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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO
DA UNIÃO APOSTÓLICA DO CLERO
E DA UNIÃO APOSTÓLICA DOS LEIGOS

 

 


Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. "Ecce quam bonum et quam jucundum habitare fratres in unum - Eis como é bom, como é agradável viverem os irmãos em unidade". Voltavam-me à mente estes conhecidos versículos do Salmo 133, enquanto escutava as respeitosas e cordiais palavras de D. Csaba Ternyák, Secretário da Congregação para o Clero, que se fez intérprete dos sentimentos de todos os presentes. Sim, é verdadeiramente uma íntima alegria encontramo-nos e darmos conta da fraternidade que existe entre nós, caros sacerdotes, participantes do único e eterno Sacerdócio de Cristo. Esta manhã, pude experimentar este mistério de comunhão na Celebração eucarística no altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro. Agora, é o Sucessor de Pedro que vos abre as portas da sua e vossa casa.

Para cada um de vós dirijo a mais cordial saudação no Senhor. Saúdo, de modo especial, todos os que organizaram e os que estão a animar o vosso Encontro nacional e todos os que nele participam. Saúdo os responsáveis a nível nacional e internacional da União Apostólica do Clero, assim como os representantes da nascente União Apostólica dos Leigos.

2. Durante o Congresso estais a reflectir sobre o tema:  "Na Igreja particular ao modo da Comunhão Trinitária:  A espiritualidade diocesana é espiritualidade de comunhão". Em continuidade com os encontros anteriores, é vosso desejo descobrir o papel dos Pastores na Igreja particular.

O mistério da Comunhão Trinitária é o alto modelo de referência da comunhão eclesial. Quis voltar a dizê-lo na Carta apostólica Novo millennio ineunte, recordando que "o grande desafio que está diante de nós no milénio que começa" é precisamente este:  "Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão" (cf. nº 43). Isto comporta, em primeiro lugar, "promover uma espiritualidade da comunhão", que se torne como um "princípio educativo em todos os lugares onde se forma o homem e o cristão" (ibid).

Tornamo-nos peritos de "espiritualidade de comunhão" antes de mais graças a uma radical conversão a Cristo, uma dócil abertura à acção do seu Espírito Santo, e a um acolhimento sincero dos irmãos. Ninguém tenha ilusões recordava eu na citada Carta apostólica "sem esta caminhada espiritual, de pouco serviriam os instrumentos exteriores da comunhão. Revelar-se-iam mais como estruturas sem alma, máscaras de comunhão, do que como vias para a sua expressão e crescimento" (ibid.).

3. Se, portanto, a eficácia do apostolado não depende só da actividade e dos esforços organizativos ainda que necessários, mas em primeiro lugar da acção divina, é necessário cultivar uma íntima comunhão com o Senhor. Hoje, como no passado, os santos são os mais eficazes evangelizadores, e todos os baptizados são chamados a tender "para esta medida" alta da vida cristã (Ibid. 31). Por uma razão mais forte, isto diz respeito aos sacerdotes, que no interior do povo cristão, desempenham funções e missões de grande responsabilidade. A Jornada Mundial de oração pela santificação do Clero, que por feliz coincidência se celebra hoje mesmo, constitui uma ocasião propícia para pedir ao Senhor o dom de zelosos e santos ministros para a sua Igreja.

4. Para realizar este ideal de santidade, cada presbítero deve seguir o exemplo do divino Mestre, o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Escreve um santo dos nossos dias, Josémaria Escrivá, que "o Senhor se serve de nós como tochas" para que a sua luz ilumine... "De nós depende que muitos não continuem nas trevas, mas percorram caminhos que conduzem à vida eterna" (cf. Forja, nº 1). Mas onde acender estas chamas de luz e de santidade senão no coração de Cristo, fornalha inexaurível de caridade? Não é um acaso se a Jornada Mundial de oração pela santificação do Clero se celebra hoje, solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

No coração do seu Filho unigénito, o Pai celeste cumulou-nos de infinitos tesouros de misericórdia, ternura e amor "infinitos dilectionis thesauros", como rezamos na liturgia de hoje. No coração do Redentor "habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Col 2, 9), de onde podemos tirar a energia espiritual indispensável para irradiar no mundo o seu amor e a sua alegria.
Maria nos ajude a seguir docilmente Jesus que constantemente nos repete:  "Vinde a Mim... e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas" (Mt 11, 29).

Caríssimos, agradeço-vos novamente pela vossa visita e abençoo-vos a todos com afecto.

 

 

 

 

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