Prezados Irmãos em Cristo
1. Acolho-vos com alegria no Vaticano, para este encontro anual por ocasião da
Solenidade dos Santos Pedro e Paulo. A vossa presença aqui, como representantes
do Patriarca Ecuménico, Sua Santidade Bartolomeu I, é um sinal do nosso amor por
Cristo e um acto de fraternidade eclesial, mediante o qual reafirmamos a herança
de amor e unidade que o Senhor deixou à sua Igreja, construída sobre os
Apóstolos. Estes encontros anuais alimentam a nossa relação fraterna e
fortalecem a nossa esperança enquanto caminhamos, passo a passo, ao longo do
caminho para a plena comunhão e a superação das nossas divisões históricas.
2. Dou graças ao Senhor porque, no ano há pouco terminado, a Santa Sé teve
muitas ocasiões de encontro e cooperação com o Patriarcado Ecuménico. Destes,
desejo recordar a mensagem que enviei a Sua Santidade Bartolomeu I, por ocasião
do V Simpósio sobre o Meio Ambiente, começado na minha terra natal, a Polónia.
Aprecio sobremaneira as palavras gentis e os bons votos de oração proferidos
recentemente por Sua Santidade, durante duas conferências que assinalaram a
proximidade do vigésimo quinto aniversário do meu Pontificado. Enfim, estou
profundamente grato pelos esforços feitos nos últimos meses pelo Patriarcado
Ecuménico para coordenar a sequência do trabalho da Comissão Internacional Mista
para o Diálogo Teológico entre a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas. Queiram
assegurar Sua Santidade das minhas fervorosas orações a fim de que esta
iniciativa, que é indispensável para o nosso crescimento na unidade, seja
coroada de bom êxito.
As rápidas mudanças que se verificam no mundo actual pedem a todos os cristãos
que mostrem como o Evangelho de Jesus Cristo pode lançar luz sobre as questões
éticas cruciais que a família humana deve enfrentar, entre as quais a
necessidade urgente de promover o diálogo inter-religioso, de trabalhar para pôr
fim à injustiça que cria conflitos e inimizade entre os povos, de defender a
obra criada por Deus e de enfrentar os desafios postos pelos novos progressos na
ciência e na tecnologia. Aqui na Europa, os seguidores do Senhor, em particular,
devem cooperar para reconhecer e dar nova vida às raízes espirituais que estão
no centro da história e da cultura do continente. A consolidação da unidade e da
identidade europeias exige que os cristãos, como testemunhas da misericórdia
salvífica do Deus Uno e Trino, desenvolvam um papel específico no actual
processo de integração e reconciliação. A Igreja de Cristo não é porventura
chamada, primeiro e acima de tudo, a oferecer ao mundo um modelo de harmonia, de
tolerância recíproca e de caridade fecunda que revele a capacidade da graça
divina para superar todas as divisões e discórdias humanas?
3. Caros Irmãos, enquanto procuramos avançar no diálogo da verdade e no diálogo
da caridade, não nos deixemos desanimar pelas dificuldades que encontramos. Há
sempre uma maneira para andar em frente se estamos empenhados em fazer a vontade
de Deus para a unidade dos seus discípulos. Devemos prosseguir nos nossos
esforços, reforçar o nosso desejo de unidade e não descurar nenhuma oportunidade
para avançar para a plena comunhão e cooperação, apresentando sempre a Deus, na
oração, as nossas necessidades, as nossas esperanças e os nossos fracassos, a
fim de que nos possa curar com a sua grande misericórdia.
Confio-vos estes sentimentos, ao mesmo tempo que vos peço para levar as minhas
saudações fraternas a Sua Santidade Bartolomeu I e ao Santo Sínodo. Que o Senhor
nos possa conceder a força de dar um testemunho fiel sobre Ele e para rezar e
trabalhar incessantemente pela unidade e pela paz da sua santa Igreja.