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DISCURSO DO SANTO PADRE
AO NOVO EMBAIXADOR DE CHIPRE
JUNTO À SANTA SÉ

Quinta-feira, 14 de dezembro de 2000

 

Senhor Embaixador Christos N. Psilogenis

Sinto-me feliz por lhe dar as boas-vindas e receber as Cartas que o credenciam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Chipre junto da Santa Sé. Grato pelas saudações que me comunicou da parte do seu Governo, peço-lhe que transmita a Sua Excelência o Senhor Presidente Glafcos Clerides a certeza das minhas orações pela paz e o bem-estar da sua Nação.

Não obstante as tentativas de negociação, Chipre ainda se encontra em busca de uma solução para o problema da divisão que desde há muito tempo perturba a Ilha. As raízes de uma solução jazem ainda mais profundas no solo da cultura cipriota, que foi impregnada com a riqueza do Evangelho desde o próprio alvorecer do cristianismo. À luz do Evangelho, o diálogo é considerado como o caminho para ir além do confronto e alcançar a "dignidade, justiça e segurança" das quais Vossa Excelência falou. Eis o motivo por que a Santa Sé insiste sobre a necessidade de edificar uma cultura do diálogo a nível internacional, e especialmente na Europa neste tempo de crescente integração. A unidade europeia exige que as diferenças sejam negociadas e delineadas de maneira a servir o bem comum. E se quisermos que isto se verifique, o único caminho a seguir é o do diálogo aberto e sincero.

Em primeiro lugar, há necessidade de uma genuína aspiração à paz, e isto é certamente verdade para a vasta maioria dos cipriotas, que estão cansados da divisão e almejam por uma vida mais pacífica. O desejo de paz está vinculado ao reconhecimento de que o confronto é fútil. Ele só pode criar problemas mais complicados, quando não degenera em aberta hostilidade.

O diálogo comporta também uma consciência daquilo que separa, juntamente com a vontade de confiar na boa fé da outra parte. Sem isto, não pode haver um verdadeiro encontro de mentes e corações, mas simplesmente dois monólogos que, em última instância, são inúteis. O diálogo exige a disponibilidade em procurar o que é verdadeiro, bom e justo em cada pessoa e grupo. Ele aproxima os seres humanos uns dos outros, como membros da única família humana, com toda a riqueza das suas diversificadas culturas e histórias. Além disso, está assente sobre o reconhecimento da dignidade inalienável de cada ser humano e sobre o respeito pelas exigências objectivas e invioláveis da lei moral universal. Mediante o diálogo, os indivíduos não só se descobrem uns aos outros, mas desvelam também as esperanças legítimas e as aspirações pacíficas, ocultas no seu coração.

Há pessoas que se perguntam se a chamada a este diálogo é realista ou se o próprio processo é de facto possível. A Santa Sé não cessará de apoiar Chipre na tentativa de percorrer o lento e árduo caminho das negociações, e a comunidade católica na sua terra não deixará de se comprometer cada vez mais profundamente na tarefa de edificação das pontes que tornam o diálogo possível. O diálogo ecuménico e inter-religioso constitui uma importante parte deste diálogo da paz, do qual não só Chipre mas toda a Europa e efectivamente o mundo inteiro têm urgente necessidade.
Senhor Embaixador, estou persuadido de que no momento de iniciar a sua missão, os vínculos de amizade e de cooperação que já existem entre a República de Chipre e a Santa Sé serão ulteriormente revigorados e enriquecidos. Formulo-lhe os meus bons votos e asseguro que os departamentos da Cúria Romana estarão sempre prontos a assisti-lo. Sobre Vossa Excelência e os seus compatriotas, invoco as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.

© Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana

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