Senhor
Embaixador Victor A. Hidalgo Justo!
1.
É-me grato receber as Cartas Credenciais que o acreditam como Embaixador
Extraordinário e Plenipotenciário da República Dominicana junto da Santa Sé,
manifestando-lhe ao mesmo tempo a minhas mais cordiais boas-vindas e os
melhores votos para a missão que o seu Governo lhe confiou. Agradeço as suas
amáveis palavras e, em particular, a deferente saudação do Senhor
Presidente da República, Engenheiro Hipólito Mejía, da qual se faz
portador. Peço-lhe a bondade de lhe transmitir o meu apreço, juntamente com
os melhores votos para o querido povo dominicano.
Não
posso esquecer que, seguindo a rota dos primeiros evangelizadores, essa foi a
primeira terra americana que me recebeu no início do meu Pontificado. Era
como a porta de entrada para uma parte do mundo, cheia de riqueza humana e de
hospitalidade, na qual se enraizou com vigor a Cruz de Cristo e floresceu a
Igreja, à qual desejei levar "nova esperança à sua esperança" (Discurso
de chegada a Santo Domingo, 25 de Janeiro de 1979, ed. port. de L'Osservatore
Romano de 4/2/1979, pág. 1).
A
este primeiro encontro sucedeu outro, particularmente significativo para a
Igreja e para a América, quando, de novo na República Dominicana, celebrei o
V Centenário da primeira evangelização. Naquela ocasião convidei os
Bispos, reunidos para a IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano,
a receber a herança do incomensurável esforço dos primeiros missionários,
com outro não menos empenhativo e importante para o novo milénio, que é o
da nova evangelização.
2.
Nesta perspectiva da evangelização, que é a missão própria da Igreja,
adquirem um significado particular as relações diplomáticas com a Santa Sé,
que o seu Governo lhe confiou. A respeito disto, a mensagem de Cristo propõe
a salvação para a pessoa humana na sua integridade e, por conseguinte,
pregar o Evangelho significa oferecer luz, infundir esperança e dar renovado
estímulo ao ser humano nas suas possibilidades como indivíduo e como sujeito
essencialmente social. De facto, "a fé
ilumina todas as coisas com uma luz nova e faz-nos conhecer a vontade
divina sobre a vocação integral do homem, orientando assim o espírito para
soluções plenamente humanas" (Gaudium et spes, 11).
Portanto,
a Igreja no respeito estrito das competências próprias das autoridades
civis, busca o bem das pessoas, das famílias, das instituções sociais e da
comunidade nacional. Por isso, uma estreita colaboração com quantos têm a
responsabilidade de administrar o bem comum de um povo, será sem dúvida
alguma em benefício do progresso humano, social e espiritual de todos.
3.
Os pontos de encontro e de colaboração entre a Igreja e os Estados são bem
conhecidos e, mais do que a interesses concretos e particulares, correspondem
àqueles âmbitos nos quais se decide a plena dignidade humana e se cultivam
os valores sobre os quais se deverá construir um mundo cada vez mais justo,
solidário e pacífico. Num momento histórico como o actual, no qual muitos
factores levam a pensar unicamente em resultados imediatos, causando
desconcerto nas pessoas e instabilidade na sociedade, é extremamente
importante velar por que não se perca o que há de mais genuíno e profundo
na natureza humana.
Eis
por que a Igreja pede um esforço da parte de todos, a fim de que a sociedade,
que deve proteger e levar à plenitude a existência de todos os seres
humanos, não se converta, através de fórmulas enganadoras, precisamente
numa ameaça para a sua vida. A inviolabilidade da vida humana, nas diferentes
fases do seu desenvolvimento ou em qualquer situação em que se encontre, é
uma premissa dos restantes direitos humanos, limite para qualquer poder humano
e fundamento para uma consciente e infatigável busca da paz.
4.
A Igreja na República Dominicana não tem deixado de se preocupar pelo bem do
seu povo e pelo progresso humano do País. Faz isto com as suas instituições
educativas e assistenciais, mas sobretudo infundindo um espírito de esperança
cristã e de empenho social, para que todos se sintam responsáveis pela
construção de um futuro melhor. Com isto, só pretende cumprir a sua missão
de evangelizar, firmemente persuadida de que esta é a forma mais nobre e
eficaz de orientar a profunda convicção de cada dominicano para a excelsa
dignidade que Deus lhe deu.
5.
Senhor Embaixador, exprimo-lhe os meus melhores votos para o desempenho da sua
importante Missão diplomática, e também para que Vossa Excelência e a sua
distinta família tenham uma permanência em Roma repleta de felicidade e de
proveito. Vossa Excelência chega num momento particular, quando o Jubileu do
Ano 2000 da Encarnação de Cristo está a chegar à sua conclusão. A Igreja
de Roma esteve aberta ao mundo, a todos os sectores da sociedade, aos fiéis
de qualquer idade e condição social. Vieram procurar uma paz interior que
unicamente a reconciliação com Deus e com os irmãos pode dar. Mas, ao mesmo
tempo, encheram com as suas profundas experiências e enriqueceram com a sua
diversidade todos os recantos desta antiquíssima Sede de Pedro.
Ao
pedir-lhe que se digne transmitir as minhas saudações ao Senhor Presidente
da República, garanto-lhe a minha oração ao Todo-Poderoso, pela materna
intercessão de Nossa Senhora da Altagraça, para que assista sempre com os
seus dons Vossa Excelência, os seus colaboradores, os governantes e cidadãos
do seu nobre País, os quais recordo sempre com particular afecto.
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