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DISCURSO DO SANTO PADRE
AO NOVO EMBAIXADOR DA GUINÉ
JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

18 de Maio de 2001

 

Senhor Embaixador

1. É com grande prazer que recebo Vossa Excelência por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Guiné junto da Santa Sé.

Sensibilizaram-me as suas amáveis palavras que manifestam a consideração do seu País pelos valores espirituais. Queira transmitir a Sua Excelência o Senhor Presidente da República, General Lansana Conté, os meus cordiais votos pelo cumprimento da sua nobre tarefa ao serviço da Nação. Saúdo calorosamente todo o povo da Guiné, pedindo a Deus que o oriente e apoie nos seus esforços para progredir pelos caminhos do desenvolvimento humano e espiritual. O Altíssimo conceda que todos vivam em paz e em tranquilidade!

2. Como Vossa Excelência recordou, Senhor Embaixador, há vários meses que o seu País enfrenta graves problemas de segurança em algumas das suas fronteiras e deve receber generosamente numerosos refugiados que fogem de violências que se verificam em países vizinhos.

Perante tantos sofrimentos, é urgente que na região se estabeleça rapidamente uma paz autêntica, a fim de que as populações possam finalmente regressar às suas terras e viver em segurança. Para isto, é necessário que se desenvolva em toda a parte a consciência de que a humanidade está chamada por Deus a formar uma única família. O estabelecimento de relações harmoniosas entre as pessoas e grupos humanos no interior de cada nação, assim como entre todas as nações, deve ser uma prioridade sobretudo para quantos têm a missão de governar os povos e de os manter na concórdia. Faço sentidos votos por que na África, continente martirizado por tantas violências, todos se empenhem corajosamente e com audácia por tornar possíveis as condições de uma verdadeira reconciliação, para que terminem definitivamente todas as guerras fratricidas.

3. Contudo, como já tive ocasião de recordar, "não há paz verdadeira sem equidade, verdade, justiça e solidariedade. Está destinado à falência qualquer projecto que deixe separados dois direitos indivisíveis e interdependentes: o direito à paz e o direito a um progresso integral e solidário" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2000, n. 13). No início do novo milénio, o nosso mundo permanece marcado por numerosas contradições, entre as quais a mais evidente é a de povos inteiros que enfrentam condições de vida que não respeitam a dignidade das pessoas, enquanto alguns privilegiados beneficiam amplamente das enormes possibilidades do crescimento económico, cultural e tecnológico. Desejaria aqui renovar o meu apelo à solidariedade em favor dos países mais pobres, sobretudo no continente africano. De facto, quando numerosas nações se confrontam com os novos problemas que surgem da mundialização, é necessário um suplemento de imaginação para considerar a cooperação internacional e para alcançar o restabelecimento de uma verdadeira cultura da solidariedade. Desta forma, favorecendo o sentido dos valores morais universais, sobretudo mediante a luta contra todas as formas de corrupção, poder-se-á contribuir para o progresso dos países economicamente menos desenvolvidos e permitir que um maior número de pessoas beneficie dos seus frutos.

4. No seu País, as relações entre cristãos e muçulmanos são geralmente boas, e as colaborações com vista ao bem comum são frequentes. De facto, é favorável e indispensável para a afirmação da unidade nacional que as diferentes comunidades religiosas que compõem o país procurem cada vez mais valorizar o que as une, sem cotudo negar o que as separa, a fim de dar uma qualidade sempre maior à vida que elas partilham no dia-a-dia. A consolidação das relações fraternas entre todos os cidadãos comporta a exigência de uma educação sólida das pessoas, sobretudo das jovens gerações, para a aceitação e estima do próximo. Como tive recentemente ocasião de afirmar, "é da máxima importância ensinar aos jovens os caminhos do respeito e da compreensão, para que não sejam tentados a fazer um mau uso da própria religião para promover ou justificar o ódio e a violência" (cf. Discurso na Mesquita "Omeyylde" em Damasco, a 6 de Maio de 2001, n. 3).

5. Nesta feliz ocasião, Senhor Embaixador, permita-me que dirija as minhas calorosas sadações aos Bispos e aos católicos do seu Pais. Encorajo-os sentidamente no seu caminho de seguimento de Cristo, a fim de que o Grande Jubileu, que eles celebraram com fervor, de frutos abundantes para o maior bem das suas familias e de toda a sociedade. Oxalá, em colaboração com os seus compatriotas, continuem a trabalhar fervorosamente pela edificação de uma sociedade cada vez mais fraterna e acolhedora de todas as pessoas que sofrem ou que se encontram em necessidade.

6. No momento em que Vossa Excelência inicia a sua missão junto da Santa Sé, apresento-lhe os meus melhores votos. Tenha a certeza de que aqui encontrará sempre o acolhimento atento e a compreensão cordial dos meus colaboradores.

Sobre Vossa Excelência, a sua família, o povo da Guiné e os seus dirigentes, invoco de coração a abundância das Bênçãos divinas.

 

© Copyright 2001 - Libreria Editrice Vaticana

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