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DISCURSO DO SANTO PADRE
AO EMBAIXADOR DA FINLÂNDIA
JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO DA
APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

6 de Dezembro de 2001

 

Senhor Embaixador

1. Sinto-me feliz por receber Vossa Excelência nesta solene circunstância da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador extraordinário e plenipotenciário da República da Finlândia junto da Santa Sé.

Senhor Embaixador, agradeço-lhe profundamente as saudações que me transmitiu da parte de Sua Excelência a Senhora Tarja Halonen, Presidente da República. Ficar-lhe-ia grato por se dignar transmitir os meus respeitosos votos pela sua pessoa, assim como pelo povo finlandês que hoje celebra a sua festa nacional. Peço a Deus que acompanhe os esforços de cada um na obra de edificação de uma nação cada vez mais fraterna e solidária.

2. Vossa Excelência recordou que a Finlândia festeja hoje o 84º aniversário da sua independência, adquirida durante a tragédia da grande guerra que assolou a Europa. O seu país, que se empenha sempre pela busca da paz, uniu-se ao projecto de reconstrução da Europa, e actualmente participa nele plenamente. A Santa Sé, como Vossa Excelência sabe, segue com atenção o desenvolvimento desta realização, que se distingue pelo espírito de diálogo e de negociação, dado que permitiu a nações outrora inimigas empenharem-se primeiro num projecto de cooperação recíproca, e depois, numa verdadeira comunidade de nações. A moeda comum, que começará a circular a partir de 1 de Janeiro próximo, representa mais um passo no caminho desta evolução. O processo de alargamento da União a novos países membros na Europa já está claramente em curso, e com isto nos alegramos; como não pensar no facto de que o que se realiza neste continente não possa, duma ou doutra forma, ser um exemplo para muitas outras nações ou regiões do mundo ainda submetidas à hostilidade e aos conflitos internos? Felicitamo-nos porque, neste espírito, o seu país, consciente desta responsabilidade moral e política da Europa, se empenha com determinação na defesa dos direitos do homem e na ajuda aos países em vias de desenvolvimento.

3. Vossa Excelência, Senhor Embaixador, realçou também como a situação internacional que o nosso mundo vive há vários meses suscita questões junto das Autoridades civis das nações e dos seus cidadãos. Além do terrível e intolerável desencadeamento do terrorismo que atingiu os Estados Unidos da América, esta situação realçou as graves tensões que ameaçam os equilíbrios frágeis entre as nações, e as situações de injustiça que, desde há muito tempo causam danos e fomentam o rancor e o ódio, se tornaram verdadeiras fontes de violências entre os homens. Como Vossa Excelência recordou oportunamente, esta situação leva-nos a fazer uma reavaliação do mundo actual e a interrogar-nos sobre quais sejam os nossos valores fundamentais.

O projecto europeu, que acabamos de recordar, não nasceu por acaso. Ele tem uma história e uma alma, forjadas ao longo de séculos de tradição cultural, moral e religiosa, onde a fé cristã ocupa um lugar importante que ninguém pode negar. E se hoje os Estados europeus vivem segundo o princípio da legítima autonomia das realidades terrestres, eles não podem nem devem esquecer a tradição que está na sua origem. O homem europeu tem o gosto da liberdade e o sentido da pessoa, conhece os direitos do homem e a dignidade fundamental de cada um, e deseja a paz. Deve tudo isto em grande parte a esta rica história. A Europa está chamada a manter viva esta herança, dando um novo vigor às instituições que estão na base da sua vida social, como o matrimónio e a família. Ela não pode deixar de proclamar os direitos imprescindíveis da pessoa e, ao mesmo tempo, deixar que se atente contra a existência do homem, quer no seu início quer no seu fim, ou mediante manipulações que são contrárias ao respeito devido a qualquer ser humano. Oxalá ela possa, ao contrário, promover em todos os campos uma verdadeira cultura da vida!

4. Sinto-me feliz por poder saudar, através de Vossa Excelência, a comunidade católica da Finlândia. Ela é pouco numerosa e está habituada a viver um ecumenismo na vida quotidiana com os cristãos de outras confissões, que são os mais numerosos. Encorajo-os a assumir o seu lugar original na sociedade finlandesa, testemunhando com convicção a sua fé em cristo, desenvolvendo os vínculos fraternos na oração e mediante o testemunho com os irmãos cristãos de outras confissões, em comum, todas as vezes que for possível. Alegro-me por saber que a presença da Igreja católica é apreciada no seu país, não só pelo seu contributo espiritual mas também pelo social e educativo, e faço votos para que a nova lei sobre a liberdade religiosa permita reconhecer e promover concretamente uma igualdade cada vez maior entre todas as religiões oficialmente reconhecidas na Finlândia.

5. Senhor Embaixador, hoje Vossa Excelência inicia a nobre missão de representar o seu país junto da Santa Sé. Digne-se aceitar os votos mais cordiais que formulo pelo seu feliz êxito e tenha a certeza de que terá sempre a compreensão e o apoio necessário dos meus colaboradores!

Sobre Vossa Excelência, a sua família, os seus colaboradores e sobre todos os seus compatriotas, invoco do coração a abundância das Bênçãos divinas.

 

© Copyright 2001 - Libreria Editrice Vaticana

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