Venerados Irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio!
1. Sede bem-vindos! Estou-vos grato pela vossa visita e
dirijo a cada um a minha cordial saudação. De modo especial, saúdo D. Amedée
Grab, Presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, e agradeço-lhe
as palavras que me dirigiu em vosso nome. Saúdo D. Cesare Nosiglia, Delegado
do Conselho das Conferências Episcopais Europeias para a catequese, os outros
Prelados, o Secretário-Geral do Conselho das Conferências Episcopais da
Europa e todos os presentes.
Este encontro de Bispos e Responsáveis da catequese nos
vários Países da Europa oferece a possibilidade de reflectir sobre as urgências
e os desafios da nova evangelização no continente europeu. Agradeço a todos
vós, encarregados de coordenar a catequese, o empenho com que vos dedicais a
uma tarefa tão vital para o crescimento das Comunidades cristãs. Nelas, como
nas da época apostólica, é necessário que os crentes sejam "assíduos
ao ensino dos Apóstolos" (Act 2, 42).
2. O tema do encontro "Os presbíteros e a catequese na Europa"
está relacionado com o dom e com o dever primário dos Bispos e dos presbíteros:
isto é, o da edificação da Igreja mediante o anúncio da Palavra de Deus e
os ensinamentos catequéticos.
"O sacerdote recordei na Pastores dabo
vobis é antes de mais o ministro da Palavra de Deus... enviado a anunciar
a todos o Evangelho do reino" (n. 26). Hoje o ministério do presbítero
alarga cada vez mais os seus confins para âmbitos pastorais que enriquecem a
comunidade cristã, mas que por vezes correm o risco de dispersar a sua acção
em mil compromissos e actividades. A sua presença na catequese sente o efeito
disso e pode limitar-se a momentos irregulares que pouco incidem na própria
formação dos catequistas. A exemplo do Apóstolo Paulo (cf. Rm 1,
14), ao contrário, ele deve sentir, como uma dívida para com todo o povo de
Deus, o dever de transmitir o Evangelho e de o fazer com a melhor preparação
teológica e cultural.
Observa o Directório Geral para a Catequese: "A
experiência confirma que a qualidade da catequese de uma comunidade depende,
em grande parte, da presença e da acção do sacerdote" (n. 225).
3. Sendo o primeiro catequista na comunidade, o presbítero,
especialmente se é pároco, está chamado a ser o primeiro crente e discípulo
da Palavra de Deus, e a dedicar uma solicitude assídua ao discernimento e ao
acompanhamento das vocações para o serviço catequético. Como "catequista
dos catequistas", não pode deixar de se preocupar pela sua formação
espiritual, doutrinal e cultural.
Numa perspectiva de comunhão, o sacerdote estará sempre
consciente de que o ministério de catequista ao serviço do Povo de Deus lhe
é conferido pelo seu Bispo, ao qual está unido inseparavelmente pelo
sacramento da Ordem e do qual recebeu o mandato de pregar e ensinar.
A referência ao magistério do Bispo no único presbitério
diocesano e a Obediência às orientações que, em matéria de catequese, são
emanadas, para o bem dos fiéis, por cada Pastor e pelas Conferências
Episcopais, constituem para o sacerdote elementos a serem valorizados na acção
catequética. Nesta perspectiva, assumem um relevo particular o estudo e o uso
do Catecismo da Igreja Católica, indispensável vademecum
oferecido aos sacerdotes, aos catequistas e a todos os fiéis, para orientar a
catequese pelos caminhos de uma autêntica fidelidade a Deus e aos homens do
nosso tempo.
4. "Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova
a toda a criatura" (Mc 16, 15). Este mandamento do Senhor dirige-se a
cada baptizado, mas representa para os Bispos e sacerdotes "o dever
principal" (Lumen gentium, 25). Como Cristo, o bom Pastor, o presbítero
é convidado a ajudar a comunidade para que viva numa tensão missionária
permanente. A catequese em família, no mundo do trabalho, na escola e na
Universidade, através dos mass media e das novas linguagens, envolve presbíteros
e leigos, paróquias e movimentos. Todos estão chamados a cooperar na nova
evangelização, para manter e revitalizar as raízes cristãs comuns. A fé
cristã representa o património mais rico do qual os povos europeus se podem
servir para realizar o seu verdadeiro progresso espiritual, económico e
social.
Maria, Estrela da nova evangelização, faça com que
também as reflexões e as orientações amadurecidas nestes dias sirvam para
favorecer nas vossas Igrejas um renovado compromisso catequético. Por meu
lado, garanto-vos uma recordação na oração, enquanto vos abençoo a todos
de coração juntamente com as Comunidades das quais provindes.