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DISCURSO DO SANTO PADRE
 AO NOVO EMBAIXADOR DO LÍBANO
JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO DA
 APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Quinta-feira, 26 de Outubro de 2000

 

Senhor Embaixador Fouad Aoun

1. Excelência, é-me particularmente grato dar-lhe as boas-vindas por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Líbano junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe as amáveis palavras que Vossa Excelência me dirigiu e ser-lhe-ia reconhecido se desejasse comunicar a minha gratidão a Sua Excelência o General Emile Lahoud, Presidente da República Libanesa, pelos bons votos que me fez chegar por seu intermédio. Através da sua pessoa, Senhor Embaixador, desejo saudar com afecto todo o povo libanês. A recordação do caloroso acolhimento que ele me reservou por ocasião da minha viagem ao Líbano ainda permanece impressa no meu coração.

2. Foi com atenção que ouvi o que Vossa Excelência compartilhou comigo a respeito do melhoramento da situação no Sul do Líbano, bem como das evoluções políticas que se verificaram ao longo das últimas semanas. Formulo votos por que o amor que todos os Libaneses sentem pela própria Pátria os assista a viver juntos voltando-se para o porvir, animados pelo desejo ardente de "vencer o desafio da reconciliação e da fraternidade, da liberdade e da solidariedade, que é a condição essencial para a existência do Líbano e a consolidação da vossa unidade nesta terra que tanto amais" (Exortação Apostólica Uma esperança nova para o Líbano, 120). A tentação de um renascimento dos sentimentos, que no passado tiveram graves consequências, deverá ser evitada sobretudo graças ao desenvolvimento da democracia e à possibilidade oferecida a todos os cidadãos de participarem na vida do País, independentemente da sua pertença religiosa ou comunitária.

A consolidação da confiança entre as comunidades humanas e religiosas que compõem o País constitui uma condição necessária para eliminar o medo diante do outro e para reencontrar o gosto de viver em conjunto. Esta confiança mútua, que deve inspirar a vida social a todos os níveis, está assente em primeiro lugar sobre a aceitação por parte de todos dos valores morais universais, tais como o respeito pela vida e os direitos humanos fundamentais, ou ainda a liberdade de consciência e de religião. É particularmente urgente permitir que cada um tenha condições de vida decentes e dignas. A confiança aprofunda-se também mediante um diálogo paciente e respeitoso entre os componentes da nação, assim como através da participação comum no progresso do país.

Para se obter este resultado, é necessário que as pessoas que receberam o cargo de presidir à nação trabalhem com determinação, desinteresse e perseverança em prol do bem comum, e favoreçam uma partilha equitativa das responsabilidades, sem buscar privilégios para si mesmos ou para a sua comunidade. Todavia, como já tive ocasião de o sublinhar, "isto supõe também que o país recupere a sua independência total, uma soberania completa e uma liberdade sem ambiguidades" (Exortação Apostólica Uma esperança nova para o Líbano, 121).

3. A situação actual no Médio Oriente é particularmente inquietante. O restabelecimento definitivo da paz e da segurança nessa região faz-se esperar cada vez mais e às vezes parece afastar-se.

Não se pode deixar de constatar que o desencadeamento da violência leva sempre a uma infelicidade ainda maior para todos, reanimando as oposições e tornando mais difícil toda a perspectiva de reconciliação. A Terra Santa, onde Deus se manifestou e falou aos homens, deve tornar-se o lugar por excelência em que a paz e a justiça hão-de florescer. Jerusalém deve constituir um símbolo particularmente singular de unidade, de paz e de reconciliação para toda a família humana!

O Senhor Embaixador recordou os eforços levados a cabo pela Santa Sé a fim de contribuir para encontrar uma solução justa e equitativa para a Cidade Santa e especialmente para os Lugares Santos das três religiões que ali coexistem. As relações de confiança que se desenvolvem entre a Sé Apostólica e os povos dessa região fazem esperar que chegará o dia em que, mediante o diálogo e a negociação, assim como no respeito pela dignidade e pela identidade das comunidades, se poderá estabelecer para os Lugares Santos dessa Cidade um Estatuto especial, internacionalmente tutelado.

4. Senhor Embaixador, permita-me dirigir por seu intermédio a mais calorosa saudação aos Patriarcas, aos Bispos e a todos os fiéis das comunidades católicas do Líbano. Neste ano do grande Jubileu, convido-os a deixarem-se renovar por Cristo e a encontrarem n'Ele a força, a alegria e a esperança. Ao darem perseverante continuidade aos seus esforços em vista de entretecer relações cada vez mais fraternais entre os fiéis das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, assim como com os fiéis das religiões monoteístas, em especial com os muçulmanos, eles hão-de contribuir para edificar um Líbano novo, capaz de ultrapassar as incompreensões e buscar em primeiro lugar a felicidade e a prosperidade para todos os seus filhos. Permanecendo firmemente vinculados à sua terra, oxalá eles continuem a trabalhar sem cessar, com todos os seus compatriotas, para servir o bem comum, haurindo da própria fé a sua inspiração e os seus princípios de vida, para serem testemunhas dos valores evangélicos na sociedade!

5. Senhor Embaixador, no momento em que começa oficialmente a sua missão junto da Sé Apostólica, formulo-lhe os meus mais cordiais bons votos para a nobre tarefa que o espera. Tenha a certeza de que encontrará aqui, junto dos meus colaboradores, a recepção atenta e compreensiva naquilo de que poderá ter necessidade.

Invoco do íntimo do coração a abundância das Bênçãos divinas sobre Vossa Excelência, os seus colaboradores, os entes queridos, os responsáveis pela nação e todo o povo libanês.

 

© Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana

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