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DISCURSO DO SANTO PADRE
JOÃO PAULO II
Sábado, 6 de Julho de 2002
Ao Rev.mo Pe.
Ángel J. Pérez Pueyo
Por conseguinte, considerando a especificidade que vos é própria e em total sintonia com o apelo que ultimamente faço com frequência a aumentar o esforço pastoral pelas vocações ao sacerdócio e à vida de especial consagração, formulastes o eixo central dos vossos trabalhos destes dias com a frase: "a pastoral vocacional, desafio da nossa identidade actual". Vós, Sacerdotes Operários Diocesanos, dedicastes sempre as vossas energias melhores à pastoral das vocações sacerdotais, religiosas e apostólicas, conscientes de que elas são o meio universal e mais eficaz para a promoção de todos os outros âmbitos pastorais. A actual Assembleia deve ser, portanto, um acontecimento de graça no qual, reconfirmando o vosso autêntico fundamento institucional, ultrapasseis a vitalidade, a fecundidade e a radicalidade contida no próprio carisma herdado, a fim de oferecer novas e inéditas expressões do delicado empenho da pastoral vocacional. Esta tarefa, especialmente hoje, é verdadeiramente urgente e necessária. Ela requer que se promovam, se formem e se acompanhem os processos de surgimento, maturação e discernimento de qualquer vocação eclesial, sobretudo para o ministério presbiteral, ajudando a descobri-la como um dom e a vivê-la em contínua acção de graças, dado que ela é uma prenda de amor, um dom de Deus, "uma graça oferecida grátis (charisma)" (Exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, 35). Desejo exortar-vos a reproduzir com valor e audácia, a
criatividade e a santidade do vosso fundador, adaptando-as, se for necessário,
às novas situações e necessidades, em plena docilidade à inspiração divina
e ao discernimento eclesial. Uma crescente atenção à identidade original será
o critério seguro para procurar as formas adequadas de testemunho, capazes de
corresponder às exigências do momento presente (cf.Exortação apostólica pós-sinodal
Vita consecrata, 37). Queridos filhos, continuai com ânimo renovado a obra que a Igreja vos confiou, procurando realizá-la com o estilo de vida e de acção que vos caracteriza: a fraternidade sacerdotal. Tende a certeza de que "não podendo ser mais do que sacerdotes, e nada mais do que sacerdotes, e santos" (cf. Escritos), a vossa vida e o vosso exemplo transformar-se-ão, sem dúvida, num estímulo para quantos procuram seguir radicalmente Cristo, favorecendo neles "a resposta livre, decidida e generosa que torna operante a graça da vocação (Exortação apostólica pós-sinodal Vita consecrata, 64). Como, em definitivo, "a vocação sacerdotal é fundamentalmente uma chamada à santidade, que... é intimidade com Deus, é imitação de Cristo, pobre, casto, e humilde; é amor sem limites às almas e oferta ao seu verdadeiro bem; é amor à Igreja que é santa e nos quer santos, porque foi esta a missão que Cristo nos confiou" (Exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, 33). Ponde em prática o difícil compromisso que vos compete tendo em conta o aspecto relativo à inculturação, já que o Instituto, que vai desde a nativa Tortosa até outros Países, particularmente à América Latina, hoje vive uma enriquecedora realidade pluricultural. Fazei isto sempre em total harmonia com as Igrejas particulares onde a Fraternidade está presente e em estreita colaboração com os Bispos, com os organismos das dioceses e congregações, sobretudo com quantos promovem e coordenam especificamente a pastoral vocacional, procurando novas fontes e métodos que estimulem este âmbito pastoral. Confiando nas palavras de Cristo "Duc in altum" (Lc 5, 4), abri o vosso coração ao convite que fiz na Carta Apostólica Novo millennio ineunte (cf. NMI, 1; 15; 56) e enfrentai com coragem o desafio da evangelização neste milénio nova primavera do Espírito que há pouco começou. Nunca digais: tentamos o possível; não há mais nada a fazer. Ao contrário, estai sempre dispostos a continuar a transformar o vosso compromisso e identidade de "operários" em orientações pastorais concretas que respondam às exigências do vosso carisma e às necessidades da Igreja no mundo de hoje. E ao regressardes aos vossos lugares de origem, recordai a
todos os membros da Fraternidade as palavras do Mestre: "Faz-te ao
largo; e vós lançai as redes para a pesca" (Lc 5, 4). Nunca cedais
ao desânimo. Trabalhai com um espírito alegre e decidido, conscientes de que a
obra não é vossa, mas do Senhor. Por conseguinte, comprometei-vos
decididamente com o irrenunciável dever de fomentar as vocações para o vosso
próprio Instituto, de estimular qualquer tipo de vocação consagrada e de
sensibilizar as comunidades eclesiais onde desempenhais o vosso trabalho
evangelizador, para que tomem consciência de que as vocações ao sacerdócio são
um problema vital que está no próprio coração da Igreja. Recordando-vos de
que a vossa Instituição tem um carácter especificamente eucarístico, fazei
com que Jesus Sacramentado seja sempre a fonte de todas as graças nas vossas
obras (cf. Escritos, I, 5°-31) e que a Virgem Santíssima, modelo de
consagração e seguimento, vos acompanhe sempre na tarefa evangelizadora que
realizais!
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