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DISCURSO DO SANTO PADRE
 AO NOVO EMBAIXADOR DO CHADE
JUNTO À SANTA SÉ

14 de Dezembro de 2000

 

Senhor Embaixador
Mahmoud Hissein Mahmoud

1. É com prazer que lhe ofereço as boas-vindas, por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Chade junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe as amáveis palavras que me dirigiu, bem como os bons votos que me transmitiu da parte do Presidente da República, Sua Excelência o Senhor Idriss Deby. Ser-lhe-ia muito grato se se dignasse comunicar-lhe os votos cordiais que formulo em favor da sua pessoa e do cumprimento da sua tarefa ao serviço do povo chadiano. Peço também ao Todo-Poderoso que sustenha o compromisso de todos os seus compatriotas em viver na paz e na compreensão mútua, a fim de que todos possam beneficiar de uma existência digna e agradável.

2. Excelência, na sua alocução o Senhor Embaixador ilustrou-me os esforços despendidos no seu País a fim de que a sociedade inteira progrida rumo a uma democracia pluralista, respeitosa dos direitos fundamentais do homem, e de que se confiram bases sólidas para a edificação de um Estado de direito. Assegurando efectivamente às pessoas e aos grupos humanos condições de vida fundamentadas sobre a justiça e o respeito recíproco, encontrar-se-ão os caminhos necessários para preservar de modo duradouro a convivência e a harmonia no seio de toda a sociedade.

A fim de garantir a estabilidade e a segurança, as novas perspectivas económicas que se apresentam ao seu País devem contribuir antes de mais nada para satisfazer as necessidades elementares da população e eliminar as disparidades entre as pessoas e entre as regiões. De qualquer maneira, é oportuno que os benefícios do desenvolvimento, ao qual o conjunto dos chadianos aspira, não se limitem ao legítimo aumento do bem-estar material, mas tornem possível um verdadeiro amadurecimento das pessoas, das famílias e da sociedade, em todas as suas dimensões humanas e espirituais. Se a todos, e particularmente aos mais desfavorecidos, for concedido levar uma vida decente, em conformidade com a sua vocação humana, as ameaças contra a paz hão-de afastar-se e as relações sociais solidárias poderão estabelecer-se de forma duradoura entre todos os componentes da Nação.

3. Alegro-me ao saber que o seu País deseja oferecer um renovado contributo ao serviço da paz nessa região. Ao entrarmos num novo milénio, é cada vez mais urgente que a África inteira se comprometa de modo decidido nos caminhos da paz e da reconciliação, a fim de que finalmente cessem as violências, cujas vítimas são muitas populações inocentes. Os numerosos conflitos que continuam a ferir dramaticamente o continente devem fazer com que todos compreendam, como já tive a ocasião de o realçar, "que chegou o momento de mudar de rumo, com decisão e grande sentido de responsabilidade" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2000, em: ed. port. de L'Osservatore Romano de 18 de Dezembro de 1999, pág. 6, n. 8).

De resto, o encontro fraterno e o diálogo sincero entre os crentes, de forma especial entre cristãos e muçulmanos, são necessidades imperiosas para "nutrir aquela esperança de justiça e de paz, sem a qual não haverá um futuro digno da humanidade" (Discurso a uma Assembleia inter-religiosa, 28 de Outubro de 1999, em: ed. port. de L'Osservatore Romano de 20.11.1999, pág. 10, n. 2). Portanto, para conservar e desenvolver um espírito de confiança e de colaboração entre todos os cidadãos é essencial que os responsáveis civis e religiosos contribuam para melhorar as condições do exercício de uma verdadeira liberdade religiosa.

4. Bem sei que no seu País a comunidade católica, que participa de muitas maneiras no progresso da Nação e também na sua coesão, é respeitada e apreciada pelos responsáveis da vida civil e pelo conjunto da população em geral. Mediante o seu compromisso ao serviço de todos os chadianos sem distinção, ela deseja testemunhar de modo eficaz a mensagem de paz e de reconciliação que recebeu de Cristo. Ela quer também colaborar com todos os homens de boa vontade, para que o valor sagrado da vida de cada pessoa humana seja reconhecido e respeitado, e que se elimine tudo o que se opõe à vida ou ofende a dignidade do homem. Enquanto trabalha em favor do enobrecimento da justiça e da solidariedade, a Igreja deseja indicar aos homens e às mulheres de hoje sinais de esperança para o futuro deles e dos seus filhos.

Senhor Embaixador, permita-me saudar calorosamente, por seu intermédio, os Bispos do Chade e também todos os membros da comunidade católica. Faço votos para que o Ano jubilar que se encerra dê abundantes frutos espirituais, a fim de que os fiéis sejam cada vez mais ardentes discípulos de Cristo e testemunhas do amor de Deus pela humanidade. Juntamente com todos os seus compatriotas, oxalá eles contribuam para a edificação de uma Nação unida e fraterna, onde cada um se sinta plenamente aceite e respeitado!

5. No momento em que Vossa Excelência começa a sua missão, ofereço-lhe os meus melhores votos para a nobre tarefa que o espera. Asseguro-lhe que aqui encontrará sempre uma hospitalidade atenta e uma compreensão cordial junto dos meus colaboradores.

Do íntimo do coração, invoco sobre Vossa Excelência, o povo chadiano e os seus governantes, as abundantes Bênçãos divinas. 

 

© Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana

 

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