Senhor Embaixador
1. É-me grato receber Vossa Excelência no
momento da apresentação das Cartas mediante as quais Sua Majestade a Rainha
Beatriz o acredita junto da Santa Sé, como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário do Reino dos Países Baixos.
Senhor Embaixador, ao agradecer-lhe
sentidamente por me ter transmitido as saudações respeitosas de Sua Majestade
a Rainha Beatriz, pedir-lhe-ia, em contrapartida, que a assegurasse dos meus
deferentes votos para a sua pessoa e missão ao serviço do seu Reino.
Sensibilizaram-me de maneira especial as palavras que Vossa Excelência acaba de
me dirigir, pois manifestam a sua solicitude e, através da sua pessoa, a atenção
do seu País, a alguns momentos importantes do Grande Jubileu do Ano 2000,
durante o qual os cristãos são chamados a afirmar e a renovar a própria vida
espiritual, para se comprometerem cada vez mais na edificação da vida social
ao lado dos seus irmãos, prestando assim um testemunho sempre mais vigoroso da
importância dos valores humanos, morais e cristãos. A participação de jovens
do seu País nas Jornadas Mundiais da Juventude permitiu-lhes expressar a
própria fé e descobrir que outros jovens vivem como eles os valores do
Evangelho. Eles regressaram transformados por esta experiência eclesial, que
sem dúvida alguma saberão pôr em prática no seu País.
2. Como Vossa Excelência salientou de maneira
muito oportuna, o valor moral do respeito pelo próximo é essencial a todos os
níveis das relações entre as pessoas. Com efeito, para que os nossos
contemporâneos tenham confiança nas diversificadas instituições da sociedade
civil, é importante em primeiro lugar que eles se sintam respeitados e sejam
plenamente reconhecidos nos seus direitos, dos quais os mais importantes são a
dignidade de toda a vida humana, nas diversas etapas da existência da pessoa, e
a liberdade religiosa, que constitui um elemento fundamental da liberdade de
consciência. É disto que depende o futuro de toda a sociedade, a qual não
pode estabelecer regras que menosprezem o respeito mais elementar devido a cada
ser humano, uma vez que em todas as circunstâncias o homem permanece o centro
da vida social. Estes vários aspectos da vida moral são elementos importantes
para a paz e a convivência no seio de uma nação e entre os povos.
Efectivamente, como se poderia instaurar a paz, negligenciando a dignidade das
pessoas?
Vossa Excelência conhece igualmente a importância
que a Igreja católica atribui ao matrimónio como realidade humana fundamental
e como célula básica da socidade. Nenhuma outra forma de relacionamento entre
pessoas pode ser considerada equivalente a esta recíproca relação natural
entre um homem e uma mulher que, através do seu amor, geram filhos. É oportuno
recordar que toda a sociedade tem necessidade de estruturas basilares para se
edificar sobre fundamentos sólidos e objectivos.
3. Sensibilizou-me de forma especial a sua
atenção aos fenómenos de pobreza no mundo e às desigualdades crescentes
entre os países ricos e as nações pobres. Muitas vezes durante este ano
jubilar exortei as Autoridades das nações a promoverem uma solidariedade mais
acentuada para com os países mais pobres, de maneira particular mediante a
diminuição da sua dívida externa. Já se tomaram decisões singularmente
significativas neste sentido, e fico feliz por saber disto, enquanto apelo a que
se continue a percorrer este caminho.
É também importante, a título de equidade,
que os povos produtores de matérias-primas possam gozar do crescimento
internacional e os benefícios não privilegiem apenas aqueles que transformam
estas mesmas máterias-primas ou que as comercializam. A economia deve
colocar-se ao serviço de todos os homens, para os fazer viver e para lhes
permitir dispor do lugar que lhes compete na sociedade. Também este é um
elemento essencial que contribui para a causa da paz. Com efeito, os povos que
se sujeitam às regras do mercado internacional, sem poderem tirar proveito das
mesmas, vivem várias formas de desequilíbrios sociais e institucionais, que só
podem favorecer os conflitos. Ao mesmo tempo, a promoção dos povos há-de ser
o cuidado de todos. A assistência ao desenvolvimento requer a partilha a todos
os níveis e a consecução séria dos projectos empreendidos. De facto,
acompanhar o crescimento de um povo significa permitir-lhe adquirir a formação
e os meios necessários para que no futuro seja o protagonista e o principal
agente do seu próprio progresso, num sadio relacionamento com os outros países,
no concerto das nações.
Aprecio os esforços despendidos neste sentido
pela Europa, à qual pertence o seu País, e convido os Responsáveis do
continente a continuarem e a intensificarem as suas acções em relação aos países
pobres e às regiões em que ainda se travam conflitos, nomeadamente na África
e no Médio Oriente. É importante não permitir que continuem as situações de
conflito, como pudemos testemunhar alhures, as quais tornam difícil a resolução
das disputas e no futuro podem hipotecar a boa organização da sociedade civil
e das instituições nacionais.
4. Senhor Embaixador, por intermédio da sua
pessoa, quereria saudar a Igreja católica no seu País; encorajo os pastores e
os fiéis na sua missão de anúncio explícito do Evangelho a todos e na sua
participação na vida social no meio dos irmãos, convidando-os a gestos
significativos a nível ecuménico, no respeito da fé de cada uma das
comunidades. A minha saudação deferente dirige-se também a Sua Majestade a
Rainha Beatriz, a toda a Família real, ao conjunto das Autoridades civis e
religiosas, assim como a todo o Povo holandês, a quem transmito os meus votos
de felicidade e de prosperidade, enquanto peço ao Senhor que os assista na sua
vida pessoal, familiar e cívica.
Apresento-lhe os meus melhores votos no
momento em que começa a sua missão de Representante do Reino dos Países
Baixos junto da Sé Apostólica. Senhor Embaixador, tenha a certeza de que
encontrará sempre junto dos meus colaboradores um acolhimento caloroso e uma
assistência compreensiva no cumprimento da missão que lhe é confiada.
Peço a Deus que faça descer os benefícios
das suas Bênçãos sobre Vossa Excelência, os seus entes queridos, os
colaboradores na Embaixada e os compatriotas.
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