Senhor Embaixador Christos N. Psilogenis
Sinto-me feliz por lhe dar as boas-vindas e
receber as Cartas que o credenciam como Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário da República de Chipre junto da Santa Sé. Grato pelas saudações
que me comunicou da parte do seu Governo, peço-lhe que transmita a Sua Excelência
o Senhor Presidente Glafcos Clerides a certeza das minhas orações pela paz e o
bem-estar da sua Nação.
Não obstante as tentativas de negociação,
Chipre ainda se encontra em busca de uma solução para o problema da divisão
que desde há muito tempo perturba a Ilha. As raízes de uma solução jazem
ainda mais profundas no solo da cultura cipriota, que foi impregnada com a
riqueza do Evangelho desde o próprio alvorecer do cristianismo. À luz do
Evangelho, o diálogo é considerado como o caminho para ir além do confronto e
alcançar a "dignidade, justiça e segurança" das quais Vossa Excelência
falou. Eis o motivo por que a Santa Sé insiste sobre a necessidade de edificar
uma cultura do diálogo a nível internacional, e especialmente na Europa neste
tempo de crescente integração. A unidade europeia exige que as diferenças
sejam negociadas e delineadas de maneira a servir o bem comum. E se quisermos
que isto se verifique, o único caminho a seguir é o do diálogo aberto e
sincero.
Em primeiro lugar, há necessidade de uma genuína
aspiração à paz, e isto é certamente verdade para a vasta maioria dos
cipriotas, que estão cansados da divisão e almejam por uma vida mais pacífica.
O desejo de paz está vinculado ao reconhecimento de que o confronto é fútil.
Ele só pode criar problemas mais complicados, quando não degenera em aberta
hostilidade.
O diálogo comporta também uma consciência
daquilo que separa, juntamente com a vontade de confiar na boa fé da outra
parte. Sem isto, não pode haver um verdadeiro encontro de mentes e corações,
mas simplesmente dois monólogos que, em última instância, são inúteis. O diálogo
exige a disponibilidade em procurar o que é verdadeiro, bom e justo em cada
pessoa e grupo. Ele aproxima os seres humanos uns dos outros, como membros da única
família humana, com toda a riqueza das suas diversificadas culturas e histórias.
Além disso, está assente sobre o reconhecimento da dignidade inalienável de
cada ser humano e sobre o respeito pelas exigências objectivas e invioláveis
da lei moral universal. Mediante o diálogo, os indivíduos não só se
descobrem uns aos outros, mas desvelam também as esperanças legítimas e as
aspirações pacíficas, ocultas no seu coração.
Há pessoas que se perguntam se a chamada a
este diálogo é realista ou se o próprio processo é de facto possível. A
Santa Sé não cessará de apoiar Chipre na tentativa de percorrer o lento e árduo
caminho das negociações, e a comunidade católica na sua terra não deixará
de se comprometer cada vez mais profundamente na tarefa de edificação das
pontes que tornam o diálogo possível. O diálogo ecuménico e inter-religioso
constitui uma importante parte deste diálogo da paz, do qual não só Chipre
mas toda a Europa e efectivamente o mundo inteiro têm urgente necessidade.
Senhor Embaixador, estou persuadido de que no momento de iniciar a sua missão,
os vínculos de amizade e de cooperação que já existem entre a República de
Chipre e a Santa Sé serão ulteriormente revigorados e enriquecidos.
Formulo-lhe os meus bons votos e asseguro que os departamentos da Cúria Romana
estarão sempre prontos a assisti-lo. Sobre Vossa Excelência e os seus
compatriotas, invoco as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.
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