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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 AOS BISPOS DA BIELO-RÚSSIA
POR OCASIÃO DA VISITA
"AD LIMINA APOSTOLORUM"

 


1. "Um novo mandamento vos dou:  que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros" (Jo 13, 34).

Prezados Irmãos no Episcopado, estas palavras, que Jesus deixa como testamento aos Apóstolos no Cenáculo, não cessam de ressoar no nosso coração!

Bem-vindos à casa de Pedro!

Abraço com afecto cada um de vós. Saúdo de modo particular Vossa Eminência, Senhor Cardeal, Pastor da Sede Metropolitana de Minsk-Mohilev, enquanto lhe agradeço cordialmente as palavras que me dirigiu em nome não apenas dos outros Irmãos, mas de todo o povo católico da Bielo-Rússia. Saúdo-vos a vós, queridos Pastores de Grodno, de Pinsk e de Vitebsk. Penso com afecto também na pequena mas ardente comunidade católica de rito bizantino, herdeira da missão de São Josafat, e saúdo o Rev.mo Visitador Apostólico ad nutum Sanctae Sedis que, quotidianamente, toma cuidado da mesma.

O amor de Cristo une-nos; é o seu amor que deve penetrar a nossa vida e o nosso serviço pastoral, estimulando-nos a renovar a nossa fidelidade ao Evangelho e a tender para uma dedicação cada vez mais generosa à missão apostólica que o Senhor nos confiou.

2. Ainda está viva em mim a recordação do nosso encontro, realizado em Abril de 1997. Nessa ocasião, tive a grande alegria de participar na primavera da vida eclesial do vosso país, depois do inverno da perseguição violenta que durou várias décadas. Nessa época, ainda eram acentuados os efeitos da ateização sistemática das vossas populações, especialmente dos jovens, da destruição quase total das estrututuras eclesiásticas e do encerramento forçado dos lugares de formação cristã. Graças a Deus, terminou aquele período rígido, e já há alguns anos que está em acto uma progressiva e encorajadora recuperação.

Nos últimos cinco anos, a celebração dos Sínodos para a Arquidiocese de Minsk e para as Dioceses de Pinsk e de Vitebsk ofereceu-vos a oportunidade de realçar as prioridades pastorais, elaborando planos apostólicos apropriados para as várias exigências do vosso território. Desta vez, viestes para me falar dos frutos do vosso generoso trabalho pastoral e, juntamente convosco, por tudo isto dou graças ao Senhor, sempre misericordioso e providente.

3. Agora, trata-se de projectar o compromisso futuro. Em primeiro lugar está a família que, também na Bielo-Rússia, infelizmente está a atravessar uma crise séria e profunda. As primeiras vítimas desta situação são as crianças, que correm o risco de sofrer as consequências da mesma durante toda a sua existência. Para o vosso alívio e encorajamento, gostaria de reiterar aquilo que disse às numerosas famílias reunidas em Manila, no dia 25 do passado mês de Janeiro, por ocasião do IV Encontro Mundial das Famílias. É necessário testemunhar com convicção e coerência a verdade sobre a família, fundamentada sobre o matrimónio. Ela constitui um grande bem, necessário para a vida, o desenvolvimento e o futuro da humanidade. Transmiti às famílias da Bielo-Rússia a exortação que confiei às famílias do mundo inteiro:  fazer do Evangelho a regra fundamental da família, e de cada uma das famílias uma página de Evangelho, escrita no nosso tempo.

4. O vosso País conta com quase dez milhões de habitantes, uma boa parte dos quais reside nas cidades. Se é a Nação que menos sofreu com as mudanças do período pós-soviético, a Bielo-Rússia é, porém, o País em que os processos de inserção no vasto contexto do Continente europeu ocorreram de forma mais lenta. As consequências deste atraso pesam sobre a reestruturação económica e, sobretudo nos campos, aumenta a pobreza. A concentração da população nos centros urbanos comporta um esforço notável para a presença da Igreja. E isto vale especialmente para a capital Minsk, onde já vive mais de 20% da população total.

Entre as prioridades, vós pondes os jovens, cada vez mais numerosos nas cidades, à procura de um possível trabalho. A crise demográfica sem precedentes, que atinge o vosso País, constitui também um forte desafio para o anúncio do "Evangelho da vida", e os fenómenos da marginalização, entre os quais o alcoolismo, que recentemente tem aumentado ainda mais, esperam respostas urgentes e eficazes. A todas estas problemáticas, a Igreja católica, embora seja minoritária no vosso País, procura responder com os instrumentos e as estruturas disponíveis.

Caríssimos, encorajo-vos a continuar a percorrer este caminho, e gostaria de aproveitar este ensejo para agradecer às organizações católicas de outras nações, de forma especial italianas e alemãs, que vos oferecem o seu apoio e a sua colaboração.

5. "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos" (Mt 9, 37). Diante do grande trabalho a realizar, é espontâneo pensar nestas palavras de Jesus. O que fazer? A resposta vem-nos do Evangelho:  "Rogai, portanto acrescenta Jesus ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe" (Ibid., v. 38). Em primeiro lugar, a oração. É preciso intensificar o pedido da ajuda divina e educar os fiéis a fim de que façam da oração um momento fundamental entre as suas ocupações quotidianas. Para isto contribuirá a obra, que já começastes, de traduzir em bielo-russo os textos sagrados, em particular os do Missal Romano.

Além da oração, não posso deixar de recordar o vosso esforço em ordem à formação dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada, especialmente nos dois seminários maiores de Grodno e de Pinsk, assim como me agrada realçar a necessária atenção aos presbíteros encarregados do cuidado das almas. Agora, a colaboração do clero e dos religiosos provenientes da vizinha Polónia constitui uma necessidade que, sem dúvida, contribuirá para a consolidação da comunidade católica do vosso País.

E por fim, o diálogo ecuménico com a Igreja ortodoxa. Na vossa terra, a Igreja católica e a Igreja ortodoxa viveram sempre juntas, e não poucas famílias são confessionalmente mistas e, por conseguinte, necessitadas da assistência também da parte da Igreja católica. O Senhor continue a orientar os vossos passos na busca do respeito recíproco e da cooperação mútua.

Durante o corrente ano, vai ser festejado o 380º aniversário do martírio de São Josafat, Arcebispo de Polatsk, cujo sangue santificou a terra bielo-russa. Possa a recordação do seu martírio ser para todos uma fonte de fidelidade a Cristo e à sua santa Igreja.

7. Confio-vos a todos a Maria, a Theotokos. Venerados e queridos Irmãos, peço a Maria que vos proteja a vós, os vossos mais estreitos colaboradores, que são os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os seminaristas, os leigos activamente comprometidos no apostolado e toda a comunidade católica que vive na Bielo-Rússia. Sobre todos e cada um de vós, Ela vele materna, juntamente com os vossos Santos Padroeiros. Quanto a mim, asseguro-vos a minha lembrança quotidiana na oração, enquanto vos abençoo do íntimo do meu coração.

 

 

 

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