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MENSAGEM DO SANTO PADRE
AO PRIOR-GERAL DA ORDEM DOS
FRADES SERVOS DE MARIA

 

 


Ao Reverendo Padre
HUBERT M. MOONS
Prior-Geral da Ordem dos Frades
Servos de Maria

"A graça do Senhor Jesus seja convosco. Eu amo-vos a todos em Cristo Jesus" (1 Cor 16, 23-24). Com estas palavras do apóstolo Paulo, saúdo-te cordialmente a ti e a toda a Ordem dos Frades Servos de Maria por ocasião do Capítulo Geral, programado para Ariccia (Itália), de 8 a 30 de Outubro de 2001. O tema dos trabalhos é:  "Com Santa Maria, da escuta de Deus ao serviço da vida". Ele chama a vossa reflexão sobre a necessidade de dar um testemunho cada vez mais fiel do Instituto ao carisma das origens e, ao mesmo tempo, do homem contemporâneo.

Dirijo-te a ti, Reverendo Padre, a minha cordial saudação e agradeço-Te sinceramente o serviço de Prior-Geral, que prestaste à Ordem durante 12 anos. Saúdo os Capitulares e, através deles, todos os membros desta Família religiosa. Desejaria fazer chegar a cada um a minha palavra de encorajamento, corroborada pela certeza de uma constante recordação na oração. Sei que a Assembleia capitular, sobre a qual desde há muito tempo implorais a luz do Espírito, foi preparada com solicitude, definindo bem as prioridades nos temas tratados e aprofundados. Ela representa a ocasião propícia para realçar melhor um aspecto particular da participação da Virgem no mistério de Cristo e da Igreja, para disto obter a inspiração para as escolhas e decisões em vigor na Ordem. Desde o início, para os Frades Servos de Maria, é a Virgem a Estrela que ilumina o seu caminho e a referência certa de todas os seus programas apostólicos.

1. Com Santa Maria em busca de Deus. A busca de Deus é a componente essencial da vida consagrada. Nossa Senhora é a orientação certa neste itinerário. Procurar o Senhor! Destes prioridade à reflexão sobre este tema, centro da vossa vocação, nos trabalhos do Capítulo. Sim! Procurai Cristo; procurai o seu rosto (cf. Sl 27, 8). Procurai-O todos os dias, desde o alvorecer (cf. Sl 63, 2), com todo o coração (cf. Dt 4, 29; Sl 119, 2). Procurai-O com a tenacidade da Sunamita (cf. Ct 3, 1-3), com a admiração do apóstolo André (cf. Jo 1, 35-39), com o impulso de Maria de Magdala (cf. Jo 20, 1-8).

No ritual para a celebração do Capítulo, invocais os sete Santos fundadores como "os que procuram Deus". De facto, eles fizeram isso:  procuraram o Reino de Deus e a sua justiça (cf. Mt 6, 33), procuraram assiduamente a sabedoria evangélica. Seguindo o exemplo deles, procurai também vós o Senhor nos momentos da alegria e no tempo da desolação; imitai Maria que vai a Jerusalém procurar o seu Filho, que tinha doze anos, cheia de ansiedade (cf. Lc 2, 44-49), e mais tarde, no início da vida pública de Jesus, corre receosa à sua procura (cf. Mc 3, 32), preocupada com o que tinha ouvido a seu respeito (cf. ibid., 3, 20, 21).

Sentir a necessidade de procurar Deus já é um dom que se deve receber com o coração grato. Na realidade, é sempre Deus o primeiro a vir ao nosso encontro, porque nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4, 10). É confortador procurar Deus, mas é ao mesmo tempo exigente; requer renúncias e escolhas radicais. Que significa isso para vós, no actual contexto histórico? Certamente uma acentuação da dimensão contemplativa, uma intensificação da oração pessoal, uma nova avaliação do silêncio do coração, sem nunca contrapor a contemplação à acção, a oração na cela às celebrações litúrgicas, a necessária "fuga do mundo" à presença que se deve aos que sofrem:  tudo isto faz parte da tradição da Ordem e das vossas Constituições (cf. Const. OSM [1987], 16 a., 31 a-b, 116). A experiência demonstra que só da contemplação intensa surge uma fervorosa e eficaz acção apostólica.

2. Com Santa Maria à escuta de Deus. Em estreita ligação com a busca de Deus está a escuta da sua Palavra de salvação. Também neste itinerário vos serve de exemplo e de orientação Maria, da qual a Igreja evidencia a singular relação com a Palavra. Nossa Senhora é a "Virgem da escuta", pronta a fazer sua, com uma atitude humilde e sábia, as palavras que lhe foram dirigidas pelo Anjo. Com o seu fiat Maria recebe o Filho de Deus, Palavra subsistente, que nela se faz homem para a redenção do mundo.

Uma forma adequada como nunca de escuta da Palavra é a lectio divina, que tendes em grande consideração. Fazeis uma alusão explícita a ela na própria fórmula da profissão solene, porque nela vos empenhais a viver "na escuta da Palavra de Deus" (cf. Ritual da profissão religiosa dos Frades Servos de Santa Maria, Segunda edição típica, 211, Roma, Cúria Geral OSM, 1993, págs. 128-148). Maria escuta e nela a Palavra, antes ainda de o ser no seio virginal, é aceite no coração. Imitando o seu fiat (cf. Lc 1, 38), também vós pronunciais o vosso sim total a Deus que se revela (cf. Rm 16, 26). Na palavra da Sagrada Escritura Deus manifesta as riquezas do seu amor, revela o seu projecto salvífico e confia a cada um a missão específica no seu Reino.

O amor à Palavra estimular-vos-á a tomar novamente em consideração a oração comunitária, a privilegiar a vida litúrgica, a fazer com que ela seja mais participada e sentida. A vossa oração comunitária faça com que a oração pessoal prepare e prolongue a celebração litúrgica.

Tornar-se-á então realidade na Ordem o desejo do Apóstolo:  "A Palavra de Cristo permaneça em vós abundantemente" (Cl 3, 16).

Com Maria numa vida de serviço. O Capítulo Geral é chamado a tratar pormenorizadamente outro assunto, também prioritário:  as múltiplas formas do vosso serviço apostólico. Com efeito, servir a Igreja e a humanidade é uma parte essencial do carisma dos Frades Servos de Maria.

Olhando para a Virgem, sempre em humilde atitude de serviço, fazeis com que, em cada membro do Instituto, sobressaia um estilo de jubilosa solicitude para com os irmãos, de fervor e de estímulo, de valorização das relações humanas e de atenção às necessidades da pessoa.

Um estilo que não procura, em primeiro lugar, a eficiência das estruturas e os progressos da tecnologia, mas conta com a eficácia da graça do Senhor (cf. 1 Cor 3, 6-7). Sempre atentos aos sinais dos tempos, meditai atenciosamente a perspectiva de interromper algumas actividades a fim de responder às novas exigências missionárias na Ásia, na África e na Europa do Leste. Salvaguardai a fidelidade ao espírito originário da vossa Família religiosa, que surgiu para dar testemunho "dos valores humanos e evangélicos que Maria encarna" (Const. OSM, 7). Segundo a inspiração mendicante da Ordem, vivei a dimensão evangélica da instabilidade, da insegurança e da disponibilidade para ir onde as necessidades são urgentes (cf. ibid., 3).

Entre as muitas formas de serviço, no tema principal do Capítulo, é mencionado o "serviço à vida". Num mundo em que, por vezes, parece que a cultura da morte prevalece, sois servidores da vida, fiéis a Deus "não dos mortos, mas dos vivos..." (Mt 22, 32), arautos do Evangelho da esperança sob a protecção de Santa Maria, "Mãe da vida".

4. Com Santa Maria ao serviço da animação vocacional. Por fim, o Capítulo deverá reflectir sobre a animação vocacional, tema de grande interesse e de particular urgência. As vocações são um dom para a Ordem e para a Igreja que as devem implorar, antes de mais, com a oração incessante. O ícone da Virgem do Pentecostes ilumine a vossa reflexão. No Cenáculo Maria apresenta-se como a Orante; juntamente com os Apóstolos implora a vinda do Espírito, que suscita todas as vocações. Maria é Mãe da Igreja:  no Cenáculo a Virgem começa a exercer para com a comunidade dos discípulos a maternidade que lhe foi confiada pelo seu Filho agonizante na Cruz.

Além da oração (cf. Lc 10, 2), as vocações  são  favorecidas  pelo  testemunho coerente e fiel de todos os que são chamados  a  viver  com  radicalidade  o seguimento evangélico. Olham para vós as jovens gerações, atraídas não por uma vida consagrada "facilitada", mas pela proposta de viver o Evangelho sine glossa.

A 7 de Outubro de 2001 celebra-se o 750º aniversário do "acto de pobreza" da primeira comunidade do Senário. Com este gesto generoso, os frades empenhavam-se a não possuir nada, como o seu Mestre que não tinha "onde reclinar a cabeça" (Lc 9, 58). A memória deste acontecimento vos estimule a dar um testemunho de pobreza ainda mais rigoroso, que se traduza num sóbrio estilo de vida (cf. Const. OSM, 75) e numa prática fiel da comunhão dos bens.

Confio os trabalhos do Capítulo à solicitude materna de Santa Maria, Rainha dos seus servos e, ao garantir-vos a recordação na oração, concedo de coração a ti, aos Capitulares e a toda a Família dos Servos de Maria a Bênção apostólica, penhor da misericórdia infinita do Senhor.

Vaticano, 29 de Setembro de 2001.

  

 

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