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DISCURSO DO SANTO PADRE
 À NOVA EMBAIXADORA DA TUNÍSIA
 JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO DA
 APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

18 de Maio de 2001 

 

Senhora Embaixadora

1. Sinto-me feliz por receber Vossa Excelência no Vaticano, por ocasião da apresentação das Cartas que a acreditam como Embaixadora Extraordinária, e Plenipotenciária da República da Tunísia junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe as amáveis palavras que me dirigiu e peço-lhe a amabilidade de transmitir a Sua Excelência o Senhor Presidente da República Zine El Abidine Ben Ali, os meus cordiais votos para a sua pessoa e os seus compatriotas. Recordando-me do acolhimento caloroso que me foi reservado quando visitei a Tunísia, peço ao Altíssimo que conceda a todos os tunisianos prosseguir com coragem os seus esforços com vista à edificação de uma nação solidária e fraterna, onde cada um possa encontrar uma resposta conveniente às justas aspirações e viver na justiça e na paz.

2. No seu discurso, Vossa Excelência realçou a importância dada pela Tunísia à liberdade de consciência e ao livre exercício de todos os cultos. A generosa tradição de hospitalidade do povo tunisiano e o respeito que ele sabe testemunhar aos seus hóspedes são, de facto, bem conhecidos e honram qualquer nação. Alegro-me profundamente pela parte que o seu País assume, desde há muitos anos, na instauração de um diálogo sincero entre as culturas e entre as religiões. Este compromisso é uma contribuição importante para o estabelecimento de relações cada vez mais solidárias entre as comunidades humanas e religiosas. De facto, como escrevi na minha Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro 2001, "o diálogo leva a reconhecer a riqueza da diversidade e predispõe os ânimos para a recíproca aceitação, em ordem a uma autêntica colaboração, de acordo com a primordial vocação à unidade de toda a família humana" (n. 10).

Para que este diálogo possa prosseguir e desenvolver-se na verdade, é indispensável que os Estados garantam a todos os cidadãos e a todas as pessoas que vivem nos seus territórios uma plena liberdade religiosa, que respeite a consciência de cada pessoa, que deve poder determinar-se livremente e de forma responsável em matéria religiosa, tutelando o bem comum.

3. Como Vossa Excelência sabe, o respeito e a dignidade da pessoa, em todos os âmbitos da existência, é para a Igreja católica um princípio fundamental que deve orientar todos os responsáveis da vida pública. Por outro lado, a experiência mostra também que ignorar o valor transcendente dos direitos fundamentais da pessoa humana não pode deixar de conduzir à violência e à instabilidade.

Para que possa ser um componente constitutivo e constante da vida social, o respeito da pessoa deve ser inculcado a partir da mais tenra idade, através da educação à qual todos, jovens e moças, devem poder ter igual acesso. Alegro-me por saber que na Tunísia, se realiza um esforço importante a fim de permitir o acesso de todos os jovens à formação. De facto, é necessário que cada um possa ser ajudado a ter um pleno desenvolvimento das suas capacidades humanas e espirituais pessoais. Todavia, a educação também deve permitir que se abram os espíritos à solidariedade e ao respeito recíproco entre as pessoas e entre as comunidades humanas e religiosas, pois a promoção  do  bem  do  indivíduo  deve estar ligado ao serviço do bem comum.

Desta  forma  poder-se-á  desenvolver uma tomada de consciência renovada da dignidade humana e do carácter inalienável dos direitos fundamentais de todas as pessoas. Por conseguinte, é nesta perspectiva que todos os cidadãos devem poder exercer plenamente os direitos que derivam da sua dignidade humana e contribuir livremente para a vida social e política da comunidade nacional, permitindo que todos empreguem as suas competências ao serviço da sociedade.

4. A actualidade destas últimas semanas, sobretudo na Terra Santa, mostra a urgência de trabalhar cada vez com mais audácia pela promoção do direito dos povos a viver em paz e em segurança.

Desejaria recordar, mais uma vez, que a violência não resolve os problemas da coexistênia entre os povos; ela torna ainda mais difícil a sua resolução. Unicamente a busca da justiça, na confiança recíproca e em conformidade com os direitos internacionais, pode contribuir para encaminhar a humanidade pelos caminhos de uma paz verdadeira, onde os direitos de cada povo à existência e ao progresso são respeitados. Encorajo os esforços realizados pelo seu País, em harmonia com a comunidade internacional, para que se realizem em todas as partes do mundo, e sobretudo no Médio Oriente, novos progressos rumo à paz e à solidariedade entre as nações.

Por seu intermédio, Senhora Embaixadora, desejaria saudar calorosamente o Bispo de Túnis e toda a comunidade católica do seu País. Conheço o apego que têm pela Tunísia, a estima pela sua cultura e o desejo de prosseguir um diálogo sincero e fraterno com todos os crentes do Islão. No início deste novo milénio, aproveito esta ocasião para convidar os católicos a progredir cada vez mais na fé, numa profunda comunhão entre eles e com toda a Igreja, a fim de que, mediante o seu testemunho de vida ao serviço de Deus e dos irmãos, sejam artífices audaciosos de paz e de fraternidade, no respeito de todos.

6. No momento em que inicia a sua missão, apresento-lhe os meus votos cordiais pela nobre tarefa que a espera. Tenha a certeza, Senhora Embaixadora, que encontrará aqui, nos meus colaboradores, o acolhimento atento e compreensivo do qual poderá precisar.

Sobre Vossa Excelência, sobre a sua família bem como sobre todo o povo e responsáveis da Nação tunisiana, invoco de coração a abundância das Bênçãos do Todo-Poderoso.

 

© Copyright 2001 - Libreria Editrice Vaticana

 

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