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DISCURSO DO SANTO PADRE
AO NOVO EMBAIXADOR DO QUÉNIA
 JUNTO À SANTA SÉ

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2000

 

Senhor Embaixador Boaz Kidiga Mbaya

É com prazer que lhe dou as boas-vindas ao Vaticano e recebo as Cartas Credenciais com as quais Sua Excelência o Senhor Presidente Daniel T. Arap Moi o elegeu Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Quénia junto da Santa Sé. Estou grato pelos bons votos do Senhor Presidente e peço que lhe assegure as minhas orações incessantes pelo progresso, a paz e a prosperidade do seu País.

Vossa Excelência referiu-se aos esforços que a Santa Sé tem despendido para promover a justiça e a paz no mundo, e é precisamente este compromisso que caracteriza a presença da Santa Sé no seio da comunidade internacional. Com efeito, as relações fecundas e amistosas que já existem entre nós inspiram-se na comum convicção de que a dignidade e os direitos da pessoa humana devem ser defendidos em todos os tempos e em qualquer circunstância.

Senhor Embaixador, a sua presença hoje aqui constitui um sinal da prontidão do seu Governo em trabalhar pela justiça e a paz a que os povos do Quénia e de toda a África aspiram com tanto ardor. De facto, o compromisso concreto em favor destes ideais é um pressuposto necessário para o desenvolvimento genuíno e o progresso autêntico. Assim, renovo hoje a esperança que expressei há cinco anos, enquanto me encontrava em solo queniano: oxalá cada cidadão do seu País, independentemente da religião, tradição étnica ou classe social, viva em liberdade e ajude a edificar uma sociedade assente no decidido respeito pela dignidade humana e os direitos do homem (cf. Discurso de despedida de Nairobi, 20 de Setembro de 1995, n. 2). Este é o único percurso recto para promover a justiça e o progresso, combater o subdesenvolvimento, dar esperança aos pobres e aos que sofrem, resolver os conflitos através do diálogo e criar uma solidariedade verdadeira e duradoura entre todos as camadas da sociedade.

Tanto na África como no mundo inteiro, a Igreja católica está profundamente comprometida na luta em benefício do desenvolvimento humano integral, e a Santa Sé está muito empenhada nos esforços que visam incrementar a compreensão e a harmonia entre os povos e as nações. Um elemento essencial deste empreendimento consiste em fazer com que os líderes mundiais se tornem cada vez mais conscientes das próprias responsabilidades nestas áreas e das prioridades que eles devem propor para si mesmos e para as instituições dos seus países. Uma das principais destas prioridades é o aprofundamento da compreensão dos seus direitos e responsabilidades pessoais.

Não se trata meramente de tornar acessíveis o conhecimento e a informação; mas também de incutir um perspicaz sentido de responsabilidade pelo bem comum, uma atitude que prepare para todos os sectores da sociedade o caminho rumo a uma participação esclarecida nos assuntos públicos. Esta é a alma do progresso social, a chave para o porvir, o elemento necessário para programas de desenvolvimento genuinamente eficazes.

Como se pode ver de forma muito clara através das dificuldades insolúveis e até mesmo crescentes presentes em muitas partes da África, e não menos na sua própria região continental o progresso não é um processo simples, automático e ilimitado, como se as sociedades fossem capazes de progredir infinitamente rumo a uma espécie de perfeição (cf. Carta Encíclica Sollicitudo rei socialis, 27). Enquanto o desenvolvimento social e político é necessário para a consecução e a manutenção da paz e a segurança nas nações e entre elas, não pode ser autenticamente alcançado sem o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. O bom governo e o desenvolvimento de cada país só pode ser o resultado da acção concertada, de modo especial no que diz respeito à defesa da dignidade humana, à protecção dos direitos humanos e à administração da justiça. Em última análise, todos os problemas básicos de justiça têm como causa principal o facto de que a pessoa não é suficientemente respeitada, considerada ou amada por aquilo que é em si. As pessoas devem aprender ou aprender de novo a olhar umas para as outras, a escutar-se de forma recíproca e a caminhar juntas (cf. Discurso ao Corpo Diplomático, 16 de Janeiro de 1993, n. 6).

Neste contexto, desejo expressar uma vez mais a minha esperança de que a comunidade internacional mostre uma preparação cada vez maior no momento de abordar os desequilíbrios e as injustiças que se edificam sobre as estruturas da economia global e que têm sérias repercussões para os povos da África. Uma iniciativa que procurei apresentar à opinião mundial, durante este ano do grande Jubileu, foi a redução da dívida externa de países como o de Vossa Excelência; contudo, este não pode constituir um gesto isolado. Ele deve ser acompanhado de uma reavaliação compreensiva dos modos de funcionamento da economia mundial, especialmente numa época em que as forças da globalização se estão a tornar sempre mais poderosas.

O processo de globalização traz consigo uma promessa de maiores coesão e prosperidade. Todavia, há também o perigo de agravar os desequilíbrios económicos, deixando os países em vias de desenvolvimento, como o de Vossa Excelência, ainda mais seriamente prejudicados. Senhor Embaixador, asseguro-lhe que a Santa Sé deseja continuar a fazer tudo o que for possível para convencer os governantes e as instituições mundiais de que a globalização da economia deve ser acompanhada e "humanizada" pela "globalização da solidariedade". Sem ela, é improvável que obtenhamos bom êxito na edicação de um futuro digno da humanidade.

Naturalmente, em todos estes empreendimentos os católicos do Quénia estão prontos a oferecer o próprio apoio e a contribuir para a vida e o desenvolvimento da sua Nação. Com efeito, isto faz parte da missão espiritual que foi confiada à Igreja pelo seu Fundador divino e, em fidelidade a esta missão, ela procura servir as pessoas, de forma especial os indivíduos mais necessitados. A sua fé no Evangelho de Jesus Cristo impele os cristãos a responder ao brado dos iletrados, dos enfermos, dos que sofrem e dos marginalizados. Em cooperação com os seus compatriotas, os membros da comunidade católica hão-de continuar a despender as próprias energias ao serviço do bem comum, e agradeço a Vossa Excelência o seu reconhecimento pela obra da Igreja católica no Quénia e a sua influência positiva na sociedade em geral.

Senhor Embaixador, faço extensivos a Vossa Excelência os meus bons votos pelo encargo como representante da sua missão junto da Santa Sé e garanto-lhe toda a assistência necessária no cumprimento da sua alta missão. Que Deus Omnipotente o abençoe abundantemente, bem como os seus compatriotas.


  © Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana

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