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MENSAGEM DO SANTO PADRE AOS
PARTICIPANTES NO CAPÍTULO GERAL DA FAMÍLIA MARISTA
1. Saúdo com alegria todos os representantes
da Família marista, nesta feliz ocasião que faz coincidir os capítulos gerais
dos vossos quatro Institutos e que permite a vossa visita comum ao Sucessor de
Pedro. Seja-nos permitido ver nisso como que um sinal do Espírito e um apelo a
deixar-vos conduzir pelos caminhos de uma comunhão cada vez maior e de uma
colaboração cada vez mais intensa! Agradeço ao Pe. Joaquim Fernandez,
Superior-Geral da Sociedade de Maria, as suas palavras amigas que reflectem o
espírito em que viveis os vossos capítulos, as vossas raízes marianas e o
vosso cuidado missionário.
2. Escolhestes na Igreja a vida de
consagrados, à imitação de Maria, na fidelidade às intuições dos vossos
fundadores e ao carisma dos vossos Institutos. Os vossos predecessores
dedicaram-se à evangelização nas paróquias, à educação das crianças e à
promoção da mulher. Depois, comprometeram generosamente toda a Família
marista no anúncio do Evangelho aos povos da Oceânia oriental, assinalando
esta obra com a sua marca: de modo especial a educação com zelo cristão
e o cuidado pelas vocações locais. A Igreja aceita hoje com reconhecimento o
trabalho missionário realizado e os dons da graça de Deus manifestados na vida
dos vossos Institutos. Ela reconheceu estes dons de maneira particular como
frutos de santidade em São Pedro Chanel e São Marcelino Champagnat.
3. Hoje, compete-vos manifestar de uma maneira
original e específica a presença da Virgem Maria na vida da Igreja e dos
homens e, para isso, desenvolver uma atitude mariana. Esta caracteriza-se por
uma alegre disponibilidade aos apelos do Espírito Santo, por uma confiança
inabalável na Palavra do Senhor, por uma caminhada espiritual em relação com
os diferentes mistérios da vida de Cristo e por uma maternal atenção às
necessidades e sofrimentos dos homens, especialmente dos mais pequenos. "A
relação filial com Maria constitui o caminho privilegiado para a fidelidade à
vocação recebida e uma ajuda muito eficaz para nela progredir e vivê-la em
plenitude" (Vita consecrata, 28). É, pois, voltando-vos para Maria
com fidelidade e coragem, deixando-vos guiar por ela para "fazer tudo o que
vos disser" (cf. Jo 2, 5), que vós encontrareis os caminhos novos
para a evangelização do nosso tempo.
4. Pondo-se a caminho, às pressas, rumo às
montanhas da Judeia, para ir ao encontro de sua prima Isabel, não nos ensina
porventura Maria a liberdade espiritual? Com efeito, é importante que não vos
deixeis monopolizar unicamente pela gestão da herança do passado, mas
discernir o que convém deixar, com um espírito de pobreza e sobretudo com a
liberdade evangélica que nos torna disponíveis aos apelos do Espírito. Diante
da multiplicidade das solicitações, é precisa, efectivamente, uma verdadeira
liberdade para discernir as urgências. "Faz-te ao largo!"; estas
palavras de Jesus a Pedro convidam-nos a "seguir em frente, com esperança"
sobre os caminhos do mundo, seguros de que "neste caminho, nos acompanha a
Virgem Santíssima" (cf. NMI, 58).
5. Maria deu-se totalmente ao Senhor, dando
confiança em tudo à palavra de Deus. Como não vos ensinaria ela a permanecer
na força desta palavra, a escolher, como a outra Maria, a melhor parte (cf. Jo
10, 42)? No mundo de hoje, a dispersão espreita facilmente os discípulos
de Cristo, porque a abundância dos bens materiais pode desviá-los do essencial
e são múltiplas as solicitações pastorais. Como escrevi recentemente a toda
a Igreja, temos necessidade de contempalr o rosto de Cristo (cf. Novo
millennio ineunte, 2), de tentar aprofundar cada vez mais o seu mistério,
porque ele é a verdadeira fonte onde beber o amor que nós quereríamos
comunicar. Não deixeis desprender este laço essencial de consagração a
Cristo! Escolhei antes pôr-vos humildemente na companhia do Senhor, à maneira
discreta de Maria! Trabalhai com ela para fazer a unidade da vossa vida no Espírito
porque, como lembra São Francisco de Sales, "uma das condições
requeridas para receber o Espírito Santo será estar com Maria" (Sermão
1 para o Pentecostes), e deixai-vos configurar cada vez mais com Cristo! Então,
a vossa vida e a vossa missão encontrarão o seu significado profundo e
produzirão frutos para os homens e mulheres de hoje!
6. Guardai viva a tradição missionária da
vossa Família! Com Maria, ela leva-vos a estar particularmente atentos às angústias
dos nossos contemporâneos, daqueles que, nas nossas sociedades modernas, estão
privados de dignidade, de reconhecimento e de amor.
A Igreja tem necessidade de vós,
particularmente num domínio essencial para a Família marista: a educação
das crianças e dos jovens. Esta prioridade missionária enraíza-se no espírito
de Maria, mãe e educadora de Jesus em Nazaré, e mais tarde na primitiva
comunidade cristã. O mundo da educação é difícil e exigente, pedindo sem
cessar aos educadores que se adaptem aos jovens e às suas novas expectativas. Não
vos deixeis desencorajar pelas dificuldades do momento, as da idade que
aparentemente vos afasta dos mais jovens, a da falta de meios e, sobretudo, de
operários para trabalhar na vinha! Olhai antes os jovens com os olhos do Bom
Pastor, como uma multidão que caminha sem pastor (cf. Mt 9, 36), mas
também este campo que se torna dourado para a ceifa e que dará fruto no tempo
desejado (cf. Jo 4, 35-38)! Formai igualmente os leigos que trabalham
convosco, a fim de que vivam o carisma que vos anima. Durante a vossa existência,
sois chamados a fazer descobrir aos jovens a alegria que há em seguir a Cristo
na vida consagrada. Não tenhais medo de propor esta caminhada à juventude em
procura da verdade!
7. Os capítulos gerais que estais a viver
valorizam a fidelidade ao espírito fundador, mas também a renovação necessária,
conservando e enriquecendo o património espiritual dos Institutos. Que eles vos
ajudem a encontrar os novos sinais da comunhão entre os vossos quatro
Institutos, a reforçar uma colaboração que dará frutos para a realização
fiel da vossa missão! A Virgem Maria vos oriente ao longo destes caminhos de
encontro!
8. É com estes sentimentos que me sinto feliz
por vos saudar a vós, por meio de vós, os membros da grande Família marista,
espalhados pelo mundo nos seus vários apostolados. Saúdo em particular, e com
gratidão, os vossos superiores, o Pe. Joaquim Fernandez, o Ir. Bento Arbués, a
Ir. Gail Rencker e a Ir. Patrícia Stowers, que nestes últimos anos
desempenharam o difícil serviço da autoridade nos vossos Institutos. Os meus
votos vão também para os seus sucessores, que serão eleitos muito em breve,
para que, a exemplo de Maria, conduzam com audácia e fidelidade a Família
marista nos caminhos do novo milénio!
Confiando-vos a Nossa Senhora de Fourvière,
que viu nascer os vossos Institutos, concedo-vos de boa vontade uma particular Bênção
apostólica, assim como a toda a Família marista.
Castelgandolfo, 17 de Setembro de 2001.
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