Senhor Embaixador Fouad Aoun
1. Excelência, é-me particularmente grato
dar-lhe as boas-vindas por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam
como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Líbano
junto da Santa Sé.
Agradeço-lhe as amáveis palavras que Vossa
Excelência me dirigiu e ser-lhe-ia reconhecido se desejasse comunicar a minha
gratidão a Sua Excelência o General Emile Lahoud, Presidente da República
Libanesa, pelos bons votos que me fez chegar por seu intermédio. Através da
sua pessoa, Senhor Embaixador, desejo saudar com afecto todo o povo libanês. A
recordação do caloroso acolhimento que ele me reservou por ocasião da minha
viagem ao Líbano ainda permanece impressa no meu coração.
2. Foi com atenção que ouvi o que Vossa
Excelência compartilhou comigo a respeito do melhoramento da situação no Sul
do Líbano, bem como das evoluções políticas que se verificaram ao longo das
últimas semanas. Formulo votos por que o amor que todos os Libaneses sentem
pela própria Pátria os assista a viver juntos voltando-se para o porvir,
animados pelo desejo ardente de "vencer o desafio da reconciliação e da
fraternidade, da liberdade e da solidariedade, que é a condição essencial
para a existência do Líbano e a consolidação da vossa unidade nesta terra
que tanto amais" (Exortação Apostólica Uma esperança nova para o Líbano,
120). A tentação de um renascimento dos sentimentos, que no passado
tiveram graves consequências, deverá ser evitada sobretudo graças ao
desenvolvimento da democracia e à possibilidade oferecida a todos os cidadãos
de participarem na vida do País, independentemente da sua pertença religiosa
ou comunitária.
A consolidação da confiança entre as
comunidades humanas e religiosas que compõem o País constitui uma condição
necessária para eliminar o medo diante do outro e para reencontrar o gosto de
viver em conjunto. Esta confiança mútua, que deve inspirar a vida social a
todos os níveis, está assente em primeiro lugar sobre a aceitação por parte
de todos dos valores morais universais, tais como o respeito pela vida e os
direitos humanos fundamentais, ou ainda a liberdade de consciência e de religião.
É particularmente urgente permitir que cada um tenha condições de vida
decentes e dignas. A confiança aprofunda-se também mediante um diálogo
paciente e respeitoso entre os componentes da nação, assim como através da
participação comum no progresso do país.
Para se obter este resultado, é necessário
que as pessoas que receberam o cargo de presidir à nação trabalhem com
determinação, desinteresse e perseverança em prol do bem comum, e favoreçam
uma partilha equitativa das responsabilidades, sem buscar privilégios para si
mesmos ou para a sua comunidade. Todavia, como já tive ocasião de o sublinhar,
"isto supõe também que o país recupere a sua independência total, uma
soberania completa e uma liberdade sem ambiguidades" (Exortação Apostólica
Uma esperança nova para o Líbano, 121).
3. A situação actual no Médio Oriente é
particularmente inquietante. O restabelecimento definitivo da paz e da segurança
nessa região faz-se esperar cada vez mais e às vezes parece afastar-se.
Não se pode deixar de constatar que o
desencadeamento da violência leva sempre a uma infelicidade ainda maior para
todos, reanimando as oposições e tornando mais difícil toda a perspectiva de
reconciliação. A Terra Santa, onde Deus se manifestou e falou aos homens, deve
tornar-se o lugar por excelência em que a paz e a justiça hão-de florescer.
Jerusalém deve constituir um símbolo particularmente singular de unidade, de
paz e de reconciliação para toda a família humana!
O Senhor Embaixador recordou os eforços
levados a cabo pela Santa Sé a fim de contribuir para encontrar uma solução
justa e equitativa para a Cidade Santa e especialmente para os Lugares Santos
das três religiões que ali coexistem. As relações de confiança que se
desenvolvem entre a Sé Apostólica e os povos dessa região fazem esperar que
chegará o dia em que, mediante o diálogo e a negociação, assim como no
respeito pela dignidade e pela identidade das comunidades, se poderá
estabelecer para os Lugares Santos dessa Cidade um Estatuto especial,
internacionalmente tutelado.
4. Senhor Embaixador, permita-me dirigir por
seu intermédio a mais calorosa saudação aos Patriarcas, aos Bispos e a todos
os fiéis das comunidades católicas do Líbano. Neste ano do grande Jubileu,
convido-os a deixarem-se renovar por Cristo e a encontrarem n'Ele a força, a
alegria e a esperança. Ao darem perseverante continuidade aos seus esforços em
vista de entretecer relações cada vez mais fraternais entre os fiéis das
outras Igrejas e Comunidades eclesiais, assim como com os fiéis das religiões
monoteístas, em especial com os muçulmanos, eles hão-de contribuir para
edificar um Líbano novo, capaz de ultrapassar as incompreensões e buscar em
primeiro lugar a felicidade e a prosperidade para todos os seus filhos.
Permanecendo firmemente vinculados à sua terra, oxalá eles continuem a
trabalhar sem cessar, com todos os seus compatriotas, para servir o bem comum,
haurindo da própria fé a sua inspiração e os seus princípios de vida, para
serem testemunhas dos valores evangélicos na sociedade!
5. Senhor Embaixador, no momento em que começa
oficialmente a sua missão junto da Sé Apostólica, formulo-lhe os meus mais
cordiais bons votos para a nobre tarefa que o espera. Tenha a certeza de que
encontrará aqui, junto dos meus colaboradores, a recepção atenta e
compreensiva naquilo de que poderá ter necessidade.
Invoco do íntimo do coração a abundância
das Bênçãos divinas sobre Vossa Excelência, os seus colaboradores, os entes
queridos, os responsáveis pela nação e todo o povo libanês.
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