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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 AO SENHOR WALTER WOON
NOVO EMBAIXADOR DE SINGAPURA
JUNTO DA SANTA SÉ*

12 de Dezembro de 20003

 

 
Excelência

É-me grato dar-lhe as boas-vindas ao Vaticano e aceitar as Cartas Credenciais que O designam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Singapura junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as amáveis saudações que o Senhor Embaixador me transmitiu da parte de Sua Excelência S. R. Nathan e do governo e o povo de Singapura, e peço-lhe a amabilidade de comunicar os meus bons votos e a certeza das minhas preces pela paz e pelo bem-estar da nação.

A sua presença hoje aqui traz à minha mente a visita que tive o privilégio de realizar ao seu país em 1986. O período que passei em Singapura ofereceu-me a oportunidade de experimentar pessoalmente uma cultura forjada pela influência dos numerosos e diferentes grupos étnicos e religiosos que, desde há muitos anos, têm vivido em harmonia recíproca. Singapura tem sido enriquecida em grande medida pela sua variedade de culturas e de povos, e deveria orgulhar-se da sua tradição de respeito e de estima por este património. Com efeito, o compromisso do seu país na promoção de um autêntico espírito de unidade na diversidade ofereceu uma contribuição significativa para essa região e Vossa Excelência pode justamente afirmar que se trata de um dos mais desenvolvidos na Ásia. Embora Singapura seja pequena em termos de território e de população, desempenha contudo um papel importante nessa área e, com frequência, age como ponte de intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente.

A fim de alcançar a globalização autêntica, os governos e os povos deveriam encorajar a diversidade cultural, assegurando que ela permaneça sempre fundamentada nos princípios e valores morais que governam o comportamento e os relacionamentos do homem. Singapura tem demonstrado a sua dedicação a tais preceitos, mediante um compromisso permanente em favor da tolerância religiosa, que tem sido promovida desde a independência do país. Formulam-se votos a fim de que a harmonia, que tradicionalmente tem prevalecido entre os seguidores das várias religiões em Singapura, se torne cada vez mais vigorosa. Isto é particularmente importante agora, que os momentos recentes de tensão e de trágicos incidentes na sua região estão a desafiar o respeito mútuo, fundamental para a coexistência pacífica de todos os povos. Em conformidade com as melhores tradições do seu país, há necessidade de diálogo, compreensão e cooperação constantes entre os seguidores das várias religiões, em vista de assegurar que todos os povos trabalhem em conjunto por uma civilização edificada sobre os valores universais da solidariedade, da justiça e da liberdade.

A sociedade singapuriana está imbuída de um profundo apreço pela importância das dimensões espirituais e transcendentes da vida humana. Isto tem contribuído para o reconhecimento da necessidade de desenvolver uma cultura em que "as pessoas vivam juntas", evitando sempre a tentação de ser tornar uma sociedade que rejeita, marginaliza, debilita e oprime ou outros (cf. Carta Encíclica Evangelium vitae, 18). Esta responsabilidade fundamental em relação aos nossos irmãos e irmãs é uma característica da interacção social, que deve ser exercida a níveis tanto nacional como internacional. A decisão tomada pelo seu país, de ajudar os povos que vivem para além das suas fronteiras nacionais, é evidente na impressionante assistência internacional que ele oferece. Com efeito, o nosso compromisso conjunto em favor dos menos afortunados é uma das numerosas áreas que unem Singapura e a Santa Sé no nosso desejo de servir o bem comum. Um exemplo desta cooperação pode ser visto nos nossos esforços conjuntos em ordem a formar jovens profissionais naturais dos países mais pobres nessa região, através do Programa de Formação no Terceiro Mundo, entre Singapura e o Vaticano, iniciado há cinco anos. A educação é um elemento fulcral para o desenvolvimento sustentável. Por conseguinte, estou convicto de que as nossas tentativas em vista de formar os jovens como cidadãos conscientes e honestos não apenas beneficiará os seus próprios países individualmente, mas também contribuirá para o bem da Ásia e de toda a comunidade mundial.

A responsabilidade pelo bem-estar do próximo inclui todos os sectores da vida. A este propósito, estou consciente das contribuições significativas que o seu país pode oferecer, de maneira especial nos campos da ciência e da tecnologia. A capacidade de servir a humanidade através delas é um dom que exige um grande respeito. Os governos nunca podem apoiar iniciativas que ameaçam a santidade da vida humana, em ordem a obter resultados científicos ou económicos. "O grande desafio moral que se apresenta às nações e à comunidade internacional, relativamente ao desenvolvimento, é ter a coragem de uma nova solidariedade, capaz de dar passos engenhosos e eficazes para vencer quer o subdesenvolvimento desumanizante, quer o "sobredesenvolvimento", que tende a reduzir a pessoa a uma mera unidade económica" (Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Asia, 32). Por este motivo, o juízo adequado e a deliberação prudente no controle destes campos, são essenciais. Tais debates deveriam incluir as diferentes tradições religiosas, que desempenham um papel significativo na vida da vossa nação. Estes grupos oferecem uma contribuição fundamental para o progresso genuíno da sociedade, chamando a atenção para as interrogações e os valores humanos mais profundos e imprimindo uma orientação espiritual e moral, que deve acompanhar sempre os progressos científicos e tecnológicos.

Embora a Igreja católica em Singapura seja relativamente exígua, os seus membros sentem-se orgulhosos de contribuir para o desenvolvimento político, cultural e social. Num período em que a sua nação e uma boa parte da Ásia procuram reconsiderar as suas políticas passadas nos campos da vida familiar e da demografia, os católicos têm muito a oferecer. Como afirmei em 1986, "as famílias ocupam um lugar singular no seio da igreja, como comunidade de vida e de amor. Como comunhão de pessoas em diálogo com Deus, elas têm um papel importante a desempenhar na sociedade em geral. Assim, devem permanecer abertas à comunidade mais vasta, de tal maneira que a solicitude amorosa que elas manifestam nos seus lares se torne extensiva também aos outros, para o bem de todos" (Homilia em Singapura, n. 9). Um compromisso firme em prol da cultura da vida e da cultura da família constitui uma pedra angular fundamental para o tecido social de cada país, além de ser um requisito para o bom êxito a longo prazo.

Formulo votos a fim de que, no momento em que o Senhor Embaixador assume as suas novas responsabilidades, os laços de amizade entre a Santa Sé e Singapura sejam revigorados cada vez mais. Excelência, tenha a certeza de que os vários departamentos da Cúria Romana estão prontos a assisti-lo no cumprimento da sua missão. Invoco as abundantes bênçãos divinas sobre a sua pessoa e sobre o querido povo da sua nação.


*L'Osservatore Romano n. 52 pp. 5, 8.


 

© Copyright 2003 - Libreria Editrice Vaticana  

 

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