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DISCURSO DO SANTO PADRE
 AO NOVO EMBAIXADOR DA ZÂMBIA
 JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

 18 de Maio de 2001 

 

Senhor Embaixador

No momento em que Vossa Excelência chega ao Vaticano para apresentar as Cartas que o credenciam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Zâmbia junto da Santa Sé, é com prazer que lhe ofereço as minhas cordiais boas-vindas. As saudações que o Senhor Embaixador me transmite da parte do seu Presidente, Dr. Frederick J. Chiluba, são muito estimadas e pedir-lhe-ia a amabilidade de lhe comunicar a certeza das minhas orações pelo bem-estar e a prosperidade da sua Nação.

Em resposta às suas observações, de que não se deveriam poupar esforços no caminho da paz, desejo expressar a minha satisfação pela participação activa do seu País na busca da paz, uma actividade que a sua Nação empreende não só para o seu próprio benefício, mas também para o bem dos seus vizinhos e da comunidade internacional em geral. Os esforços da Zâmbia neste campo são verdadeiramente dignos de apreço, e transmito uma palavra de especial elogio ao Senhor Presidente Chiluba pelo seu papel pessoal nas negociações permanentes na República Democrática do Congo, onde o chamado "Lusaka Protocol" lançou o fundamento para o tão almejado desenvolvimento do processo de paz. Em tudo isto, o compromisso do seu País na causa da pacificação constitui um exemplo eloquente da solicitude e da acção, que são uma característica distintiva das sociedades verdadeiramente civilizadas e humanas.

É verdade, como Vossa Excelência observou, que a participação e o apoio activos da comunidade internacional são elementos necessários para qualquer iniciativa de paz, se nisto se quiser obter bom êxito. Com efeito, a paz duradoura a níveis nacional, regional e planetário jamais será alcançada, enquanto os líderes mundiais não reconhecerem que a interdependência, mediante a qual todas as nações estão ligadas entre si, exige a renúncia a todas as formas de coerção económica, militar ou política, e também a transformação da suspeita e da inimizade em cooperação e confiança. Em síntese, aqui estamos a falar de uma autêntica solidariedade entre os indivíduos, os povos e as nações.

Este conceito de solidariedade significa que ninguém especialmente as nações e as organizações internacionais pode permanecer indiferente ou inactivo diante da violência e da guerra, da tortura e do terrorismo, da corrida aos armamentos e de tudo aquilo que compromete a paz. Ao contrário, ela interpela todas as pessoas que verdadeiramente buscam a paz, e de forma especial os indivíduos que trabalham em instituições específicas, a fim de que trabalhem juntos para promover um extensivo programa de educação, que vise ultrapassar as atitudes de egoísmo e de hostilidade, criando ao contrário uma verdadeira  cultura  da  paz  e  da  solidariedade.

Quando falou do compromisso do seu País no trabalho em prol da causa da paz, Vossa Excelência reconheceu também os esforços da Santa Sé neste mesmo sector. Com efeito, é precisamente a tarefa de promover a compreensão e o progresso do desenvolvimento e da paz entre os povos e as nações que inspira a actividade diplomática da Santa Sé. Na realidade, o divino Fundador da Igreja confiou-lhe uma missão religiosa e humanitária, naturalmente diversa da que pertence à comunidade política, e contudo aberta a numerosas formas de colaboração e de apoio recíproco. De acordo com a missão que lhe é própria, a presença da Santa Sé na comunidade internacional visa unicamente o bem-estar da família humana:  trabalhar pela causa da paz, pela defesa da dignidade humana e dos direitos do homem, pelo desenvolvimento integral dos povos; em síntese, trabalhar sempre e em toda a parte para promover aquela solidariedade que une as pessoas no vínculo da fraternidade. Trata-se de uma tarefa que deriva necessária e perenemente do Evangelho de Jesus Cristo, e de uma responsabilidade compartilhada por todos os cristãos.

A Igreja católica participará sempre de boa vontade na missão permanente de fazer desta solidariedade uma realidade na família do género humano. De igual modo, ela continua a oferecer uma contribuição especial à edificação da sociedade da Zâmbia, e estou grato pelas palavras de apreço que Vossa Excelência pronunciou acerca do papel desempenhado pela Igreja católica neste sector. Ela considera o seu apostolado na educação dos jovens e dos adultos, na manutenção dos hospitais e das clínicas e na oferta da assistência médica aos pobres e dos programas de desenvolvimento social e da promoção humana como elementos essenciais da sua missão religiosa. Naturalmente, ela deseja desempenhar a tarefa que lhe compete em harmonia com os outros que trabalham nestes mesmos sectores. A cooperação entre a Igreja e o Estado, e entre todos os cidadãos, independentemente da sua confissão religiosa, é de enorme importância para a promoção da formação intelectual e moral das pessoas. Desta maneira, elas serão capazes de edificar uma sociedade deveras justa e humana, que eventualmente ultrapassará as fronteiras nacionais a fim de incluir todos os povos.

Senhor Embaixador, tenho a certeza de que a sua missão servirá para revigorar os laços de amizade e de cooperação já existentes entre a Zâmbia e a Santa Sé. No momento em que assume as suas novas responsabilidades, formulo-lhe os meus sinceros bons votos para o cumprimento dos seus deveres. Sobre Vossa Excelência e o querido povo da Zâmbia, invoco cordialmente as copiosas graças de Deus Omnipotente.

 

© Copyright 2001 - Libreria Editrice Vaticana 

 

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