Caríssimos Irmãos e Irmãs!
Virgem Santa concedeu-me voltar a este Santuário para a honrar,
lugar que a Providência inspirou ao Beato Bartolo Longo para que fosse um centro
de irradiação do Santo Rosário.
A visita de hoje coroa, num certo sentido, o Ano do Rosário.
Agradeço ao Senhor os frutos deste Ano, que produziu um significativo despertar
desta oração, ao mesmo tempo simples e profunda, que atinge o coração da fé
cristã e se mostra muito actual face aos desafios do terceiro milénio e ao
compromisso urgente da nova evangelização.
Em Pompeia esta actualidade é evidenciada de modo particular por
esta antiga Cidade romana sepultada debaixo das cinzas do Vesúvio no ano 79
depois de Cristo. Aquelas ruínas falam. Elas fazem a pergunta decisiva sobre
qual seja o destino do homem. São testemunho de uma grande cultura, da qual
contudo realçam, juntamente com as respostas luminosas, também interrogativos
preocupantes. A Cidade mariana surge no centro destes interrogativos, propondo
Cristo ressuscitado como resposta, como "evangelho" que salva.
Hoje, como nos tempos da antiga Pompeia, é necessário
anunciar Cristo a uma sociedade que se vai afastando dos valores cristãos e
perde inclusivamente a sua memória. Agradeço às Autoridades italianas por terem
contribuído para a organização desta minha peregrinação, que começou na antiga
Cidade. Assim, percorri a ponte ideal de um diálogo sem dúvida fecundo
para o crescimento cultural e espiritual. Tendo como fundo a antiga Pompeia, a
proposta do Rosário adquire o valor simbólico de um renovado impulso do anúncio
cristão no nosso tempo.
O que é, de facto, o Rosário? Um compêndio do Evangelho.
Ele faz-nos voltar continuamente aos cenários principais da vida de Cristo, como
que para nos fazer "respirar" o seu mistério. O Rosário é o caminho privilegiado
de contemplação. É, por assim dizer, o caminho de Maria. Quem, melhor do que
ela, conhece Cristo e o ama?
Disto estava persuadido o Beato Bartolo Longo, apóstolo do
Rosário, que prestou especial atenção precisamente ao carácter contemplativo e
cristológico do Rosário. Graças ao Beato, Pompeia tornou-se um centro
internacional de espiritualidade do Rosário.
uis que esta peregrinação tivesse o sentido de uma súplica
pela paz. Meditámos os mistérios da luz, quase que para projectar a luz de
Cristo sobre os conflitos, as tensões e os dramas dos cinco Continentes. Na
Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae expliquei porque motivo o
Rosário é uma oração orientada, por sua natureza, para a paz. E isto não só
porque nos faz invocar a paz, fortalecidos pela intercessão de Maria, mas também
porque nos faz assimilar, com o mistério de Jesus, também o seu projecto de paz.
Ao mesmo tempo, com o ritmo sereno da repetição do Ave Maria,
o Rosário tranquiliza a nossa alma e abre-a à graça que salva. O Beato Bartolo
Longo teve uma intuição profética, quando, ao templo dedicado à Virgem do
Rosário, quis acrescentar esta fachada como monumento à paz. A causa da
paz entrava, assim, na proposta do Rosário. É uma intuição da qual podemos ver a
actualidade, no início deste Milénio, já sacudido por ventos de guerra e regado
com o sangue em tantas regiões do mundo.
convite ao Rosário que se eleva de Pompeia, encruzilhada de
pessoas de todas as culturas atraídas tanto pelo Santuário como pelo lugar
arqueológico, recorda também o compromisso dos cristãos, em colaboração com
todos os homens de boa vontade, a serem construtores e testemunhas de paz. A
sociedade civil, aqui representada por autoridades e personalidades que saúdo
cordialmente, acolha cada vez mais esta mensagem.
Esteja cada vez mais em condições de enfrentar este desafio a
comunidade eclesial de Pompeia, que saúdo nos seus diversos componentes: os
sacerdotes e os diáconos, as pessoas consagradas, sobretudo as Dominicanas
Filhas do Santo Rosário, fundadas precisamente para a missão deste Santuário, e
os leigos. Um sentido obrigado a D. Domenico Sorrentino pelas calorosas palavras
que me dirigiu no início deste encontro. Um obrigado afectuoso a todos vós,
devotos da Rainha do Rosário de Pompeia. Sede "artífices de paz", seguindo as
pegadas do Beato Bartolo Longo, que soube unir a oração à acção, fazendo desta
Cidade mariana uma cidadezinha da caridade. O novo Centro para as
crianças e para a família, ao qual gentilmente quisestes dar o meu nome,
recolhe a herança desta grande obra.
Caríssimos Irmãos e Irmãs! A Virgem do Santo Rosário nos
abençoe, enquanto nos preparamos para a invocar com a Súplica. Ao seu coração de
Mãe confiamos as nossas preocupações e os nossos propósitos de bem.
Depois da recitação da Súplica, antes de conceder a Bênção
Apostólica, o Papa disse:
Obrigado, obrigado Pompeia. Obrigado a todos os peregrinos por este caloroso
e lindíssimo acolhimento. Obrigado aos Cardeais e aos Bispos presentes. Obrigado
às Autoridades do País, da Região, da Cidade. Obrigado pelo entusiasmo dos
jovens. Obrigado a todos. Rezai por mim neste Santuário, hoje e sempre.