais
do que nunca isto é oportuno, de modo especial por ocasião do Grande Jubileu
do Ano 2000. Possam os peregrinos, neste "ano da graça do Senhor",
haurir abundantemente nos Santuários a força regeneradora da misericórdia
divina.
Acompanho estes votos com a oração, confiando-os à especial assistência da
Bem-aventurada Virgem Maria, Santuário da Nova Aliança, enquanto que, a vós
que participais na Assembleia e a quantos
são responsáveis pelos Santuários e aos
seus colaboradores, concedo de coração uma especial Bênção
Apostólica.
Vaticano, 23 de Novembro de 1999.
PAPA JOÃO PAULO II
© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana
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