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DISCURSO DO SANTO PADRE
AO NOVO EMBAIXADOR DA COSTA DO MARFIM
 JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO DA
APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

 Sexta-feira, 20 de Outubro de 2000

 


Senhor Embaixador

1. Excelência, é-me grato dar-lhe as boas-vindas por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Costa do Marfim junto da Santa Sé.

Sensibilizaram-me as amáveis palavras que Vossa Excelência me dirigiu, e agradecer-lhe-ia se transmitisse o meu reconhecimento ao Presidente da República, Sua Excelência o Senhor Robert Gueï, pelos bons votos que me quis fazer chegar por seu intermédio. Além disso, saúdo muito cordialmente todo o povo da Costa do Marfim. Formulo votos para que nesta fase da sua história encontre o vigor de ânimo necessário para continuar, na paz e na solidariedade entre todos os seus componentes, os seus esforços corajosos que visam o desenvolvimento humano e espiritual.

2. Na sua alocução, Vossa Excelência fez menção das importantes mudanças por que o seu país está a passar. Após ter conquistado a própria independência, a Costa do Marfim demonstrou quanto valoriza a sua longa tradição de fraternidade e de hospitalidade. Hoje, enquanto novas problemáticas se apresentam à nação, é necessário que ela preserve esta herança e consolide a sua unidade. A utilização da violência para resolver as contendas só pode levar a revigorar as divisões e as tensões e, a longo prazo, a hipotecar a ordem social. A paz constitui um tesouro inestimável que, para se conservar integralmente, exige que a edificação da sociedade se fundamente nos princípios de igualdade, verdade, justiça e solidariedade. Só assim se poderá garantir os direitos humanos fundamentais para todos.

Como já tive ocasião de o pôr em evidência, "está destinado à falência qualquer projecto que deixe separados dois direitos indivisíveis e interdependentes:  o direito à paz e o direito a um progresso integral e solidário" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2000, 13). Faço votos para que os esforços levados a cabo durante estes últimos anos, com vista a dar aos habitantes da Costa do Marfim melhores condições de vida, continuem e permitam a todos usufruir os benefícios do progresso. Por isso, é necessário que se manifeste uma vontade convicta de buscar e de pôr em prática soluções adequadas a fim de prover às necessidades essenciais das pessoas e das famílias, e de assegurar uma partilha equitativa das vantagens e das responsabilidades, mediante uma gestão salubre do património comum.

3. O compromisso da Igreja católica na vida das sociedades humanas inscreve-se na missão própria que lhe foi transmitida por Cristo. Por sua vez, ela deseja contribuir para a edificação de uma comunidade nacional unida e fraterna. Desta forma, quer favorecer as relações de confiança e percorrer os caminhos de uma reconciliação genuína entre os habitantes do país. Por isso, é necessário um clima de diálogo que respeite as diferenças legítimas, dado que o aumento da animosidade étnica ou religiosa constitui uma ameaça séria contra a paz e a unidade, e é contrário ao desígnio de Deus para a humanidade. Para os católicos, "o desafio do diálogo é fundamentalmente o desafio da transformação das relações entre os homens, as nações e os povos na vida religiosa, política, económica, social e cultural" (Ecclesia in Africa, 79).

Além disso, para enfrentar os problemas complexos que se apresentam ao longo das veredas do desenvolvimento harmonioso das sociedades, a Igreja exorta os responsáveis da vida pública a uma tomada de consciência dos valores morais cada vez maior e mais autêntica. É disto que depende a confiança do povo naqueles que foram chamados a servi-lo na administração pública. Estes valores universais, tais como o respeito por toda a vida humana e a sua dignidade, a solidariedade e o sentido do bem comum e o acolhimento fraterno do forasteiro são particularmente preciosos para os povos africanos. Trata-se de um património inestimável que, se for aceite e desenvolvido, se há-de tornar um manancial de esperança no porvir, permitindo que a vida social se funde sobre bases firmes.

4. Senhor Embaixador, nesta circunstância solene, por intermédio da sua pessoa desejo saudar com afecto os membros da comunidade católica da Costa do Marfim. Convido-os a permanecerem unidos ao redor dos seus Bispos, a fim de serem na sociedade nacional fermento de fraternidade e de reconciliação, mediante uma colaboração generosa e leal com os seus concidadãos. O Ano jubilar seja um estímulo que os ajude a confirmar a própria fé em Cristo Salvador e a tomar uma renovada consciência da vocação de testemunhas do Evangelho, à qual foram chamados!

5. No momento em que Vossa Excelência dá início à sua missão junto da Santa Sé, ofereço os meus cordiais bons votos para a nobre tarefa que o espera. Garanto-lhe que encontrará sempre aqui, junto dos meus colaboradores, uma assistência atenciosa e cordial.

Sobre o Senhor Embaixador e a sua família, o povo da Costa do Marfim e todos aqueles que presidem ao destino da Nação, invoco do íntimo do coração as abundantes Bênçãos divinas.

 © Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana

 

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