Caríssimos Irmãos e Irmãs
1. Saúdo-vos com afecto, a todos vós, vindos para a
celebração jubilar junto do túmulo de S. Pedro, nesta vigília da
Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. Segundo as imagens do Apocalipse,
Cristo é "o Alfa e o Omega, o Primeiro e o Último, o princípio e o
fim" (Ap. 22, 13). Verdadeiramente "Rei do Universo",
Ele governa tudo e tudo renova para poder, no fim, "entregar" o
mundo ao Pai, "para que Deus seja tudo em todos" (1 Cor 15,
28). Vindes hoje, caríssimos, confiar-Lhe novamente as vossas vidas.
Aplicai-vos para que a sua realeza se manifeste no vosso esforço de viver as
realidades do mundo, transfigurando-as com o amor e o louvor de Deus.
Saúdo cordialmente agora o Cardeal Vigário, Camilo Ruini, que celebrou a
Eucaristia e agradeço-lhe pela homenagem que, em nome de todos, me dirigiu.
Juntamente com ele, saúdo os Bispos e sacerdotes, religiosos e religiosas
aqui presentes.
2. O meu pensamento vai, depois, para vós, que realizais
a peregrinação dos funcionários de vários órgãos constitucionais da República
italiana: a Presidência da República, o Conselho de Ministros, o
Senado da República, a Câmara dos Deputados e o Tribunal de Contas. A todos
saúdo cordialmente.
Recentemente, no Jubileu dos Governantes, dos
Parlamentares e dos Políticos, tive a ocasião de exaltar a nobreza da política,
confirmando a exigência de que ela seja vivida com um alento espiritual,
marcado pela competência e a moralidade. Hoje, estou contente por me dirigir
a vós, que ajudais o trabalho dos políticos e dos governantes. Com o vosso
serviço permanente no interior das Instituições, sois chamados a garantir a
sua continuidade, tom profissional e elevação moral.
3. O vosso trabalho, na realidade, vai para além dos
vossos simples ofícios, contribuindo para o funcionamento global de um
aparato institucional que é de primordial relevância para o bem comum. Para
isto aponta, antes de tudo, o serviço prestado à unidade da Nação pela
Presidência da República e o do governo desempenhado pela Presidência do
Conselho de Ministros. De não menor significado é o papel do Senado da República
e da Câmara dos Deputados para o desempenho da função legislativa, assim
como o papel de garantia desenvolvido pela Corte Constitucional em referência
à conformidade das leis com a Carta magna da República, e o controlo
sobre a gestão da finança pública levado a cabo pelo Tribunal de Contas.
Trabalhando em sectores tão prestigiosos, de certo modo
sois pessoas privilegiadas. E, todavia, é fácil compreender que também no
vosso serviço profissional não faltam dificuldades e desafios. No vosso,
como em todos os outros sectores humanos, a realidade quotidiana está sempre
distante do ideal e, por vezes, também vós, confrontados pelo desafio, sois
tentados a abandonar-vos à "rotina". Não cedais a esta tentação!
Dai sempre alma mesmo ao trabalho mais burocrático. Olhai sempre as pessoas,
os seus problemas e sofrimentos, mesmo quando deveis ocupar-vos delas só
através de papéis e números, artigos de código e áridos regulamentos.
Fazei do vosso trabalho um espaço de verdadeira humanidade e uma ocasião de
aperfeiçoamento moral. A um discípulo de Cristo nunca é consentido
acomodar-se na mediocridade: cada trabalho pode ser caminho de
santidade.
4. Entre as virtudes que devem brilhar em vós, está,
sem dúvida, a lealdade nas confrontações da Instituição, que sois
chamados a servir com pleno respeito, com o primado de Deus: "Dai a
César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (cfr. Mc 12,
17).
Este luminoso princípio evangélico orientou a Igreja
desde as origens, levando-a a nutrir um grande respeito pelas Instituições
civis. Nisso e nos homens que assumem a sua responsabilidade,
temos de ver um sinal da presença de Deus que guia os acontecimentos da
história. Omnis potestas a Deo (Rm 13,
1): todo o poder vem de Deus. Funda-se nisto o dever do respeito que se
deve à lei e aos que exercem a autoridade.
Tudo, porém, está sempre sujeito à soberania de Deus,
a ponto de que em nenhum caso se pode tornar obrigatório o que vai contra a
sua lei. O cristão deve ser testemunha firme deste princípio, indo, se e
quando necessário, "contra a corrente". Encontrará, então, apoio
na força da oração. Como a primeira comunidade de Roma, nos princípios do
século II, os crentes invocam o auxílio divino para quantos estão
investidos de responsabilidade pública, para que o Senhor dirija as suas
decisões segundo o que é bom e agradável a seus olhos (cfr. I Carta de
Clemente, 61).
5. Saúdo-vos, depois, a vós, queridos trabalhadores do
mundo dos transportes, funcionários da ATAC e de outras empresas do Lácio e
de toda a Itália. A vossa realidade é vasta, com uma densa rede de serviços
que em cada dia vos são confiados em favor dos cidadãos. Neste ano do Grande
Jubileu tornastes-vos particularmente beneméritos pelo acolhimento de
numerosos peregrinos: agradeço-vos de coração.
O transporte público, nas actuais condições de cada
vez mais intensos intercâmbios das pessoas e de um trânsito muitas vezes caótico,
é chamado a desenvolver um papel de crescente relevância. É uma exigência
geral, do ponto de vista ecológico e humano, garantir uma "qualidade de
vida" melhor na nossa Cidade. É preciso que as nossas paisagens não se
tornem cada vez mais degradadas ou poluídas, e que seja salvaguardada a
dimensão humana da Cidade. E não depende talvez, tudo isto, também do modo
como o transporte é organizado? E não é necessário demonstrar quão
importante é isto para Roma, para a sua função conjunta de capital da Itália
e de centro da cristandade.
Com efeito, os peregrinos, como os turistas, que chegam
de longe, antes de mergulharem na história de Roma, na sua arte, no seu
significado religioso, antes de mais, é convosco que se encontram. A vossa
disponibilidade, cordialidade e eficiência é como um cartão de apresentação
da "Cidade eterna".
De certo, quem não imagina as dificuldades que podem
tornar difícil o vosso serviço? Esforçai-vos por o desempenhar, apesar de
tudo, como um verdadeiro acto de amor. Empenhai-vos neste particular, abrindo
o coração à graça jubilar que Cristo hoje vos dá. Sede para as pessoas
que transportais outros tantos "cristóforos", portadores de
Cristo, que quer ser encontrado e tratado com amor em cada pessoa,
especialmente nos mais pobres (cfr Mt 25, 35).
6. É-me grato saudar agora o grupo de associados do círculo
da agência ANSA. É conhecido o papel da vossa agência no panorama da
informação. A vossa presença leva-me a invocar o Senhor para que ilumine
quantos trabalham neste sector e os ajude a desenvolver do melhor modo o seu
serviço, hoje tornado particularmente comprometedor e cheio de
responsabilidade, pelas condições gerais do sistema dos mass media e a influência,
não raro exorbitante, exercida por poucos e grandes detentores do poder
informativo.
Ao mesmo tempo que a vós, dou as minhas boas-vindas a
numerosos outros grupos presentes: grupos paroquiais, escolares e
associativos de diversos tipos e proveniência. Desejo-vos, caríssimos, que
vivais este Jubileu como um momento de conversão e de renovação interior.
Cristo pede-vos que adirais com mais força ao seu Evangelho e que o mostreis
por um testemunho coerente. Confiai-vos a Ele! Frente às "sereias"
sedutoras de uma cultura que, quando se afasta d'Ele, promete em vão a
felicidade verdadeira e duradoira, dizei-lhe com a convicção do apóstolo
Pedro: "a quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida
eterna!" (Jo 6, 68).
Maria, Mãe da Igreja, vos obtenha que Cristo, Rei do
Universo, seja o Rei dos nossos corações, das nossas famílias, da nossa
comunidade. Abençoo-vos a todos, em nome do Senhor!