The Holy See
back up
Search
riga

MENSAGEM  DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS ASSISTENTES DA ACÇÃO CATÓLICA ITALIANA
 REUNIDOS EM CONGRESSO

19 de Fevereiro de 2003

 

 

 
Caríssimos Assistentes da Acção Católica Italiana

1. Estou feliz por vos saudar nesta circunstância, que vos vê reunidos em Roma para a realização de uma Assembleia sobre o tema:  "Renovar a Acção Católica na Paróquia". Dirijo uma saudação especial ao Assistente-Geral, Mons. Francesco Lambiasi, e à Presidente Nacional, Dra. Paola Bignardi.

Durante estes dias estais a reflectir sobre o modo como a Acção Católica pode contribuir, no início do novo milénio, para dar um novo rosto à paróquia, estrutura de base do corpo eclesial. A experiência bimilenária do Povo de Deus, como de resto foi confirmado de maneira autorizada pelo Concílio Vaticano II e pelo Código de Direito Canónico, ensina que a Igreja não pode renunciar a organizar-se em paróquias, comunidades de fiéis enraizadas num território e ligadas entre si ao redor do Bispo na rede da comunhão diocesana. A paróquia é a "casa da comunidade cristã" à qual os fiéis pertencem pela graça do santo Baptismo; é a "escola da santidade" para todos os cristãos, até para aqueles que não aderem a determinados movimentos eclesiais ou que não cultivam uma espiritualidade particular; é o "laboratório da fé", em que são transmitidos os elementos básicos da tradição católica; é a "palestra da formação", onde os fiéis são educados para a fé e iniciados na missão apostólica.

Tendo em conta as rápidas transformações que caracterizam este começo de milénio, é necessário que a paróquia sinta com maior vigor a necessidade de viver e de dar testemunho do Evangelho, estabelecendo um diálogo profícuo com o território e com as pessoas que nele residem ou ali passam uma parte significativa do seu tempo, reservando uma atenção particular a quantos vivem em dificuldades materiais e espirituais, e a todos os que estão à espera de uma palavra que os acompanhe na sua busca de Deus.

2. O vínculo entre a paróquia e a Acção Católica Italiana tem sido, desde sempre, muito estreito. Nas comunidades paroquiais, a Acção Católica antecipou de modo específico e com intuição profética a actualização pastoral do Concílio, acompanhando ao longo dos anos o seu caminho de realização. Além disso, ela transmitiu à paróquia a sensibilidade e as exigências de quantos sentem, no afã da vida quotidiana, os reflexos daquela mudança que, de várias formas, diz respeito a cada pessoa, antes ainda do que às comunidades, e também aos ambientes de vida antes do que à organização da pastoral. Ainda há muito a realizar. Quarenta anos depois do seu início, o Concílio Vaticano II continua a ser "uma bússola segura" para orientar a navegação da barca de Pedro (cf. Novo millennio ineunte, 57) e os documentos conciliares representam "a porta santa" que cada comunidade paroquial deve atravessar para entrar não apenas cronológica, mas sobretudo espiritualmente, no terceiro milénio da era cristã.

Estou convicto de que a Acção Católica não deixará faltar à inadiável obra de renovação das paróquias a contribuição de um testemunho quotidiano de comunhão; e estará pronta para prestar o seu serviço na formação de leigos amadurecidos na fé, levando o ardor apostólico da missão a todos os ambientes. Uma espiritualidade, vivida com o Bispo e com a Igreja local:  eis a contribuição que a Acção Católica pode oferecer à comunidade cristã. A este propósito, apraz-me chamar a atenção para aquilo que escrevi na Carta Apostólica Novo millennio ineunte "Antes de programar iniciativas concretas, é preciso promover  uma  espiritualidade  da  comunhão, elevando-a ao nível de princípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, os consagrados e os agentes pastorais, e onde se constroem as famílias e as comunidades. Espiritualidade da comunhão significa, em primeiro lugar, ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós e cuja luz há-de ser vislumbrada também no rosto dos irmãos que estão ao nosso redor" (n. 43).

3. Somente uma Acção Católica renovada poderá contribuir para renovar também a paróquia. É por isso que deveis acompanhar, caríssimos Assistentes, a Associação ao longo do caminho de renovação, lucidamente delineado e empreendido com coragem pela vossa última Assembleia nacional. Ajudai-a mediante o vosso ministério presbiteral, a fim de que a "coragem do futuro" e a "fantasia da santidade", que o Espírito do Senhor certamente não deixará faltar aos responsáveis e aos sócios, a tornem cada vez mais fiel ao mandato missionário que lhe é próprio.

Exorto-vos a contribuir, com a fecundidade do vosso ministério sacerdotal, para a promoção de uma obra educativa vasta e específica, que favoreça o encontro entre o vigor do Evangelho e a vida, muitas vezes insatisfeita e inquieta, de numerosas pessoas. Por isso, é necessário garantir à Associação responsáveis, educadores e animadores bem formados, suscitando figuras de leigos capazes de um vigoroso impulso apostólico, que levem o anúncio do Evangelho a todos os ambientes. Desta maneira, a Acção Católica poderá voltar a dar expressão ao seu carisma de Associação escolhida e promovida pelos Bispos, mediante uma colaboração directa e orgânica com o seu ministério, para a evangelização do mundo através da formação e da santificação dos seus próprios sócios (cf. Estatuto, Art. 2).

Por ocasião da XI Assembleia nacional da vossa Associação, tive a oportunidade de realçar o facto de que a autêntica renovação da Acção Católica é possível mediante a "audácia humilde" de fixar os olhos em Jesus, que renova todas as coisas. Somente mantendo os nossos olhos voltados para Ele, é que seremos capazes de distinguir o que é necessário daquilo que o não é. Quanto a vós, peço-vos que sejais os primeiros a assumir este olhar contemplativo, para dardes testemunho da novidade de vida que dele brota a níveis tanto pessoal como comunitário. A indispensável renovação estrutural e organizativa constituirá o resultado de uma singular "aventura do Espírito", que comporta a conversão interior e radical das pessoas e das associações aos vários níveis:  paroquial, diocesano e nacional.

4. Caríssimos, ponde ao serviço deste compromisso formativo e missionário as vossas melhores energias:  a sabedoria do discernimento espiritual, a santidade de vida, as diversas componentes teológicas e pastorais, assim como a familiaridade dos relacionamentos simples e autênticos.
Nas Associações diocesanas e paroquiais, sede pais e irmãos capazes de encorajar, de suscitar o desejo de uma existência evangélica, de ajudar nas dificuldades da vida os adolescentes, os jovens, os adultos, as famílias e as pessoas idosas. Valorizai a educação de personalidades cristãs fortes e livres, sábias e humildes, capazes de promover uma cultura  da  vida,  da  justiça  e  do  bem comum.

O Papa está próximo de vós e encoraja-vos a não desanimar, sobretudo quando, tendo de conciliar o serviço de Assistentes com outros cargos na Diocese, sentis o cansaço e a complexidade deste ministério. Estai certos disto:  ser Assistentes da Acção Católica, precisamente pela peculiar relação de co-responsabilidade inerente à própria experiência da Associação, constitui uma fonte de fecundidade para o vosso trabalho apostólico e para a santidade da vossa vida.

Por fim, desejo aproveitar este ensejo para convidar todos os presbíteros a "não terem medo" de viver na paróquia a experiência associativa da Acção Católica. Com efeito, nela poderão encontrar não apenas um apoio válido e motivado, mas também uma aproximação e uma amizade espiritual, juntamente com a riqueza que provém da partilha dos dons espirituais de cada um dos componentes da Comunidade.

Confio estes bons votos, como também os que cada um de vós traz no seu coração, à intercessão de Maria, Mãe da Igreja, e concedo-vos do íntimo do coração a minha Bênção apostólica, a vós e a todos os presbíteros que, juntamente convosco, exercem o ministério de Assistentes  da  Acção  Católica  na  Igreja italiana.

Vaticano, 19 de Fevereiro de 2003.

 

 

top