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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO NOVO EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DO EQUADOR
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS

Quinta-feira, 14 de Outubro de 1999

 

Senhor Embaixador
Sua Excelência Senhor José Ayala Lasso!

1. Tenho o grande prazer de lhe dar as boas-vindas e de receber neste solene acto as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Equador junto da Santa Sé. Estou-lhe muito grato pelas amáveis palavras que me dirigiu, assim como pela cordial e respeitosa saudação do Senhor Presidente Constitucional da República, Dr. Jamil Mahuad, e peço que lhe transmita os meus melhores desejos de paz e bem-estar, juntamente com os meus votos pela prosperidade e progresso integral da querida Nação equatoriana.

2. Nas suas palavras, Vossa Excelência referiu-se ao Acordo de Paz, assinado há pouco mais de um ano, entre o seu País e a República irmã do Peru, e em cuja negociação Vossa Excelência teve um papel importante. Tive a satisfação de comprovar como os meus apelos ao diálogo respeitoso e à negociação franca e digna entre os dois países foram acolhidos, abrindo-se assim uma nova etapa entre estes dois países latino-americanos, que têm em comum tantos valores. A capacidade de chegar à solução de um problema secular há-de fazer com que os equatorianos maturem no seu enraizamento na tradição pacífica naquela região, ao mesmo tempo que se hão-de sentir directamente comprometidos na luta contra o narcotráfico e a corrupção, chagas sociais que implicam em especial os jovens e que põem em perigo a paz social e a estabilidade. Neste sentido, é desejável que o Equador encontre na comunidade internacional todo o apoio e a ajuda financeira necessárias para o enfrentar.

3. Por outro lado, sei que a grave situação económica que atravessa o País, devido à forte dívida externa e interna, é enfrentada com seriedade por todos os protagonistas da vida política, económica e social. Em diversas ocasiões referi-me a esta grave situação, que em escala mundial apresenta muitos problemas e impede que tantos países saiam do subdesenvolvimento e alcancem desejáveis níveis de bem-estar. A este propósito, desejo reafirmar quanto expus na Carta Apostólica Tertio millennio adveniente (cf. n. 51), com a esperança de que se favoreça o conveniente desenvolvimento para todos.

É também importante que a sociedade equatoriana tome consciência disto e, com uma atitude verdadeiramente solidária, esteja disposta a suportar os necessários sacrifícios que, em nenhum caso, devem agravar as condições de pobreza das classes mais humildes. Seria bom que o Equador, no qual alguns territórios se viram gravemente atingidos por recentes calamidades naturais, pudesse beneficiar de uma particular consideração por parte dos organismos internacionais. Nestes momentos acompanho com atenção as notícias que estão a chegar sobre a actividade do vulcão Pichincha, com a esperança de que não se produzam ulteriores danos por este motivo.

4. É-me grato constatar que a Constituição do seu País contempla a importância da educação e ratifica o reconhecimento do direito dos pais de família na educação dos seus filhos. Isto significa um passo importante diante de um regime de estatismo típico de épocas passadas, que se pôs em relevo na lei de liberdade dos pais de pedir para os seus filhos a educação religiosa, segundo o próprio credo. Esta liberdade para se abrir ao transcendente não é um privilégio para nenhum sector social, mas uma condição indispensável para que as crianças e jovens recebam uma formação integral, que os capacite para forjar um mundo mais humano, digno e solidário.

A mencionada lei permite certamente às dioceses oferecer uma cooperação adequada, inclusive nas escolas estatais. É para desejar também que, a nível universitário, o princípio de liberdade religiosa presida à legislação correspondente, para que se respeite a peculiar forma de organização da Universidade Católica e, assim, sirva como demonstração de reconhecimento à legítima autonomia que deve ter a Universidade.

5. Vossa Excelência, Senhor Embaixador, referiu-se também às relações Igreja-Estado no Equador, as quais se distinguiram pelo mútuo respeito e cordialidade. Respeito para não interferir no que é próprio de cada instituição, mas que leva a apoiar-se reciprocamente e a colaborar, a fim de obter o maior bem-estar para a comunidade nacional. Por isto, através do diálogo construtivo, é possível a promoção de valores fundamentais para o ordenamento e desenvolvimento da sociedade. A este respeito, ainda que a missão da Igreja seja de ordem espiritual e não política, o incentivo de cordiais relações entre a Igreja e o Estado contribui, sem dúvida, para a harmonia, progresso e bem-estar de todos, sem distinção alguma.

6. No momento em que Vossa Excelência inicia a alta função para a qual foi designado, desejo formular-lhe os meus votos pelo feliz e frutuoso desempenho da sua missão junto desta Sé Apostólica. Ao pedir-lhe que se digne transmitir estes sentimentos ao Senhor Presidente da República, ao seu Governo, às Autoridades e ao querido povo equatoriano, asseguro-lhe a minha oração ao Todo-poderoso para que, com os seus dons, assista sempre Vossa Excelência e a sua distinta família, os seus colaboradores, os governantes e cidadãos do seu nobre País, que recordo sempre com particular afecto.

 

© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana

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