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DISCURSO
DO SANTO PADRE AO NOVO EMBAIXADOR DO KUAIT JUNTO À SANTA SÉ
25 de maio de
2000
Senhor Embaixador
1. Seja bem-vindo ao Vaticano; para mim é
um prazer receber Vossa Excelência por ocasião da apresentação das Cartas
que o acreditam como Embaixador extraordinário e plenipotenciário do Estado
do Kuait junto da Santa Sé.
Agradeço-lhe a saudação que Vossa Excelência
me transmitiu da parte de Sua Alteza o Emiro Sheikh AL-Ahmad Al-Sabah. Peço-lhe
a amabilidade de lhe retribuir, bem como a todo o povo do Kuait, os meus
sentimentos de estima e os meus cordiais votos de bem-estar e prosperidade; peço
ao Altíssimo que conceda a todos viver na fraternidade e na solidariedade.
2. Alegro-me por saber que no seu País a
comunidade católica goza da faculdade de professar livremente a sua fé. De
facto, como tive várias vezes a ocasião de declarar, a liberdade religiosa
constitui o próprio centro dos direitos humanos. Na profissão da sua religião,
a pessoa exprime as suas aspirações mais profundas e desenvolve o que tem de
mais íntimo: a sua interioridade, o santuário do ser, que ninguém
jamais pode fracturar. É também indispensável que cada qual possa seguir a
sua consciência em qualquer circunstância e que ninguém o possa obrigar a
agir contra ela. Por outro lado, o direito à liberdade religiosa, hoje
reconhecido pela maior parte dos Estados, "inclui a possibilidade de
manifestar as próprias crenças, quer individualmente quer em comum, tanto em
público como em privado" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz 1999, 5).
3. A paz no Médio Oriente, e sobretudo na
região do Golfo, é uma preocupação constante da Santa Sé. Com efeito, os
recursos à guerra não podem resolver os problemas entre as nações. A via
da paz é a única digna do homem! É urgente que desapareçam todos os germes
de antagonismo que ainda subsistem. As consequências nefastas das guerras,
que martirizaram os povos da sua região, causaram divisões e tensões. Por
conseguinte, para as vencer é desejável que os problemas humanos
relacionados com os últimos conflitos, em particular o regresso dos presos de
guerra aos seus lares, encontrarão uma solução rápida, a fim de permitir a
consolidação do necessário processo de reconciliação entre os povos da
região. Faço sentidos votos por que cada nação possa ver
respeitado o seu direito à existência e à paz e viver com disposições pacíficas
e solidárias a respeito do próximo.
4. Ouvi com interesse, Senhor Embaixador,
quanto Vossa Excelência me disse acerca do contributo dado pelo seu País ao
diálogo entre os muçulmanos e os cristãos. A Igreja católica, por seu
lado, empenhou-se decididamente no caminho dum encontro fraterno entre os
homens, a fim de favorecer a paz e a solidariedade entre os povos. Ao
progredir cada vez mais no conhecimento recíproco e ao empenhar-se
generosamente em promover os valores fundamentais do homem, como o direito à
vida e ao progresso material e espiritual, os crentes contribuem para
manifestar plenamente a dimensão transcendente do ser humano e para responder
às aspirações legítimas das pessoas e dos povos em benefício do bem da
humanidade inteira. A convivência pacífica entre os crentes é uma forma de
respeito do desígnio de Deus, o Qual dispôs que os homens constituam uma só
família e mantenham relações fraternas. Cristãos e muçulmanos são
chamados a unir os seus esforços a fim de participarem numa luta digna do
homem, isto é, que se opõe às desordens das suas paixões, a todas as
formas de egoísmo, às tentativas de submeter o próximo e a qualquer espécie
de violência, ou seja, a tudo o que se opõe à paz e à reconciliação (cf.
Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1999, n. 7).
5. Senhor Embaixador, permita-me saudar
calorosamente, por seu intermédio, a comunidade católica do Kuait. Unida ao
seu Bispo, ela presta a Deus o testemunho da adoração que lhe é devida e os
seus membros participam, segundo as suas competências, no progresso do País.
Convido todos os católicos a viver com um ardor renovado, entre si próprios
e com todos, o mandamento novo que o Senhor nos deixou. Neste ano do
Grande Jubileu, encorajo-os a permanecer firmes na fé e a
viver na confiança, depondo toda a sua confiança Naquela que não deixa de
guiar a humanidade rumo ao verdadeiro destino.
6. No momento em que inicia a sua missão,
apresento-lhe os meus melhores votos pela nobre tarefa que o espera.
Garanto-lhe, Senhor Embaixador, que encontrará sempre junto dos meus
colaboradores um acolhimento atento e uma compreensão cordial.
Sobre Vossa Excelência, sobre Sua Alteza o
Emir do Estado do Kuait, e sobre o povo kuaitiano, invoco de todo o coração
a abundância do Todo-Poderoso.
© Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana
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