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DISCURSO
DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II AO NOVO EMBAIXADOR DO SUDÃO JUNTO À SANTA SÉ POR
OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS
17 de Maio de
2002
Senhor Embaixador
1. É com prazer que
recebo Vossa Excelência, por ocasião da apresentação das Cartas que o
acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do
Sudão junto da Santa Sé.
As palavras que Vossa
Excelência acaba de me dirigir, e pelas quais estou verdadeiramente agradecido,
demonstram que as Autoridades do seu País têm a peito o desenvolvimento das
relações de estima e de colaboração entre o Sudão e a Sé Apostólica, em
ordem a uma acção diplomática cada vez mais fecunda. Ficar-lhe-ia grato se
apresentasse a Sua Excelência o Senhor Presidente Omar Hassan Al-Bachir, de
quem o Senhor Embaixador acaba de me transmitir os amáveis desejos de bem, os
bons votos que formulo como retribuição, tanto pela sua pessoa como pelo
cumprimento da sua alta função ao serviço da Nação. Através da sua pessoa,
Senhor Embaixador, desejo dirigir também as minhas cordiais saudações a todos
os habitantes do Sudão, enquanto rezo ao Deus Todo-Poderoso que lhe conceda as
energias necessárias para edificar na concórdia e na unidade uma sociedade
cada vez mais pacífica e mais fraternal.
2. Enquanto recordava
a tragédia que continua a mortificar a Terra Santa, Vossa Excelência observava que
todas as nações que desejam comprometer-se de maneira responsável ao longo do
caminho do progresso e do desenvolvimento devem trabalhar sem trégua pela
instauração de uma paz duradoura, fundamentada sobre a justiça e o perdão.
Por ocasião do encontro de oração realizado em Assis, no dia 24 do passado mês
de Janeiro, na presença dos responsáveis das grandes religiões do mundo,
recordei que o compromisso pela justiça e a disposição para o perdão são
"pilares" indispensáveis sobre os quais se pode edificar uma paz
duradoura. Com efeito, é necessário que as nações realizem obras de justiça,
no respeito pela dignidade das pessoas e dos povos; e isto supõe que todos os
membros da comunidade nacional tenham consciência dos seus direitos e dos seus
deveres, e que as pessoas responsáveis pelo bem comum tenham a solicitude de
distribuir os lucros e as responsabilidades entre os indivíduos, e entre a
colectividade em geral. Este compromisso deve ser
acompanhado de uma vontade concreta de trabalhar pela reconciliação das
comunidades nacionais e de se abrir ao perdão, a única atitude capaz de
purificar os corações e de restabelecer em profundidade os relacionamentos
humanos perturbados.
Enquanto o seu País
procura, no tempo presente, as soluções concretas e adequadas para sair da
espiral da violência, que põe a dura prova as populações civis e os seus
bens, exprimo o vivo desejo de ver todos os habitantes encontrar em conjunto o
caminho de uma colaboração leal e responsável, em ordem a contribuir para o
termo definitivo dos conflitos que, desde há muitos anos, levam o seu País a
mergulhar na miséria. A modernização progressiva da economia, das instituições
e dos estilos de vida caminham pari passu com um diálogo de paz
construtivo e um compromisso sério em ordem ao abandono das armas. Estes são
os elementos que hão-de abrir o caminho para o advento de uma sociedade
reconciliada e solidária.
3. Nesta perspectiva,
é desejável que se trabalhe cada vez mais em prol da compreensão e do
respeito recíproco entre todos, o que passa necessariamente através do
respeito do direito à existência e à identidade das minorias presentes no
interior de um determinado país; isto constitui um sinal clarividente de uma
sociedade que sabe integrar as riquezas culturais que a compõem, e favorecer a
participação de todos na vida política, económica e social do País. Ao
mesmo tempo, é importante que as pessoas rejeitem toda a discriminação
fundamentada sobre critérios étnicos, culturais ou religiosos. A unidade
nacional edifica-se no acolhimento da diversidade, procurando fazer com que ela
concorra para o bem comum e para o desenvolvimento integral de todos os seus
habitantes.
4. Vossa Excelência
realçou que o governo da República do Sudão se preocupa em revigorar as
liberdades religiosas, sobretudo através da sua inscrição na nova Constituição.
Como recordei por ocasião da minha visita pastoral ao seu País, em 1993,
"a liberdade dos indivíduos e das comunidades de professar e de praticar a
sua religião constitui um elemento essencial para a coexistência pacífica. A
liberdade de consciência e a liberdade de procurar a verdade e de agir em
conformidade com a sua própria crença religiosa pessoal são tão fundamentais
para o ser humano, que todo o esforço em ordem a limitá-las leva
inevitavelmente a conflitos implacáveis" (Discurso ao Presidente da República,
em Cartum, 10 de Fevereiro de 1993, n. 5). Tal liberdade não põe em
discussão a vida social, porque toda a verdadeira iniciativa religiosa permite
às pessoas que professam a sua religião descobrir que são irmãos em
humanidade com todos os seus compatriotas.
5. Senhor Embaixador,
permita-me saudar, por seu intermédio, os Pastores e os fiéis da comunidade
católica que vive no Sudão, corajosa na provação e solícita em testemunhar
todos os dias a esperança cristã e os valores evangélicos. Que ela continue,
na caridade, a sua missão eminente de servir a Jesus Cristo, indo ao encontro
dos seus irmãos, sustentada pela intercessão de Santa Josefina Bakhita! A
Igreja católica estará, por sua vez, sempre disponível para colocar as suas
competências e as suas intuições ao serviço da promoção humana de todos os
habitantes do Sudão, nos campos da educação, da saúde e da assistência
social. E ela cumpre esta missão na fidelidade ao seu Senhor e com a vontade
consciente de oferecer, em particular mediante um diálogo leal com os seus irmãos
muçulmanos, novos caminhos para que sejam instauradas a justiça e a paz, às
quais os povos aspiram de maneira tão ardente.
6. Senhor Embaixador,
no momento em que Vossa Excelência dá oficialmente início à sua missão
junto da Sé Apostólica, formulo-lhe os meus votos mais cordiais pela nobre
tarefa que o espera. De resto, tenha a certeza de que encontrará sempre aqui,
junto dos meus colaboradores, o acolhimento atento e compreensivo de que poderá
vir a ter necessidade.
Sobre Vossa Excelência,
os responsáveis da sua Nação e todo o povo do Sudão, invoco do íntimo do
coração a abundância das Bênçãos divinas.
© Copyright 2002 - Libreria
Editrice Vaticana
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