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DISCURSO DO SANTO PADRE AO
NOVO EMBAIXADOR DO MALAVI JUNTO À SANTA SÉ
Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2000
Senhor Embaixador Silas Samuel Ncozana
É com enorme prazer que lhe dou as boas-vindas hoje e aceito as Cartas
Credenciais com que Vossa Excelência é nomeado Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário da República do Malavi junto da Santa Sé. Estou grato pelos
bons votos que me comunicou da parte do Presidente, Sua Excelência o Senhor
Bakili Muluzi, e peço que lhe transmita a minha cordial saudação e a certeza
das minhas orações ao Deus Omnipotente pela paz e o bem-estar da nação.
Vossa Excelência observou que, para o Malavi, este é um tempo tanto de
promessas como de ameaças. Com a chegada da democracia, a sociedade foi
notavelmente beneficiada em muitos sectores, e este é um motivo de satisfação.
Entretanto, todos os habitantes do Malavi reconhecem a necessidade de fortalecer
ainda mais as estruturas da vida democrática, que são sempre mais frágeis do
que parecem. Enquanto o verdadeiro sentido de participação e de
responsabilidade mútua pelo bem comum não criar raízes profundas na vida
nacional, existirá sempre a ameaça da divisão e da violência, uma vez que as
pessoas são tentadas a escolher a força, e não o diálogo, como instrumento
de organização da comunidade política. As recentes eleições a que Vossa
Excelência fez referência constituem um sinal esperançoso de que o Malavi está
a caminhar na direcção justa, rumo ao desenvolvimento integral de todos os
sectores da sociedade. Seguir este caminho não significa adoptar formas de
organização social sem qualquer critério, as quais podem ser apropriadas em
outras sociedades, mas inoportunas no Malavi. O seu povo deve forjar uma vida
democrática que seja verdadeiramente africana e respeite o génio da cultura do
Malavi. Contudo, existem valores comuns entre todas as sociedades e cada uma das
democracias consolidadas; e serão elas que indicarão o caminho para o futuro,
pelo qual agora o povo do Malavi está a lutar.
Vossa Excelência mencionou os arrojados problemas que o seu país deve
enfrentar, e a Santa Sé compartilha o seu sentido de solicitude. Algumas das
questões não são novas. Desde há muito tempo o Malavi tem sido vítima de
uma pobreza endémica, que cria uma situação de dependência dos países
doadores. As causas são tanto internas como externas, e quaisquer tentativas de
resolver o problema devem ser nacionais e ao mesmo tempo internacionais.
A educação é claramente um factor vital num país em vias de desenvolvimento,
dado que a ignorância e a pobreza sempre conspiram para debelar a dignidade
humana e o tecido da sociedade. Toda a educação se inspira numa particular
compreensão da vida e da condição humana. Neste sentido, a educação
religiosa desempenha um papel singular no processo educativo, uma vez que nunca
é a mera transmissão de conhecimentos acerca da religião em geral, mas atinge
os recantos da consciência de cada um e diz respeito ao direito inviolável que
cada pessoa tem à liberdade neste sector básico da vida. Eis o motivo por que
o Estado é obrigado a respeitar as opções que os pais fazem em relação à
educação religiosa dos próprios filhos. O dever do
Estado consiste em assegurar a liberdade que os seus cidadãos têm de
fazer tais escolhas e não em procurar limitá-los ou controlá-los.
A Igreja católica sempre dedicou recursos notáveis ao campo da educação, e
também no caso do Malavi, como Vossa Excelência quis gentilmente reconhecer. A
educação que a Igreja promove tem em vista o desenvolvimento integral da
pessoa humana. O seu objectivo é cultivar a inteligência e desenvolver a
capacidade de um juízo recto, ajudar os jovens a assimilar a sua herança
cultural e formar um sentido dos valores morais e éticos, na disponibilidade às
suas futuras responsabilidades profissionais, cívicas, familiares e nacionais
(cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Gravissimum educationis, 5). A
educação integral procura desenvolver cada um dos aspectos do indivíduo físico,
intelectual, emocional, moral e espiritual. Pois existe uma ecologia do
crescimento humano que significa que, se qualquer um desdes elementos for
espezinhado, todos os outros hão-de ser prejudicados. Trata-se da visão da
educação, que deve inspirar os líderes do Malavi
na sua luta em prol da elevação dos níveis da educação.
O Senhor Embaixador mencionou também os problemas de saúde que hoje a sua nação
deve enfrentar, como por exemplo o hiv/sida, que lança uma grave sombra sobre
essa terra. O mundo depende da investigação médica para oferecer uma resposta
a este vírus mortal, e existem sinais de esperança nesta frente. Mas
entretanto existem desafios enormes em países como o seu: ajudar os
doentes; cuidar dos sobreviventes, de maneira especial dos órfãos; amadurecer
a consciência geral acerca da natureza e da difusão deste problema; resistir
à erosão moral que favorece a propagação desta enfermidade; evitar estilos
de vida que agravam esta debilitação; revigorar a família de todas as formas
possíveis, reconhecendo que ela é a unidade básica da sociedade humana e o
primeiro lugar em que a virtude moral e a cultura da vida devem radicar-se.
Nestas tarefas, o Malavi encontrará sempre na Igreja católica um parceiro de
confiança. Como Vossa Excelência disse, a assistência médica católica faz
parte da história do seu país, e não o será em menor medida no futuro. Tanto
as necessidades do seu País como as exigências do Evangelho impõem este dever
sobre nós.
Senhor Embaixador, estou convicto de que, ao cumprir a sua missão, as relações
cordiais que já existem entre a República do Malavi e a Santa Sé serão
ulteriormente revigoradas e enriquecidas. Formulo-lhe os meus melhores votos e
asseguro que os departamentos da Santa Sé estarão sempre prontos a assisti-lo.
Sobre Vossa Excelência e todos os cidadãos da sua amada Nação, invoco as
abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.
© Copyright 2000 - Libreria Editrice Vaticana
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