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DISCURSO DO PAPA
JOÃO PAULO II AO
NOVO EMBAIXADOR DO JAPÃO JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA
APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS
Sábado, 11 de Setembro de
1999
Senhor Embaixador
É-me particularmente grato acolher Vossa
Excelência por ocasião da apresentação das Cartas através das quais Sua
Majestade o Imperador Akihito o acredita como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário do Japão junto da Santa Sé.
Senhor Embaixador,
sensibilizaram- me as deferentes palavras que Vossa Excelência acaba de me
dirigir e os bons votos por ocasião do vigésimo aniversário do meu
Pontificado. Agradeço-lhe ter-se feito intérprete do seu Soberano e
agradeceria se lhe retribuísse com os meus ardentes votos pela sua pessoa, pela
sua família imperial, pelos membros do governo e pelo conjunto do povo
japonês. Recordo-me da visita que o Primeiro-Ministro do seu país me prestou
no início do passado mês de Janeiro, visita esta que constitui uma das manifestações do revigoramento dos
vínculos de cordialidade que unem a Sé apostólica ao Japão.
Neste ano, o seu país comemora o 450° aniversário da
chegada ao Japão de São Francisco Xavier, padroeiro das missões: ele é uma
grandiosa figura à qual os japoneses são particularmente afeiçoados. É o
símbolo de uma profunda experiência espiritual e de um íntimo ligame com
Cristo, que impelem os discípulos a anunciarem o Evangelho e a colocarem-se
ao serviço dos seus irmãos em todos os continentes. Sob este ponto de vista,
pode-se dizer que o grande santo, que faz parte tanto da vossa história como
daquela do seu país de origem, contribuiu para lançar pontes e entretecer
relações fraternas entre o Ocidente e o Oriente. A vida e a obra de São
Francisco Xavier recorda-nos inclusive a importância da liberdade espiritual e religiosa que, no respeito dos princípios da sociedade civil, constituem
condições indispensáveis para a edificação de uma nação, assim como
para a colaboração e a amizade entre os povos. Ao longo da história, o
cristianismo sempre teve a solicitude de unir e congregar os homens e os
povos, auxiliando-os indefessamente a construir uma sociedade mais justa e
fraterna, e a promover o advento da paz, indispensável para o crescimento
integral das pessoas e das comunidades humanas em geral. Neste espírito, é
oportuno elogiar a atitude de tolerância do Japão, que permanece fiel às
suas tradições de abertura às diferentes religiões – esta é uma garantia
do respeito de todas as liberdades individuais e comunitárias – enquanto se
prodigaliza em cuidar da salvaguarda das pessoas contra eventuais movimentos
que impedem as liberdades e podem colocar em grave perigo os cidadãos,
particularmente os mais frágeis.
Não se pode esquecer o facto de que o seu
país é um dos símbolos da paz, como Vossa Excelência acaba de ressaltar,
uma vez que as cidades de Hiroxima e de Nagasáqui são para todos os homens
de hoje uma mensagem que convida cada um dos povos da terra a haurir lições de
história e a comprometer-se de maneira sempre mais decidida em benefício da
paz. Efectivamente, elas evocam para os contemporâneos todos os crimes
cometidos contra as populações civis durante a segunda guerra mundial,
crimes e verdadeiros genocídios que pensávamos que jamais viessem a
repetir-se e que contudo ainda são perpetrados em várias regiões do planeta.
A fim de não esquecermos as atrocidades do passado, é importante que as jovens
gerações compreendam o valor incomparável da paz entre as pessoas e entre
os povos, dado que a cultura da paz é contagiosa mas está longe de se ter
difundido no mundo inteiro, como o demonstram os focos de conflito ainda
acesos. É preciso que repitamos sem cessar que a paz é o princípio
primordial da vida comum no seio de todas as sociedades.
Embora sejam pouco
numerosos, os católicos são chamados a tomar uma parte activa na vida pública
da sociedade nipónica, ao lado do conjunto dos seus compatriotas, para
participarem na evolução e na transformação da mesma, a fim de que esta se
dedique cada vez mais ao serviço das pessoas, que hão-de constituir o cerne
das preocupações de todos aqueles que são responsáveis pela administração
pública, de forma especial nos campos da política e da economia. Em
conformidade com a sua longa tradição, tendo em vista a solicitude do bem
comum, a Igreja dá continuidade à própria actividade no seu país, Senhor
Embaixador, especialmente no sector da educação, tendo o cuidado de transmitir
às jovens gerações o sentido cívico e também os valores espirituais e
morais essenciais para a sua vida pessoal e para a própria inserção na
sociedade; ela ajuda-os inclusivamente a esperarem no futuro, propondo-lhes
um ideal, e a prepararem-se para as funções que os jovens serão chamados a
assumir ao serviço do próprio país.
Sem um compromisso efectivo na visociedade e na busca de formas sempre renovadas de administrar as questões, a
fim de que eles possam entender e fazer compreender aos seus compatriotas os
fundamentos antropológicos e éticos dos comportamentos e das decisões
relativas à gestão da res publica, assim como a necessidade da solidariedade
nacional e internacional, à qual o Senhor Embaixador fez referência. Nesta
perspectiva, enquanto actualmente a vossa região está a atravessar graves
dificuldades económicas, o Japão tem um papel importante a desempenhar,
para que os problemas não pesem de maneira inconsiderada sobre os países
mais débeis e frágeis; com efeito, é essencial que todos se mobilizem em
vista de evitar que cada vez mais pessoas e famílias se encontrem em
situações de precariedade e pobreza. Portanto, exorto o povo japonês a uma
solidariedade cada vez maior para com aqueles que são atingidos pela crise,
tanto no próprio país como em todo o sudeste asiático.
No momento em que
Vossa Excelência dá início a sua missão de Representante do Japão junto
da Sé apostólica, formulo-lhe os meus melhores votos, desejando que cumpra a
sua tarefa com uma intensidade particular durante o ano jubilar. Posso
assegurar-lhe que junto dos meus colaboradores encontrará um caloroso
acolhimento e uma atenta compreensão.
No termo do nosso encontro, peço ao
Altíssimo que faça descer as suas bênçãos sobre Sua Majestade o Imperador
Akihito e a família imperial, sobre o povo nipónico, sobre aqueles que no
limiar do terceiro milénio são responsáveis pelo destino do país, sobre
Vossa Excelência e os seus entes queridos, assim como sobre o pessoal da
Embaixada em geral.
© Copyright 1999 -
Libreria Editrice Vaticana
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