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DISCURSO DO SANTO PADRE
AO NOVO EMBAIXADOR DO GÂMBIA
 JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO DA
APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

 18 de Maio de 2001

Senhor Embaixador

No momento em que Vossa Excelência apresenta as Cartas Credenciais através das quais é designado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Gâmbia junto da Santa Sé, apresento-lhe calorosas saudações e dou-lhe as boas-vindas ao Vaticano. Com gratidão pelos bons votos que o Senhor Embaixador me transmitiu da parte de Sua Excelência o Senhor Presidente Yahya Jammeh, pediria que lhe comunicasse as minhas saudações cordiais e a certeza das minhas preces pela paz e pelo bem-estar da sua Nação.

Embora já tenham passado nove anos desde a minha Visita Pastoral ao Gâmbia, as recordações do período que lá passei no meio do seu povo ainda permanecem vivamente impressas na minha mente. As minhas viagens aos numerosos países do mundo são realizadas principalmente como Bispo de Roma e Sucessor de São Pedro, ao serviço da Igreja universal. Contudo, ao mesmo tempo, elas oferecem-me a possibilidade de manifestar a solidariedade da Igreja para com os povos do mundo que buscam a paz, o progresso humano e uma resposta justa para as questões morais e éticas que hoje eles devem enfrentar.

É neste contexto que, de bom grado, observo os comentários de Vossa Excelência, reconhecendo a educação e os valores religiosos como factores-chave para a formação de uma cultura de moralidade, dotada de um sentido de responsabilidade pessoal e colectiva em relação ao porvir. A Igreja católica será sempre uma promotora firme e incansável das normas morais universais e imutáveis, papel este que ela exerce com a exclusiva finalidade de servir a verdadeira liberdade do homem. Uma vez que "não há liberdade fora ou contra a verdade, a defesa categórica, ou seja, sem concessões nem compromissos, das exigências absolutamente irrenunciáveis da dignidade pessoal do homem, deve considerar-se caminho e condição para a própria existência da liberdade" (Veritatis splendor, 96). Além disso, este serviço por parte da Igreja tem em vista não só os indivíduos, mas toda a humanidade: ele considera cada pessoa separadamente, a comunidade política e a sociedade humana em geral. "Estas normas constituem, de facto, o fundamento inabalável e a sólida garantia de uma justa e pacífica convivência humana e, portanto, de uma verdadeira democracia, que só pode nascer e crescer sobre a igualdade de todos os seus membros, irmanados nos direitos e nos deveres" (Ibidem).

Portanto, existem regras morais fundamentais de vida social que trazem consigo exigências específicas, em conformidade com as quais é necessário que actuem as autoridades públicas e os cidadãos em particular. Esta moralidade latente deve orientar todos os aspectos da vida social e política. De facto, é uma triste realidade o facto de que, no alvorecer de um novo milénio, sérias formas de injustiça social e económica, bem como de dominação política, ainda atinjam povos e nações inteiras em várias regiões do mundo, tanto no seu continente africano como noutras partes. Há uma indignação crescente por parte de inúmeros homens e mulheres, cujos direitos fundamentais continuam a ser espezinhados e desprezados. Por este motivo, existe um sentido cada vez mais claro da urgente necessidade de uma radical renovação pessoal e social nos campos da justiça, honestidade, abertura e solidariedade.

Contudo, o caminho em frente ainda é longo e árduo. Realizar as mudanças necessárias vai exigir um grande esforço, de forma especial em virtude das numerosas e graves causas que dão origem e agravam todas as situações de injustiça presentes no mundo contemporâneo. Porém, reconhecendo e respeitando as verdades perenes e objectivas as normas universais, em conformidade com as quais o homem obtém a plena liberdade e alcança a sua identidade completa havemos de encontrar o fundamento para as relações seguras e justas entre as pessoas. A Santa Sé sempre se pronunciará no foro internacional, com voz alta e clara, para defender e promover a dignidade transcendente da pessoa humana. É em virtude desta dignidade que todos os indivíduos sãos e enfermos, jovens e idosos, fortes e frágeis, ricos e pobres, nascidos e nascituros são receptáculos de direitos que ninguém pode violar: nenhuma pessoa, grupo, classe, nação, estado ou organismo internacional.

O Gâmbia é um País que tem uma profunda tradição de coexistência pacífica no meio do seu povo, uma Nação em que os ideais da tolerância, da justiça e da liberdade são altamente valorizados. Embora sejam uma minoria, os católicos do Gâmbia consideram-se verdadeiros filhos e filhas da sua terra, uma parte integrante da sua Nação. A comunidade católica continuará a fazer tudo o que lhe é possível a fim de contribuir para um desenvolvimento que beneficie a todos, de modo especial através da actividade da Igreja nos campos da educação, da assistência médica e dos serviços sociais. A promoção de políticas de justiça, de solidariedade e de serviço ao bem comum é o caminho que a sociedade do Gâmbia pode percorrer com confiança, rumo a uma prosperidade cada vez mais vasta e uma paz estável. Agradeço-lhe o facto de ter reconhecido a contribuição passada e presente da Igreja católica à sua Nação.

Senhor Embaixador, no momento em que dá início à sua missão, asseguro-lhe toda a assistência de que poderá ter necessidade no cumprimento dos seus deveres. Estou persuadido de que o seu trabalho servirá para fortalecer as boas relações já existentes entre a Santa Sé e a República do Gâmbia. Sobre Vossa Excelência e todo o povo do seu País, invoco as copiosas bênçãos de Deus Todo-Poderoso.


© Copyright 2001 - Libreria Editrice Vaticana

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